O Série 8 é o Gran Turismo da BMW. Originalmente, o fabricante alemão produziu-o na década de 1990, com motores de 8 e 12 cilindros a gasolina. Em 2018, após quase 20 anos fora da gama, reintrodução da série no catálogo da marca. Esta 2.ª geração substituiu o Série 6 e dispõe de três variantes, incluindo Gran Coupé que rivaliza com o topo de gama Série 7. O primeiro satisfaz mais e melhor os adeptos da condução, devido ao tato direto e às reações ágeis, enquanto o segundo privilegia o conforto de rolamento, o bem-estar a bordo e o luxo. Em simultâneo, o emblema ganha uma alternativa a Audi A7 Sportback, Mercedes CLS e Porsche Panamera.
O Gran Coupé baseia-se na mesma plataforma dos Série 8 Coupé e Cabrio, ambos com carroçarias de duas portas e configurações interiores de quatro lugares, mas os 5,08 m de comprimento, as quatro portas e os quatro ou cinco lugares diferenciam-no. O G16, nome interno do modelo, na versão 840d xDrive, associa motor de 6 cilindros e 3 litros a gasóleo, caixa automática de 8 velocidades, tração integral e sistema de quatro rodas direcionais. E somando-se-lhe uma mão bem cheia de recursos técnicos e tecnológicos valorizadores da dinâmica na condução, ganha-se uma berlina desportiva de referência!
Comparado com o Série 8 Coupé, o Gran Coupé é 25 cm mais comprido. O crescimento das dimensões beneficiou, integralmente, o espaço no habitáculo, a liberdade de movimentos nos bancos traseiros. O Série 8 não iguala a habitabilidade do Série 7, mas dois passageiros adultos instalam-se com conforto nos lugares posteriores, selecionando a configuração normal de 2+2 lugares, de série. Optando-se pela fórmula 2+3, o ocupante central sentar-se-á – e sentir-se-á! – apertado, devido à falta de centímetros em altura e largura e à falta de espaço para pernas, consequência direta do nível de intrusão do túnel da transmissão. Portanto, é alternativa que não recomendamos.
No Série 8 Gran Coupé, os ocupantes dos bancos posteriores contam com climatização dedicada, com regulação automática da temperatura e cortinas elétricas nos vidros ou óculo. Adicionalmente, se o automóvel estiver equipado com tejadilho panorâmico em vidro, também têm comandos para abertura ou fecho da cortina sob a metade traseira do teto, movimento que aumenta ou diminui a luminosidade no interior do habitáculo. A mala tem apenas 440 litros, mas admite-se o rebatimento dos encostos. Fazendo-o e dispensando um, dois ou três lugares, melhora-se a capacidade do compartimento. No demais, Gran Coupe decalcado do Coupé, vide bancos dianteiros e painel de bordo.
Na qualidade dos materiais e da montagem, o Série 8 é digno do estatuto de topo de gama. O cockpit tem desenho desportivo e apresentação muito valorizada por acabamentos que acrescentam luxo e sofisticação ao habitáculo do Gran Coupe. O condutor senta-se em posição baixa, otimamente. O banco tem apoios excecionais e regulações elétricas. De série, BMW Live Cockpit Professional com painel de instrumentos digital de 12,3’’ e monitor central de 10,25’’. Os dois admitem reconfiguração, mas somente o segundo é comandado de forma gestual, tátil e vocal. O sistema inclui geração nova do Assistente Pessoal do emblema alemão, que ativamos oralmente, com a expressão «Hey, BMW». O sistema multimédia também pode comandar-se no controlo rotativo iDrive instalado na consola central, ao lado do seletor da caixa e dos botões dos modos de condução (Sport+, Sport, Comfort, Eco Pro, Adaptive), que mudam os funcionamentos de vários sistemas do Série 8, da resposta do motor ao acelerador, do tato da direção à firmeza do amortecimento. Há, ainda, modo Individual para regulação independente da atuação de cada programa.
O chassis do 840d xDrive Gran Coupe é ótimo, mas a versão ensaiada ainda dispunha de recursos técnicos (opcionais) optimizadores da dinâmica na condução, nomeadamente o Pack Desportivo Tecnologia M com rodas de 20’’ – pneus mais largos no eixo posterior, maior capacidade de tração... –, travões desportivos (aumentam tanto a potência como a resistência à fadiga) ou diferencial traseiro exclusivo (melhorando-se a estabilidade e a motricidade nas mudanças súbitas de direção e em curva, progressos na agilidade, na precisão e na segurança). Soma-se-lhe a suspensão adaptativa professional que associa um programa ativo de controlo dos movimentos da carroçaria ao amortecimento eletrónico e à direção ativa integral (quatro rodas direcionais). É este combinado que explica o comportamento desportivo de GT que também devora quilómetros com conforto de primeira classe. O Série 7, na dinâmica, impressiona menos.
No 840d, mecânica de 6 cilindros e 3 litros com injeção direta, sobrealimentação turbo e sistema de descontaminação de gases de escape moderno. Os alemães, socorrendo-se de aditivo (AdBlue) que conta com depósito específico, garantem o cumprimento de normas europeias antipoluição mais restritivas.
Os números das vendas de automóveis eletrificados não param de aumentar, também na BMW, mas o peso dos Diesel ainda é muitíssimo relevante (o ano passado, representaram 10.678 dos 13.938 carros matriculados pela marca no nosso País – 76,6% dos registos)! O 6 cilindros impressiona mais pelo binário do que pela potência – 680 Nm disponíveis entre as 1750 rpm e as 2250 rpm garantem resposta (quase) imediata aos movimentos no acelerador, superfôlego responsável por arranques e recuperações contundentes. O motor de 3 litros caracteriza-se, igualmente, pelo funcionamento silencioso e isento de vibrações, duas qualidades que melhoram muito o bem-estar a bordo e a experiência de condução.
A ação da caixa contribui para esta capacidade! O sistema de 8 velocidades adapta-se à mecânica de 3 litros, aumenta ou diminui a velocidade de passagem das relações em função do programa de condução ativo, inclui controlo de arranque (Launch Control) e tem programa manual selecionado sequencialmente em patilhas no volante e no seletor na consola central. Durante o teste, média de 7,7 l/100 km, registo próximo do anunciado pela marca – eis vantagem da evolução do protocolo de homologação, do NEDC para o WTLP).
A BMW, com o lançamento do Gran Coupe, soma terceira variante à gama do Série 8 e passa a dispor de alternativa desportiva ao Série 7, berlina que privilegia mais o luxo, a sofisticação e o conforto de rolamento do que a dinâmica na condução. Desenvolvida a partir da base do Coupé, a berlina nova tem chassis com capacidades atléticas acima da média. O Diesel não tem a sonoridade excitante dos melhores motores a gasolina da marca da hélice, mas mais do que satisfaz as exigências dos adeptos da condução desportiva que valorizam, igualmente, o conforto de rolamento.