Nos dias ensolarados não há nada como conduzir o 500C em modo aberto, ou seja, sem capota, que se movimenta eletricamente e em andamento até aos 50 km/h.
Existem três posições de abertura previamente definidas (através de teclas junto ao teto, à frente), ora destapando-se a zona por cima dos bancos da frente (como um teto de abrir normal), ora até lá atrás, por cima dos lugares posteriores, ou deslizando-se essa mesma cobertura até à proximidade do portão da mala. No caso de se optar pela última modalidade é possível colocar um pára-vento adicional, fixando-o atrás dos apoios de cabeça dos bancos traseiros, eliminando-se assim eventuais correntes de ar que surjam pela retaguarda.
Com a capota aberta, de uma maneira geral, a proteção do habitáculo face ao vento é bastante adequada, inclusive à frente, existindo uma pequeníssima cortina que se eleva no topo do para-brisas para esse efeito. Mais do que o suficiente para contrariar o vento de frente, permitindo um isolamento justo e motivando, sempre que possível, a abertura do referido teto, logo que apareçam uns raios de sol ou desde que não chova. «Aqui vou eu para a Costa, aqui vou eu cheio de pica; de Lisboa vou fugir, vou pró sol da Caparica», parafraseando, então, a letra da eterna canção dos Peste e Sida (anos 80), depois Despe e Siga. Nem de propósito!
O mecanismo da capota têxtil é rápido e prático, sem vibrações excessivas, embora a fixação do para-vento posterior possa ser criticada por ter um encaixe algo instável, admitindo-se a proveniência de alguns ruídos a partir daí. Nada de grave, tendo em conta a tão ampla exposição aos elementos naturais...
Com a capota fechada, o isolamento a bordo é bastante razoável, mais uma vez a conferir a boa qualidade do toldo de praia da versão Dolcevita, cujos conteúdos são mais alargados. A decoração exterior é diferenciada (para-choques na cor da carroçaria, frisos cromados e jantes em liga leve de 16’’, por exemplo) e o interior é ainda mais sofisticado do que é habitual, desde logo com bancos, seletor da caixa e volante forrados a Ecopele, este último com ligeiro ajuste em altura, algo que é útil para acertar melhor a acanhada posição de condução. Esse é o pior aspeto do 500, a exigir esforço aos condutores de maior estatura, sem esquecer que os lugares atrás são exíguos e a mala (muito) pequena.
A condução é vivaça, apesar das prestações modestas do bloco 1.2 de 69 cv, embora com desembaraço suficiente no ambiente urbano, aliado a consumos médios entre 6 e 6,8 l/100 km.
Nota positiva, ainda, para a leveza (e precisão) da direção com a função City ligada, sendo bastante fácil de manobrar. As vibrações estruturais só surgem no mau piso, o conforto não sai lesado e a capota é resiliente. Ou como o espírito Dolcevita pode ser levado à letra...
A imagem da versão Dolcevita do 500C é atrativa, sublinhada pela invulgar cor da carroçaria (branco gelato) e pela capota têxtil com faixas azuis e brancas, além da inclusão de vários detalhes cromados e jantes em liga leve de 16’’ (pintadas a branco). Por dentro, a decoração é igualmente diferente e mais sofisticada, como se vê no tablier em madeira e no forro em pele dos bancos. A condução é similar à da dos outros 500, inclusive com prestações algo tímidas do bloco 1.2, mas sem embaraço no contexto urbano...