Com bateria de iões de lítio de 22 kWh alojada sob os bancos dianteiros, para alimentar motor de 82 cv/160 Nm colocado em posição traseira, o citadino da marca do losango é o automóvel elétrico mais acessível em Portugal.
Ágil, divertido de conduzir, com feeling quase desportivo que resulta da combinação tração traseira e ligações ao solo com afinação mais firme, o Twingo tem na imagem de forte personalidade trunfo que o emblema francês sabe capitalizar. E na nova versão 100% elétrica, para caçar clientela no segmento dos citadinos, onde o sucesso emocional do Fiat 500 deixa margem reduzida, poucas foram as modificações operadas à carroçaria de modelo especialmente gizado para acelerar a mudança de paradigma no automóvel. Desde logo, com preço-canhão: disponível a partir de 22.200 €, é o elétrico mais acessível em Portugal.

Mais contas
Sim, o preço continua bastante elevado quando comparado com modelo idêntico equipado com o motor a gasolina de 65 cv (o Electric é cerca de 10.000 euros mais caro do que essa versão), significando que, equacionando apenas o preço de aquisição e o consumo energético, a maior rentabilidade da compra de elétrico compensará depois de percorridos muitos milhares de quilómetros. Mas façamos as contas: no citadino a baterias, ao custo da energia elétrica de rede doméstica (estimam-se 0,155 €/kWh), com consumo médio de 12,9 kWh/100 km gastam-se 2 €/100 km. Por seu turno, na versão térmica (ao preço do combustível de 1,54 € e o consumo médio real de 6 l/100 km) gastam-se 9,5 €/100 km. A diferença esbate-se, naturalmente, no abastecimento público, de acordo com os preços e as taxas de cada Operador do Posto de Carregamento. Mas apenas assim, já dá bem que pensar…
Dotado, de série, com carregador de bordo adaptativo/camaleão, o Twingo Electric pode ser ligado a qualquer ponto de corrente alternada (não suporta corrente contínua e postos rápidos), adaptando-se, automaticamente, até um máximo de 22 kW. Tempos de carga anunciados: 15 horas a 2,3 kW; 4 horas a 7,4 kW; 3h15 m a 11 kW e 1h30 m a 22 kW – neste último, consegue recuperar 80 km em 30 minutos.

Ainda nos prós, além da não produção, de forma direta, de emissões poluentes, contribuindo para melhor qualidade do ar, a condução fácil, silenciosa e despachada, cortesia da resposta instantânea à pressão no pedal da direita e acelerações de... míni foguete.
O motor de 82 cv/160 Nm (derivado dos motores síncronos de rotor bobinado utilizados no Zoe), colocado em posição traseira, transmite potência às rodas desse eixo, tal como nos Twingo a combustão, que foi lançado em 2013 com plataforma preparada para a eletrificação total, o que explica que cotas habitáveis e volumetria da mala se mantenham intactas. No Twingo Electric, o pack de baterias de iões de lítio de 22 kWh (com 96 células distribuídas por 8 módulos, pesando 165 kg), está instalado sob os bancos dianteiros, ajudando na otimização da distribuição do peso entre eixos e baixando o centro de gravidade.

Como o modelo original, o Twingo a baterias conduz-se com muita facilidade, de forma intuitiva e simples. E as baterias recarregam nas etapas de desaceleração e travagem. Também por isso o ritmo de recuperação de energia está diretamente relacionado com o tipo de trajeto. Ou seja, ao contrário do que acontece no automóvel equipado com motores de combustão, no elétrico é o pára-arranca da cidade que é mais amigo da autonomia. Empurrando o seletor da caixa para a frente temos os níveis B1, B2 e B3 de regeneração do modo D, para um máximo de desaceleração de 1,4 m/s; bem abaixo do que faz a maioria da concorrência. Neste tipo de utilização, e selecionando-se o modo ECO, que limita o rendimento do motor, consumos a rondar os 11 kWh/100 km permitem sonhar com os 200 km de autonomia declarados pela Renault. Em circuito misto, cidade/estrada e autoestrada, o consumo medido foi de 12,9 kWh/100 km, média que se traduz numa autonomia aproximada de 185 quilómetros.
De acordo com os estudos europeus, o condutor médio de um citadino faz 30 quilómetros por dia, o que significa que o proprietário de um Twingo Electric necessitaria de o colocar à carga ao fim... de seis dias! Obviamente, muitas outras variáveis há a considerar, mas a autonomia elétrica real deste pequeno Renault é, sim, uma agradável surpresa. Como as prestações e as credenciais dinâmicas. Um elétrico para todos.