Ao início é estranho, mas depois já não. A tecnologia híbrida do Classe S 560e afigura-se incontornável na avaliação desta grande limousine da marca alemã. Graças à ação e à suavidade de funcionamento da referida mecânica, a condução é tranquila e muito confortável, mesmo quando se opta pelo modo Sport do programa Dynamic Select.
Talvez seja essa a ideia mais consistente que se retira logo após alguns quilómetros, inevitavelmente traduzida pelo extremo conforto (também por culpa da suspensão pneumática) e pela tremenda eficácia da insonorização do habitáculo, o qual mais parece um casulo à prova de bala, imune a qualquer ruído proveniente do exterior. Mesmo em autoestrada e nas velocidades elevadas isso acontece (limitada eletronicamente a 250 km/h), o que só enaltece a estrutura e a própria conceção, baseada numa plataforma longa e numa distância entre eixos de 3,165 m. Nem o extenso comprimento de 5,25 metros parece fazer travar as qualidades aerodinâmicas deste Classe S, o qual se movimenta com destreza e à vontade, mesmo tendo em conta o formato e o peso acima das 2,2 toneladas (em vazio).
A mecânica híbrida não se intimida perante essas contrariedades, algo que se entende nas medições efetuadas e nos escassos 5 s até aos 100 km/h, e isto num arranque mais à bruta. Brutal e quase surpreendente, como se se estivesse a conduzir uma espécie de locomotiva, à semelhança, por exemplo, do concorrente mais próximo que é o Panamera 4 e-Hybrid da Porsche (de 462 cv). As retomas de velocidade também são muito rápidas e a atuação da caixa automática 9-G Tronic é excelente para esse propósito. Desse modo é possível alcançar apenas 2 a 3 segundos para se chegar dos 60 aos 100 km/h ou dos 80 aos 120 km/h. Num instante!
Com acelerações deste tipo é natural que as travagens a fundo sejam mais permissivas, conforme se comprova pelos 41 metros admissíveis a partir de 100 km/h. Não é um registo notável, mas a função é exercida sem que haja reações evasivas ou ruído exagerado, inclusive por parte dos Bridgestone Potenza (245/45 à frente, 275/40 atrás) com jantes em liga leve de 19’’. Como se impõe, claro, num Classe S, modelo que não é permeável a esse género de atitudes.
Autonomia elétrica perto dos 40 km
Regressemos ao início! A tranquilidade acústica a bordo pode ser ainda mais visível quando se recorre à função E-Mode estritamente elétrica, desde que haja carga suficiente nas baterias de iões de lítio e até à velocidade máxima de 130 km/h. É indicada para trajetos mais pequenos, em cidade, por exemplo, sendo possível poupar bastante dessa maneira, embora a fatura energética possa chegar a 21 kWh por cada 100 km (cerca de 3,15 €), adicionando-se ainda o gasto suplementar de 0,8 litros de gasolina. Foi o que sucedeu num percurso de 41 km exatos e sem emissões. Já antes, o computador de bordo calculava cerca de 38 quilómetros puramente elétricos com a carga a 100%.
Também é possível recorrer ao modo E-Save (reservando a energia para mais tarde) e ainda ao E-Charge, este último com o bloco V6 a efetuar o respetivo carregamento do pack das baterias. A operação não é nada demorada e o ruído é baixo, quase sem alteração, embora seja um estratagema que agrava o consumo. Mais equilibrado é o modo Hybrid normal, que conjuga de forma inteligente a ação do motor térmico com a unidade elétrica, sendo assim possível outros registos. Sem qualquer preocupação é comum obter médias à volta dos 4,2 litros por 100 km (cerca de 6,70 €), a que se junta ainda um gasto energético de 13 a 14 kWh (cerca de 2 €).
O resultado é assim bastante animador, bastando somar as parcelas para um total de 8 a 9 € por 100 km, algo pouco comum numa berlina deste género, ainda para mais tendo em conta o enorme poderio mecânico em causa.
Quando a capacidade das baterias se esgota é óbvio que o consumo atinge outro patamar, quase sempre com médias próximas dos 10 litros/100 km e com 4,5 kWh/100 km por acréscimo (exemplo para 2161 km totais, dos quais 638 km em modo elétrico), podendo-se contar com a regeneração da energia nas travagens e nas desacelerações para alimentar a bateria de 13,5 kWh. Esta está colocada por baixo do piso da bagageira, algo que fez diminuir a volumetria para 395 litros (em vez de 530 litros) e mudou o formato do vão ao fundo (com degrau). É nesta zona que se arrumam também os cabos de carga (2 bolsas), sendo possível adiantar que na rede doméstica de 230V são necessárias 5 horas para efetuar a carga a 100%. Já num posto público, a marca anuncia 1 hora. Talvez o tempo adequado ou o intervalo certo para aceder às múltiplas massagens das poltronas. De luxo.
A sofisticação inerente ao topo de gama da Mercedes-Benz está bem espelhada nesta variante de carroçaria longa (L) em análise, equipada com mecânica híbrida: unidade V6 a gasolina de 367 cv apoiada por motor elétrico de 122 cv. A conjugação das grandíssimas qualidades do Classe S (conforto, espaço e dinâmica, entre outras) combinam na perfeição com o tipo de propulsão enunciada (476 cv no total), acrescentando ainda maior suavidade na estrada e consumos médios equilibrados, sem prejuízo das prestações. Outra mais-valia é a baixa fatura energética (e de combustível) se se optar com frequência pelo modo puramente elétrico e Hybrid normal, sendo possível valores de 4,2 l e 13 kWh/100 km...