A Ford, na Europa, tem SUV novo no topo da gama. Chama-se Explorer e vende-se apenas com tecnologia híbrida Plug-In. No sistema com 457 cv e 825 Nm, motor de 6 cilindros a gasolina, máquina elétrica alimentada por bateria de iões de lítio, caixa automática de 10 velocidades e tração integral. As conclusões do nosso teste.

A Ford implementou estratégia de globalização da gama que alavancou o lançamento dos automóveis mais emblemáticos da marca norte-americana na Europa. Assim, depois do Mustang, conhecemos o Explorer, o Sport Utility Vehicle (SUV) de maiores dimensões comercializado pelo fabricante de Dearborn, EUA, no lado de cá do Atlântico – no de lá, comercialmente, posiciona-se acima do Edge e abaixo do Expedition. Só por isso é bem-vindo!
Produzido desde 1990, o ano em que substituiu o Bronco no catálogo doméstico da marca da oval azul, o Explorer acumula quase oito milhões de unidades vendidas em cerca de três décadas de carreira bem-sucedida. Esta geração, a 6.ª, foi apresentada em 2019, no salão de Detroit e assenta numa plataforma de tração traseira que também admite quatro rodas motrizes (arquitetura CD6) e fabrica-se em Chicago, no Illinois (EUA). Na Europa, o SUV assume o estatuto de topo de gama e vende-se apenas com tecnologia híbrida Plug-In.
A eficiência do sistema depende, obrigatoriamente, da utilização regular do sistema de recarregamento externo das baterias. O pacote tem 13,1 kWh (utilizam-se apenas 10,3 kWh), uma capacidade que permite percorrer um máximo de 42 km de forma elétrica, um limite que deixa o Ford de fora dos incentivos fiscais disponíveis em Portugal...

Na versão PHEV do Explorer, mecânica de 6 cilindros e 3 litros a gasolina, com 363 cv e 555 Nm, máquina elétrica com 75 kW (102 cv) e 300 Nm alimentado por bateria de iões de lítio, caixa automática de 10 velocidades e tração integral. O rendimento máximo do sistema é de 457 cv e 825 Nm, o que explica as performances (quase) desportivas do SUV com cerca de 2,5 toneladas, nomeadamente a aceleração 0-100 km/h em 6 s e a velocidade máxima de 230 km/h. Depois de esgotar os 42 km do modo de condução elétrico, consumo médio de 3,1 l/100 km, de acordo com o protocolo de homologação europeu WLTP.
No entanto, também no caso do Explorer PHEV, a prática contraria a teoria, não no potencial de conduzirmos o Ford de forma elétrica, muito silenciosa e suavemente, mas na eficiência do V6 a gasolina e da tecnologia híbrida Plug-In… No nosso teste, percorremos 40 km com a mecânica térmica desligada, mas não conseguimos um consumo médio abaixo de 11 l/100 km. Este facto alerta-nos para a exigência de recarregarmos a bateria com regularidade, sob risco de comprometermos as mais-valias do sistema. E a operação nem sequer é (muito...) demorada: numa tomada doméstica, a 2,3 kW, 5.48 h. No entanto, admite-se potência maior (3,6 kW), que reduz o tempo da recuperação de 100% de carga nas baterias para 4.30 h.
Este sistema do Ford é multifacetado. Contando-se com uma bateria carregada, o Explorer pode mover-se em modo elétrico ou híbrido. O condutor seleciona o que pretende no comando EV posicionado na consola entre os bancos dianteiros. Depois de esgotada a energia, o funcionamento é sempre híbrido. Admite-se, igualmente, uma reserva de eletricidade para utilização posterior, por exemplo numa zona de acesso condicionado, além da possibilidade de alimentar o acumulador com o motor de combustão interna, mas o programa não permite ativação quando o nível de carga atinge o mínimo de 8%. No entanto, trata-se de expediente muito mais dispendioso do que a ligação a uma tomada…

Sete lugares
No Explorer PHEV, sete lugares. O espaço a bordo mais do que satisfaz, não existindo nunca condicionamento da liberdade de movimento em qualquer dos bancos das três filas, mesmo tratando-se de passageiros adultos. A capacidade da mala depende, naturalmente, da configuração do habitáculo, anunciando-se um mínimo de 240 litros e um máximo de 2274 litros. A 3.ª fila rebate-se com facilidade, através de um sistema elétrico ativado em comandos específicos no interior do compartimento de carga. O condutor senta-se confortavelmente e tem todos os comandos ao alcance da mão e organizados de forma lógica, o que diminui os riscos de distrações, maiores nos automóveis que concentram os comandos de todas as funções nos menus e submenus dos monitores digitais dos sistemas de infoentretenimento.
O Ford também dispõe de ecrã no centro do painel de bordo – tem 10,1’’, apresenta-se na vertical e admite uma seleção tátil –, mas os programas de utilização frequente ativam-se em botões, vide controlo dos modos de ação para adaptação do chassis e da mecânica às características tanto da condução como do piso: Desporto, Eco, Normal, Escorregadio, Trilho e Neve/Areia. E soma-se-lhes o Rebocar/Transportar que otimiza a resposta de SUV com aptidões quer para o fora de estrada, quer para puxar atrelado até 2500 kg, capacidades que posicionam o Explorer no topo de categoria dominada por automóveis de marcas premium europeias – Audi Q7, BMW X5, Mercedes-Benz GLE, Volvo XC90… Os sete programas intervêm na resposta do motor ao acelerador, na atuação da caixa de velocidades, na assistência da direção e nos funcionamentos dos controlos de estabilidade e tração. E também mudam a apresentação e a informação no painel de instrumentos, igualmente digital.

Dinâmico
O Explorer, considerando as dimensões e o peso, movimenta-se bem q.b., embora não consiga aproximar-se das referências da categoria no que respeita ao desempenho dinâmico. Os méritos do Ford devem-se tanto à firmeza da suspensão, que limita os movimentos da carroçaria em curva, diminui a capacidade do amortecimento na filtragem das irregularidades do piso e aumenta a agilidade nas mudanças de direção, como ao desempenho do sistema híbrido, que proporciona muita rapidez quer nas acelerações, quer nas recuperações, com o funcionamento da caixa automática de 10 velocidades a contribuir para esta impressão positiva. Agradece-se, ainda, a potência e a resistência à fadiga dos discos do sistema de travagem.
A tração integral adapta a distribuição do binário de forma automática, acionando apenas as rodas posteriores quando o Explorer circula com aderência ótima e em reta, em autoestrada e estrada. O comprimento e a largura da carroçaria do SUV da Ford condicionam a agilidade e a facilidade de manobra em cidade, mas os norte-americanos, para apoio à condução, equiparam o automóvel com uma mão cheia de câmaras exteriores.
O Explorer não tem a apresentação luxuosa nem o comportamento refinado e suave dos SUV das marcas premium dominantes no mercado nacional, mas apresenta-se com equipamento abundante – apenas pintura metalizada entre os opcionais! – e tecnologia híbrida Plug-In moderna. O topo de gama da Ford percorre até 42 km de forma 100% elétrica, mas também não cumpre a promessa de muito baixo consumo de combustível. No demais, maioritariamente, impressões positivas.