A Mercedes-Benz, na estratégia de eletrificação do automóvel, não despreza qualquer caminho. O programa EQ Power admite todos os tipos de fórmulas. Nos híbridos com recarga externa das baterias (Plug-In), por exemplo, uma no cravo, outra na ferradura! Traduzindo, a marca alemã, para acelerar o ritmo da mudança de paradigma, não abdica do recurso ao Diesel, mesmo conhecendo-se o período de descrédito das mecânicas a gasóleo. Todavia, na Europa, para (alguma...) possibilidade de cumprimento das normas antipoluição mais restritivas – e 2021 encontra-se do outro lado da porta –, são instrumentos essenciais, por gastarem menos combustível, comparativamente às unidades a gasolina! Como as emissões de CO2 resultam dos consumos, a abordagem percebe-se.
Na prova dos nove, E 300 de. Tecnicamente, este automóvel partilha a totalidade do sistema elétrico com a versão 300 e do Classe E, mas o primeiro dispõe de motor a gasóleo, enquanto o do segundo é a gasolina. O Diesel com a referência interna OM654 tem 4 cilindros, 2 litros de capacidade, injeção direta common rail, turbina de geometria variável e sistema moderno de descontaminação dos gases de escape – inclui um depósito autónomo com 25 litros de capacidade para o AdBlue, aditivo que ataca os óxidos de azoto, poluente debaixo de fogo na Europa, reduzindo-os de forma muito significativa (esta solução aquosa evapora-se com o funcionamento do automóvel, ao ritmo de 1,5 a 2,5 litros por cada 1000 km; consumindo-a toda, o Mercedes-Benz não arranca, mas não precisa de preocupar-se: há sinal de alerta no painel de instrumentos, a substância encontra-se nos postos de combustível e o processo de abastecimento é fácil). Conhecemo-lo do E 220 d com 194 cv e 400 Nm. O rendimento combinado do sistema atinge os 306 cv e os 700 Nm, números responsáveis por performances excecionais, embora o híbrido, por contar com muitos componentes específicos, nomeadamente as baterias de iões de lítio, pese mais 345 kg do que a berlina sem este pacote tecnológico…
De acordo com os números da Mercedes-Benz, o 300 de é muito mais rápido do que o 200 d, vide 250 km/h em vez de 240 km/h de velocidade máxima ou 5,7 s em vez de 7,3 s de 0 a 100 km/h. Complementarmente, também no consumo, vantagem impressionante do híbrido, com média homologada de 1,4 l/100 km. Para o Diesel, anuncia-se 5,5 litros. Logo, também nas emissões de CO2, híbrido (muito...) melhor, com 41 g/km, contra os 122 gramas inscritos na ficha do Classe E equipado com a mecânica Diesel. Mas, como sempre, não há bela sem senão: o 300 de é 8700 € mais caro do que o 220 d. A tecnologia elétrica paga-se e impõe compromissos: o posicionamento da bateria imediatamente atrás dos bancos traseiros, por exemplo, penaliza a bagageira, com redução na capacidade de 540 litros para 400. No demais, E igual ao E. No habitáculo, acabamentos e materiais de qualidade, conforto acima da média e equipamento completo.
No painel do E 300 de, dois monitores de 12,3’’. O da esquerda é o da instrumentação. O da direita concentra os programas de comunicação, informação e entretenimento, comanda-se tatilmente ou no comando rotativo arrumado na consola entre os bancos dianteiros. Também no volante, mais dois seletores de funções de bordo sensíveis ao toque. A berlina da Mercedes-Benz, nesta 5.ª geração (W213), de 2016, posiciona-se no topo de categoria de elite na maioria dos domínios, da habitabilidade (nos lugares de trás, desfruta-se de liberdade de movimentos em todas as direções, exceto no banco do meio, devido à intrusão do túnel da transmissão) à eletrónica de assistência à condução. A posição de condução é confortável e banco e volante têm regulações amplas.
Sistema elétrico
No 300 de, motor elétrico com 122 cv (90 kW) integrado na caixa automática de 9 velocidades (inclui modo manual ativado sequencialmente em patilhas no volante, que tem desenho desportivo e revestimento em pele). O pacote de baterias de iões de lítio tem 13,5 kWh de capacidade bruta, mas disponibiliza só 9,3 kWh. O carregador de 7,4 kW integrado pela Mercedes-Benz no equipamento de série permite recuperação rápida q.b. do armazenamento da energia (de 10 a 100% em 2h30), ligando-o a tomada doméstica. O cabo introduz-se em terminal na secção traseira da carroçaria, abaixo do farolim direito.
Existem cinco modos de condução, que selecionamos no comando do Dynamic Select, na consola entre os bancos dianteiros: Economy, Comfort, Sport, Sport+ e Individual. Regulam o funcionamento de caixa, direção, motor e suspensão. O sistema híbrido admite quatro programas de gestão, Hybrid, E-Mode, E-Save e Charge, mas o comando trabalha apenas em Economy ou Comfort. Teoricamente, o Mercedes-Benz percorre 50 km com a mecânica térmica parada, à velocidade máxima de 130 km/h. Conduzindo com moderação, entre autoestrada, estrada e cidade, em 50 km, 33 percorridos de forma elétrica. O consumo de gasóleo não excedeu os 3 l/100 km e o de energia foi de 16,8 kWh. No percurso de teste, registos notáveis…
Para otimização dos dois consumos, o E 300 de apoia-se em software que regista e interpretar duas mãos cheias de informações, incluindo trânsito e topografia do percurso. O sistema também adapta a capacidade de recuperação de energia durante as fases de desaceleração e travagem. O modo Charge ativa recarregamento das baterias com o carro em movimento e a função Eco recomenda-nos comportamentos amigos do ambiente, através de indicações no painel de instrumentos e sinais hápticos no pedal do acelerador (altera o ponto de resistência, atrasando ou impedindo o entrada em ação do Diesel).
A experiência de condução é mais do que positiva. Em cidade, a berlina movimenta-se quase sempre em modo elétrico, suave e silenciosamente, encontrando-se carga na bateria. A mecânica a gasóleo arranca com discrição, o que combina com o conforto garantido por suspensão que filtra bem as irregularidades do asfalto. Privilegiando-se a dinâmica e ativando-se os programas mais desportivos, mudança de temperamento, reação rapidíssima ao pedal do acelerador. Os consumos aumentam, sim, mas as performances são de… AMG!
No Mercedes-Benz E 300 de, combinação (muito!) inteligente de recursos tecnológicos. Os alemães não renunciam às mecânicas Diesel, cada vez mais desacreditadas (erradamente!), e ‘apoia’ o 2.0 a gasóleo da versão 220 d (194 cv e 400 Nm) com motor elétrico. O sistema híbrido, devido à fórmula do recarregamento externo da bateria, admite até 50 km com o bloco térmico em silêncio, privilegiando-se a eficiência. Combinando os dois motores, rendimento elevado (306 cv e 700 Nm), ‘performances’ de AMG.