Com a gama Mégane totalmente renovada, lugar às estreantes versões R.S. Line com laivos do desportivo RS. Visual acompanhado pela energia e suavidade dos 160 cv do motor 1.3 turbo a gasolina.
Parece o mesmo Mégane que está no mercado desde 2016? De facto, a atualização do compacto privilegia a subtileza à exuberância na diferenciação visual para o modelo cessante. A Renault, acima de tudo, focou-se na modernização do habitáculo, no reforço de equipamentos (e multimédia) e em superiores cuidados ergonómicos. Mas também houve lugar a estreias na organização da gama, com a entrada do novo nível de equipamento R.S. Line (que ocupa o lugar do anterior GT Line), que tem laivos do verdadeiro desportivo Mégane R.S. – e nesta unidade em testes muito bem casado com o motor 1.3 turbo a gasolina, de 160 cv, cheio de vivacidade e bem dominado por não menos competente caixa automática de dupla embraiagem (EDC) de sete velocidades.

De frente, o novo Mégane R.S. Line dá nas vistas. A zona inferior do para-choques exibe a lâmina F1 herdada do referido Mégane R.S. e as jantes de 17’’ (as jantes de 18’’ da unidade testada são opcionais, por 600 €) têm novo formato. A identidade visual exterior do modelo é reforçada pelos novos grupos óticos, o dianteiro com assinatura Pure Vision (mais 30% de capacidade de iluminação), e os traseiros também remodelados e integrando tecnologia LED com luzes de mudança de direção (piscas) dinâmicas.
Os bancos, tipo bacquet, forrados a tecido, são dominantes no interior do Mégane R.S. Line e proporcionam ótimos apoios laterais sem beliscar o conforto. Na decoração do tecido que os reveste misturam-se as cores vermelho r re cinza, evidenciando a inspiração desportiva da versão – a que se acrescenta a assinatura R.S. no volante.
A adoção do painel de instrumentos digital em monitor TFT de 10,2’’ é outro dos sinais evolutivos do Mégane e possibilita várias vistas e diversas informações (úteis), de que se destaca a projeção da navegação diante dos olhos do condutor. Entre extras, head-up display (500 €).

Na consola central, mais novidades tecnológicas no sistema multimédia Easy Link com monitor tátil de disposição vertical de 9,3’’ e atraente grafismo. A navegação está mais intuitiva e é notória a superior rapidez de navegação entre as diversas páginas e opções – que são muitas, como sejam, a possibilidade de alterar o tom da iluminação ambiente (onde até já a zona interior dos puxadores de porta surge iluminada) ou a sonoridade (artificial) da mecânica que chega ao habitáculo por intermédio do sistema de áudio.
Esta versão conta ainda com quatro modos de condução (Eco, Comfort, Sport e My Sense), sendo o último personalizável, permitindo alterar as leis que ajustam eletronicamente o pedal do acelerador, o feeling da direção e a atuação da caixa de velocidades automática. Os modos daquele programa podem ser selecionados num botão na zona central, entre os bancos.
A conjugação do motor 1.3 turbo a gasolina de 160 cv com a caixa EDC acaba por ser um dos fatores que mais determinam a personalidade dinâmica desta versão. O bloco motriz apresenta enorme suavidade de ação no quotidiano, sem vibrações e com uma subida de rotação muito oleada, ao ponto do condutor dificilmente se aperceber já ter ultrapassado os limites legais de velocidade em autoestrada. Depois, acionando o modo Sport, todo o carro ganha uma distinta afirmação desportiva, em particular o tato da direção, que ainda assim poderia ser mais preciso. Acelerando-se, este pequeno 1.3 faz do Mégane um perfeito desportivo, com acelerações verdadeiramente rápidas e retomas prontas na resposta ao acelerador (ver medições na ficha técnica, à esquerda), ao que não será alheio o binário máximo estar disponível logo a partir das 1800 rpm, o que permite ser um motor quase sem quebras.

Para uma melhor ligação desportiva ficaram por montar as patilhas da caixa no volante. Se a condução for ajuizada, em quotidiano normalizado, será possível que os consumos oscilem entre os 6,6 e os 7 l/100 km.
Mesmo com opcionais jantes de 18’’ e pneus Continental Premium Contact 6, o Mégane não perde a noção de conforto que sempre caracterizou a história do modelo, que nesta geração surge mais amadurecido, com a carroçaria a parecer ter ganho alguma rigidez estrutural, e também nas ligações ao solo.
O interior continua a pecar por ser dos mais apertados do segmento e as linhas da secção traseira, com reduzida superfície vidrada, quebram a visibilidade nas manobras.
Curiosamente, Renault e Peugeot surgem quase em simultâneo com gerações atualizadas dos rivais Mégane e 308 (teste na página 76), mas a marca do losango foi um pouco mais ambiciosa a diferenciar a renovação. Esta versão R.S. Line dá largas ao visual desportivo, mais próximo do verdadeiro Mégane R.S., e o motor 1.3 TCe de 160 cv e a caixa EDC em nada esmorecem essa atitude, fazendo deste compacto, familiar civilizado, mas também veloz desportivo!