Se jovialidade e irreverência não bastassem à imagem do C-HR, a Toyota juntou as da cor de lima nesta edição especial limitada e agita-as ao som de música em alta fidelidade do especialista JBL, que se poderá escutar comodamente instalados em bancos revestidos a pele e alcantara. No resto, é o SUV compacto mais estilizado da marca japonesa, na versão híbrida, e também o mais dinâmico e divertido de conduzir. Tudo por 37.115 euros.
O C-HR sustenta estas qualidades na plataforma competente com ligações ao solo com regulação tendencialmente firme, para suster os movimentos oscilatórios da carroçaria elevada ao solo, e melhor do que a maioria dos congéneres da sua classe. Fá-lo penalizando a suavidade com que pisa o solo e, por consequência, o conforto, principalmente quando aquele não é tão liso como o (bom) asfalto. Acrescenta-se a direção bem assistida e o bom desempenho do sistema de travagem.
A motorização híbrida a gasolina, que associa bloco térmico de 1,8 litros e unidade elétrica que a auxilia na propulsão do veículo, mas assumindo-a, em exclusivo, por períodos breves e subordinados ao trato dócil no acelerador, não é para correrias desenfreadas.
A coisa agrava-se com o funcionamento arreliador da caixa automática de variação contínua (CVT), que ao ruído de arrasto que confere à mecânica em aceleração soma-lhe a retardação da resposta às solicitações do pedal do lado direito. A gestão do sistema híbrido permite selecionar entre três diferentes modos de condução (Sport, Normal e Eco), mas as diferenças são muito pouco percetíveis no seu desempenho.
É possível completar algumas centenas de metros em modo 100% elétrico, mas não é fácil fazê-lo mesmo carregando no botão EV, já que para tal a bateria tem de estar perto do seu estado máximo de carga, e há que pisar o acelerador como se estivéssemos de pantufas e sem exceder 58 km/h. Este módulo híbrido garante, acima de tudo, um ótimo compromisso entre prestações e eficiência energética (no consumo de combustível), em que pouco supera a barreira dos 5,5 l/100 km médios.
No interior, o ambiente condiz com o exterior. Design moderno, como é o sistema de infoentretenimento, com menus específicos para a condução híbrida em monitor tátil de 8” ligeiramente inclinado para o condutor. Menos distinta é a instrumentação com apresentação clássica e analógica. No resto, enorme sofisticação e qualidade de construção com o padrão da Toyota. Superfícies de tato suave, em pele, por cima do tablier, e também outra zona relativamente mole na faixa central do tablier, e aplicação de plástico com efeito de piano lacado na zona do monitor central e no volante. Na consola, entre os bancos dianteiros, está o botão para o acionamento do travão elétrico, a alavanca da transmissão e o botão para forçar o modo elétrico (EV).
O C-HR prefere egoisticamente o seu condutor, deprecia os passageiros, principalmente os que se sentam no banco posterior, afetados por um efeito quase claustrofóbico pelas formas protuberantes da carroçaria na zona do pilar traseiro e a descida abrupta do tejadilho nesta secção, que também prejudicam os acessos e saídas despreocupados à e da segunda fila de bancos. A bagageira tem formas relativamente geométricas e uma boa capacidade de 370 litros, mas também um degrau alto (16,5 cm) entre a boca de carga e o plano de carga, além de que quando se rebatem as costas dos bancos a zona de carga criada não é totalmente plana.
A cor de lima é exclusiva desta série especial e única que se pode ter (aliás, porque a caracteriza) e pode não ser consensual, mas condiz bem com a imagem jovial, irrevente, quiçá igualmente chocante, do C-HR. Este apelo sedutor, embora menos vistoso, estende-se ao interior, valorizado pelos bancos em pele e alcântara e o sistema de som da parceira JBL.