A entrada em vigor das novas normas ambientais obrigou os fabricantes a atualizar muitas das mecânicas a gasóleo das suas gamas. A Renault, por exemplo, despachou o 1.6 dCi nas variantes de 130 e 165 cv, sobrando apenas o mais fraquito 1.5 dCi que percorre boa parte dos modelos da gama da marca francesa. Contudo, fazia falta motor mais potente para servir carros maiores, como o Scénic, que agora recebe o novo 1.7 Blue dCi nas versões de 120 e 150 cv. Foi unidade equipada com o último e com caixa automática de dupla embraiagem EDC que testámos.
Para começar, há que referir a imagem impactante do Scénic de 5 lugares – que graças à alteração na lei das portagens, passando a pagar Classe 1 com Via Verde, finalmente se juntou ao Grand Scénic de sete lugares –, que tem muito a ver com as enormes jantes de 20’’ (as únicas à escolha) que equipam o monovolume francês. Interessa dizer que a dimensão das jantes tem um reverso: a sensibilidade em mau piso e perante obstáculos no asfalto, como lombas sonoras ou buracos, o que penaliza decisivamente o conforto. Mas enfim, nos tempos que correm, e em geral, a imagem parece ser bastante mais valorizada que o bem-estar. A situação é mais grave nos lugares traseiros, também por causa da suspensão, que talvez pudesse ter ajuste mais brando, pois sentimo-lo demasiado firme. Naturalmente que em bom piso, em autoestrada, por exemplo, a comodidade não é afetada e todos os ocupantes usufruem de bons níveis de conforto num habitáculo pensado para cinco pessoas, como o provam os cinco lugares individuais.
Por outro lado, há elogios a fazer ao desempenho dinâmico do monovolume francês, o qual apreciamos muito bem instalados no posto de condução em banco com elevados índices ergonómicos. A visibilidade é muito boa e o acerto em frente ao volante também, contrariando a ideia de que não há forma de nos sentarmos bem em monovolumes ao SUV. Há, mas nem todos sabem como fazê-lo.
Voltando ao desempenho dinâmico do Scénic, um dos melhores elogios que lhe podemos fazer é que nem nos apercebemos que estamos a conduzir veículo grande e alto, tal é a facilidade de condução que permite. Em curva é equilibrado, mesmo que se note algum adorno, normal, da carroçaria; a direção tem um bom tato (não é demasiado leve) e os travões são eficazes.
Quanto ao novo Diesel de 1,7 litros, 150 cv e 340 Nm, muito de bom há a dizer. Desde logo, a disponibilidade desde os regimes mais baixos do motor, característica que mantém de forma progressiva à medida que aumenta o regime e, claro, a velocidade, num casamento bem conseguido entre mecânica e transmissão de dupla embraiagem, suave e rápida nas passagens. E que aproveita bem o binário disponível para garantir retomas rápidas em conjunto com peso acima de 1500 kg.
Depois, há sempre a possibilidade de brincar com os cinco modos de condução do sistema Multi-Sense: Eco, Comfort, Sport e Perso ou Neutral. As diferenças não são muito importantes, exceto em Eco para qualquer um dos outros, em que se nota uma melhoria da resposta do motor, com especial ênfase no modo mais desportivo.
Foi através da alternância entre modos e de percursos (estrada, autoestrada e cidade) que apurámos consumo médio de 6,1 litros a cada 100 quilómetros, um valor que nos parece perfeitamente aceitável tendo em conta as prestações e o desempenho geral da mecânica.
Voltando ao habitáculo, refira-se que a zona frontal é dominada pelo enorme ecrã central tátil de 9,3’’ que reúne as informações relativas ao sistema de entretenimento (sistema de som Premium Bose, por exemplo), a navegação e a gestão dos diversos sistemas de assistência à condução que equipam esta unidade com o generoso nível de equipamento Bose Edition.
O Scénic é um automóvel familiar de excelência, combinando boa habitabilidade, funcionalidade e condução fácil e segura. No caso concreto da unidade que testámos, com o novo Diesel de 1,7 litros, caixa EDC e equipamento Bose Edition, cremos que é uma proposta recheada de valor, pois motor e caixa combinam lindamente para oferecer boas prestações e consumos comedidos, sendo o equipamento de série abastado.