A nível internacional, a Mercedes-Benz apelida de Sedan o estreante Classe A de 4 portas, que em Portugal ganha o nome de Limousine, um pouco mais pomposo, como que a liderar a veia mais tradicional desta carroçaria que, assim, se afasta do já conhecido (e mais exclusivo, desportivo e dispendioso) CLA.
O Classe A Limousine é 13 cm mais comprido que o 5 portas, com o acréscimo a recair apenas na secção traseira, onde surge um terceiro volume bem enquadrado com a restante linguagem estilística dos compactos da marca. O volume da bagageira alarga-se, assim dos 370 até aos 420 litros, em reforço da vertente mais familiar que recai sobre esta carroçaria, que vale mais 1450 € face ao 5 portas, para igual motorização.
Mesmo sendo um três volumes assumido, o acesso à bagageira é suficientemente amplo para não quebrar em demasia a versatilidade deste género de carroçaria, havendo a acrescentar o rebatimento tripartido das costas do banco traseiro (40:20:40) que pode ser operado a partir da mala, e a presença de alçapão sobre o piso – não há lugar para roda suplente. Seguindo a toada do habitáculo, os revestimentos da bagageira são de ótima qualidade.
Não obstante o crescimento da zona de carga, não se espere mais espaço para as pernas dos ocupantes do banco traseiro, uma vez que os três modelos (A, A Limousine e CLA) partilham a distância entre eixos. Mas, de facto, face às distintas particularidades concetuais desta carroçaria, a sensação de espaço (no seu todo) é superior.
Igualmente exímio é o desempenho aerodinâmico deste A Limousine, com a superior fluidez das linhas a permitirem Cd de 0.22, igualando o recorde para veículos de produção em série que tinha sido obtido pela anterior geração do compacto CLA.
A arquitetura interior é colada à do 5 portas, com destaque para o vanguardismo tecnológico empregue na conceção do tablier, dominado por dois mostradores digitais – painel de instrumentos e infoentretenimento, a cargo do sistema MBUX, que soma à navegação via comandos táteis no monitor ou através do touch pad central, completo rol de comando por voz. No entanto, os sistemas de série estão a cargo de monitores de 7’’, sendo necessário investir na aquisição dos de 10’’, podendo ser adquiridos individualmente ou como parte do Pack Premium (4000 €), que ainda soma navegação, Pack Espelhos, Pack Parking, sistema de acesso Mãos-Livres, apoio de braços central traseiro, luz ambiente, soleiras de porta iluminadas, bancos dianteiros aquecidos e sistema de som de superior qualidade. Tudo em prol do reforço do bem-estar interior, resultando em ambiente particularmente cuidado quando em sintonia com a Linha de Equipamento AMG (2250 €) de onde são provenientes os bancos de formato desportivo visíveis nas fotos, com revestimentos em Alcantara e pele, com costuras a linha vermelho, bem como os tapetes com assinatura AMG, volante com braços metalizados, forro negro do tejadilho e climatização automática. Por fora, são os para-choques específicos, as jantes de 18’’, os faróis LED e a suspensão ligeiramente rebaixada que levantam o véu sobre a presença da referida linha de orientação mais desportiva, que não deixa de encaixar bem na estética desta carroçaria de estilo mais clássico.
No A Limousine, semelhante acutilância dinâmica colocada na condução face ao 5 portas, embora o amortecimento nos tenha parecido um pouco mais dócil, mesmo nesta unidade equipada com jantes de 19’’ em Pirelli P Zero 225/40 e sem contar com a opcional suspensão de amortecimento variável – e ainda com eixo de torção como arquitetura da suspensão traseira, estando a solução multibraços dedicada apenas às motorizações mais potentes.
Ainda assim, o motor 1.3 turbo a gasolina, de 163 cv, é empenhado na forma como responde ao acelerador, em particular acima das 3000 rpm e em toda a faixa final de rotação. As performances aferidas são lestas, ao que se alia um desempenho sereno que nem permite dar conta dos momentos em que a mecânica desliga dois dos quatro cilindros (quando lhe é possível), em prol dos consumos. A caixa automática de 7 velocidade acrescenta facilidade à condução, mesmo que por vezes apresente algumas hesitações nas trocas, a baixas velocidades. Mas o conjunto motor/caixa, com consumo médio entre os 7 e os 7,5 l/100 km, permite que esta versão 200 a gasolina alie ótimas performances com custo de aquisição muito aproximado ao do mais normal 1.5 Diesel de 116 cv.
O Classe A Limousine é elemento inédito na gama de compactos da Mercedes, com a marca a pedir mais 1450 € relativamente ao cinco portas para o acréscimo de 50 litros na bagageira e por um estilo de carroçaria mais clássico. O certo é que o terceiro volume surge bem embutido na traseira, capaz de corporizar um Classe A visualmente mais imponente, sem perder pitada do vanguardismo tecnológico que vinca a atual gama de modelos da marca. O 1.3 turbo a gasolina de 163 cv é suave e muito enérgico.