A segunda geração do Audi A1 é um enorme salto qualitativo comparativamente à antecessora, lançada em 2010. Com mais 5,6 cm de comprimento e as demais medidas exteriores quase inalteradas, o mais pequeno dos Audi cresceu noutros sentidos.
Desde logo, na plataforma, a mais recente do Grupo Volkswagen para veículos compactos (a estrutura modular MQB A0, partilhada com Seat Ibiza e Arona e VW Polo), com maior distância entre eixos (9,4 cm) e tecnologicamente mais moderna, nas motorizações, mais enérgicas e eficientes no consumo e nas emissões, e nos denominados conteúdos tecnológicos, a maioria advindo das superiores competências da nova plataforma. E claro, no design. Mais encorpado, com uma presença mais afirmada na estrada, com melhores e mais amplos interiores, o A1 aproximou-se do A3 em diversos elementos, superando-o mesmo nalguns – e vai mantê-los certamente até à próxima geração deste familiar compacto.
Nesta versão em teste, motor a gasolina de 150 cv, no topo da gama deste modelo de segmento B, além de 1.0 de 3 cilindros e 116 cv, e para já sem Diesel. O A1 35 TFSI tem bloco de quatro cilindros, 1,5 litros, injeção direta turbo e ainda 250 Nm (entre 1500 e 3500 rpm), confere muito boas prestações ao automóvel, respondendo de forma enérgica e bastante progressiva às solicitações do pedal do acelerador desde baixos regimes. Para isso, contribui o reduzido peso total do veículo (1225 kg) e o correto escalonamento da transmissão, manual e de seis velocidades – igualmente disponível com caixa automática de dupla embraiagem de sete relações S tronic -, a motivarem uma condução até mais dinâmica. Aos bons rapports, a caixa manual acrescenta engrenamento suave e preciso.
Acrescentando-se a direção bem assistida, facilitando as manobras a baixa velocidades e condução em percursos citadinos e comunicativa a ritmos superiores em vias mais rápidas, os travões eficazes e o amortecimento firme da suspensão desportiva (de série nesta versão S line) que restringe os movimentos da carroçaria, o A1 de 150 cv chega a divertir como projeto de GTI.
Todavia, este motor a gasolina é não só performante, como também eficiente no consumo de combustível, ao dispor de sistema de gestão ativa dos cilindros ACT, que desativa de dois cilindros ao funcionar a regimes médios e baixos, e a velocidades estabilizadas. A paragem dos cilindros é impercetível para o condutor, mas a economia revela-se substancial, aproximando-se de 1 litro/100 km quando o recurso tecnológico é bem aproveitado. Neste teste, a média de 6,5-7 l/100 km no consumo é elogiável.
No A1 não existem modos de condução (sistema audi drive select), como noutros modelos da marca alemã, mas existe equipamento de segurança pre-sense de série, incluindo aviso de colisão e travagem autónoma a baixa velocidade ou alerta de mudança de faixa com intervenção corretiva na direção. No resto, destaca-se o habitáculo suficientemente espaçoso e confortável, os bancos dianteiros com regulações a permitirem ao condutor definir posição correta. A ergonomia é elevada, tal como a sofisticação tecnológica evidenciada pelo painel de instrumentos digital de série (ou opcional Virtual Cockpit) e o monitor tátil de 8,8’’ no centro do tablier para o sistema de infoentretenimento (10,1’’ em opção). O mesmo para a qualidade dos materiais, embora haja forros e plásticos menos premium na zona inferior das portas.
O A1 Sportback tem posicionamento dúbio, entre os segmentos B e C: é mais do que utilitário e menos do que familiar compacto. Por isso, à qualidade indiscutivelmente elevada do automóvel contrapõe-se o preço inflacionado, explicado pelo estatuto de marca premium da Audi. E mais ainda com este motor de 150 cv, no topo de gama, enérgico e eficente. Mas caro.