Continua a febre dos SUV desportivos, quer sejam pequenos, médios ou grandes, com 300, 400 ou... 500 cv! Mesmo que a Física dite que os verdadeiros desportivos devam ser baixinhos e levezinhos, a procura de performance em formato XXL tem vindo a encaixar nas modas, em particular em mercados ricos e mais excêntricos, como o do Médio Oriente, Ásia ou Estados Unidos. É essencialmente para estes que marcas como a BMW encaixam mais de 500 cv para puxar duas toneladas de carro com mais de 1,7 metros de altura, por troca de cheques bem chorudos, que também pagam muita tecnologia a bordo e apontamentos extremos de requinte e excentricidade...
A estreante versão M do X3 tem sob o capot um novo bloco 3 litros de 6 cilindros em linha (uma das combinações mais carismáticas na marca), biturbo, capaz de render impressionantes 510 cv, ficando agora de igual para igual com a unidade V6 biturbo da Alfa Romeo (510 cv no Stelvio Quadrifoglio) e com o V8 4.0 biturbo da Mercedes-AMG. Autêntico clube de luxo...
Este novo motor conta com dois filtros de partículas, quatro conversores catalíticos, duplo sistema Vanos para controlo variável das válvulas e até mesmo partes impressas em impressoras 3D de forma a aligeirar o peso do conjunto mecânico, capaz de aguentar até 350 bar de pressão de injeção, o que também ajuda a chegar aos 600 Nm de binário. No X3 M, existe na variante de 485 cv e esta, de 510 cv, que anima a versão Competition, com 8700 € somados aos 121.200 € base.
A ligar a pujança ao solo está uma convencional caixa automática de 8 velocidades que inclui 3 modos de ação, com o mais dinâmico a puxar pelo regime do motor em cada uma das relações e, depois, a realizar trocas realmente lesta e sonantes, fruto da presença do escape desportivo – cuja atuação vocal pode ser gerida por botão na consola central. A tração é sempre integral, com esta versão M do X3 a incluir modo mais desportivo (4WD Sport), obrigando para tal a acionar o M Dynamic Mode do controlo de estabilidade (ou a desativá-lo por inteiro!). Gerir a entrega de potência pelos eixos e a atuação do DSC são apenas dois dos possíveis itens ajustáveis, tendo o condutor à mão botões que permitem diferenciar autonomamente a calibragem da direção, amortecimento e resposta do motor, em três níveis. Dois settings ideais poderão ser memorizados e chamados/ativados por intermédio dos botões vermelhos M1 e M2 colocados no volante.
O amortecimento variável é sempre de tónica bem firme, pelo que a afinação Sport Plus deverá ser um exclusivo para estradas de piso ótimo ou pista. Sim, pista! Porque as performances são equivalentes às do M2 Competition, com o X3 M a carimbar alguma vantagem no arranque devido à tração integral (e perfeita gestão da mesma) e também aos 1000 m, onde chega a mais 10 km/h face ao M2 (239 vs 229 km/h). Depois, a forma pujante como o motor responde em qualquer regime e a tónica emotiva que coloca em qualquer aceleração, transporta-nos para o verdadeiro mundo da M, sem qualquer concessão devido ao volume do modelo em questão.
Mais: a direção tem peso e consistência e a travagem aguenta diversas solicitações, mesmo que violentas. Basta utilizar o modo 4WD Sport para que o X3 M rodopie um pouco mais sobre si mesmo, transformando a potência em vasto cenário de diversão, bastando ter apenas em linha de conta uma aderência inicialmente superior do eixo dianteiro e, só depois, verdadeiras derivas traseiras, qual um M. Dos baixinhos!
O X3 ainda não conheceu a mais recente evolução de interiores da BMW... Mas nada parece faltar no âmbito desportivo (à séria!) neste estreante X3 M Competition, onde motor, caixa de velocidades, transmissão, travagem, eletrónica e até comodidade dos bancos vão ao encontro do que se espera de um verdadeiro rebento da M. As performances chegam a alucinar e o jogo de aderência/derrapagem a inebriar!