A Renault capitaliza a experiência na Fórmula 1 e na produção de automóveis elétricos para alavancar a eficiência de solução híbrida Plug-In que combina motor 1.6 a gasolina com unidade elétrica alimentada por bateria de iões de lítio, de 7,5 kWh. Consumos moderados e até 50 km ‘elétricos’.
Seja total ou parcial, já não há forma de fugir à eletrificação do automóvel. E há já mais de 10 anos que a Renault aposta nesta solução, baseando parte do seu programa de mobilidade em diversos modelos 100% eletrificados (caso de ZOE, Fluence, Kangoo, etc.), experiência que foi aproveitada no desenvolvimento de agora estreante gama de soluções híbridas, sobre a chancela E-Tech, encimada pela Mégane ST, com conjunto híbrido plug in (a berlina de 5 portas com igual solução irá chegar em 2021).
Colocando de lado, à partida, grandes potências ou desempenhos entusiasmantes e desportivos, a Renault tem por base unidade 1.6 atmosférica a gasolina, de apenas 91 cv, focada na máxima eficiência térmica. A que se junta inédita solução híbrida assente em dois motores elétricos e numa caixa de velocidades multimodo (sem embraiagem e de dentes direitos, ou seja, focada no reduzido atrito interno), em que um dos motores serve apenas enquanto motor de arranque e sincronizador das engrenagens da transmissão, e o outro de máquina elétrica propulsora, por excelência.

Lá atrás, sob o banco traseiro, está colocada bateria fornecida pela LG, de 9,8 kWh (7,5 úteis), o que obrigou a algumas modificações, caso da passagem do bocal do depósito de combustível para a esquerda (ficando o lado direito entregue ao carregador da bateria) e com o eixo de torção traseiro a dar lugar a arquitetura multibraços de forma a melhor aguentar os 200 kg a mais que este E-Tech pesa face a uma versão Diesel.
Embora possa ser ligado a postos de até 22 kW, o carregador de bordo não aceita mais que 3,7 kW (3 horas de carregamento), precisando de 5 horas de abastecimento se ligado a tomada doméstica, a 2,3 kW.
Para gerir o funcionamento híbrido, o Mégane ST E-Tech conta com três modos de condução: Pure (forçando o acionamento puramente elétrico), Sport (para máxima performance) e My Sense (gestão eletrónica automática, permitindo ao condutor algumas personalizações, caso da resposta ao acelerador ou peso da direção). Existe ainda a função E-Save que permite não só resguardar a energia na bateria para uso posterior, mas também regenerar até um máximo a rondar os 50%.
No nosso teste, e sem restrições de andamento (apenas cumprindo-se os limites de velocidade) percorremos facilmente os 50 km anunciados com uma carga de bateria, em modo zero emissões, com consumo médio entre 14,7 e os 15,4 kWh/100 km e possibilidade de rolar até 135 km/h. Autonomia interessante face à capacidade útil da bateria – e que facilmente chega aos 60 km se a utilização for quase sempre em meio citadino – só possível devido à eficácia do trabalho regenerativo, e sem nefastas quebras de ritmos por elevado efeito travão-motor.

Não voltando a carregar, os primeiros 100 km chegam com registo de consumo médio de gasolina de 3,1 l/100 km. E se o utilizador continuar viagem sem recorrer a carregamento, o consumo médio de combustível irá fixar-se em torno dos 5 litros mesmo depois de percorridos mais de 400 km, valor extremamente interessante e que comprova a aposta na mecânica 1.6 atmosférica. Paralelamente, atente-se ao valor de eletricidade regenerada ao longo dessa quilometragem: excelentes 29 kWh/100 km, que muito contribuem para os gastos contidos em modo puramente híbrido depois de terminada a autonomia inicial da bateria. Os trajetos em autoestrada acabam por ser os mais penosos, obrigando a algum esforço para ganhos e manutenção de velocidade. Mas, curiosamente, também aqui a gestão eletrónica contribui com um quase constante e ténue encaminhamento de energia do motor térmico para gerar eletricidade, além da força que é entregue às rodas. Mais um sinal da forte aposta na regeneração.
A circulação em modo elétrico, e mesmo em situações de liga/desliga do motor 1.6, desde que em condução descontraída, é sempre fluída. Mas o certo é que esta inovadora transmissão multimodo não é a solução mais suave ou rápida que conhecemos, por apresentar hiatos na resposta ao acelerador (seja a acelerar, seja quando se alivia o pé), fazendo chegar ao condutor o arrasto de algumas trocas efetuadas.
O lançamento da versão E-Tech surge acompanhado pela atualização da gama Mégane, com foco na modernização da imagem com recurso a novos grupos óticos (e efeitos) LED, mas também pelo modernizado módulo multimédia em monitor tátil de maiores dimensões (9,3’’) bem como instrumentação 100% digital e multiconfigurável em painel de 10,2’’.

Mantendo os dotes de carrinha de cariz familiar, com oferta de espaço e equipamento, esta estreante versão híbrida plug in do Mégane ST está muito direcionada para o mercado dos veículos de serviço, contando com os incentivos fiscais (para empresas) ou apoio à retoma (2750 €). Conjunto mecânico focado na eficiência, seja pela autonomia conseguida em modo puramente elétrico, seja pelo consumo de combustível depois de terminada a carga da bateria.