Exclusivamente acoplado à caixa de velocidades automática de dupla embraiagem EDC de 6 relações, o novo 2 litros a gasóleo, identificado como Blue dCi 200, inclui série de tecnologias otimizadas para baixar consumo e emissões. Desde logo, sistema SCR mais próximo do motor do que nas soluções anteriores, já que a eficiência do mesmo depende da temperatura dos gases de escape (controlo mais eficaz das emissões com o motor frio); novo intercooler arrefecido a água (CAC) instalado junto aos coletores de admissão para regular de forma mais eficaz a temperatura dos gases de escape, o que, por sua vez, ajuda a melhorar as prestações e a diminuir os consumos e as emissões de CO2; atualizado atuador elétrico responsável pela variação da geometria da turbina para garantir rapidez de resposta em todos os regimes do motor; injetores agora com oito orifícios e pressão de injeção aumentada de 700 para 2500 bar e nova camada de carbono tipo diamante nas hastes das válvulas e nos pernos dos pistões para reduzir a fricção. Tecnologia e teoria com tudo para dar certo, mas vejamos se é assim na prática.
O Talisman Sport Tourer dCi 200 EDC não é a berlina mais rápida do mercado, mas oferece uma condução fluida e despachada em qualquer situação, sem aumentar demasiado os consumos, sendo que é, naturalmente, em estrada e autoestrada (isto desde que nos mantenhamos abaixo do limite legal) que se revela mais económico: 6,3 em autoestrada, 5,6 em estrada e 7,3 em cidade, de onde resulta média de 6,4 l/100 km, apenas 0,6 l/100 km acima do valor oficial. Ora, com um depósito de 52 litros de gasóleo, ficamos com autonomia para percorrer um pouco mais de 800 quilómetros. E fazer longas distâncias é precisamente um dos atributos deste confortável automóvel da Renault, isto desde que o alcatrão se encontre em ótimas condições, o que nem sempre sucede nas nossas autoestradas..., pois as grandes jantes de 19 polegadas que equipavam a unidade que testámos prejudicam um pouco a comodidade quando o piso não é perfeito.
Equipado com sistema de amortecimento variável e quatro rodas direcionais com atuação que se ajusta face aos modos de condução selecionados, a berlina tem comportamento dinâmico satisfatório. No modo Sport, todo o conjunto fica mais reativo às ordens da direção, não sendo necessário mexer muito no volante para curvar. Contudo, a direção é sempre demasiado vaga, condicionando bastante o feeling de condução. Não é um defeito, é de veículo assumidamente familiar que falamos.
No cômputo geral, o Talisman é um automóvel muito cómodo, espaçoso e competente em termos dinâmicos, garantindo viagens calmas, confortáveis e seguras, tanto mais que o motor Diesel é silencioso. Nos lugares traseiros, os ocupantes dos lugares laterais desfrutam de cómodas poltronas, mas quem viajar ao meio já sabe que tem que contar com o túnel da transmissão (que até nem é muito volumoso) junto aos pés e com as saliências de encosto e assento.
Avaliando sem muita profundidade a evolução dos sistemas de propulsão nos últimos tempos, ficamos com a ideia que as propostas elétricas e a gasóleo têm evoluído num patamar semelhante, o que mostra que entre o branco e o preto há imensas tonalidades de cinzento. Esta versão a gasóleo da carrinha Talisman convenceu-nos pelas prestações e frugalidade.