Renault Mégane E-Tech PHEV R.S. Line

Pragmático

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 21-08-2022 07:00

Com 160 cv, a solução E-Tech da Renault pode ser menos potente face à maioria da concorrência, mas os baixos consumos e os cerca de 50 km de autonomia em modo elétrico vincam o pragmatismo da tecnologia híbrida Plug-In. E o visual R.S. Line confere ‘mais piada’ ao conjunto.

Para início de carreira entre  – por agora cada vez mais obrigatórios – híbridos Plug-In que nascem sobre modelos já existentes, a Renault não caiu na tentação de usar como base uma potente motorização térmica sobrealimentada, como a maioria da concorrência. O que levanta a seguinte questão: será que a potência continua a ser bom argumento de vendas, mesmo em soluções que se querem económicas e ecológicas, e que deverão serão conduzidas com pezinhos de veludo para estender ao máximo a autonomia em modo puramente elétrico?

A Renault prefere fazer diferente: no Mégane E-Tech Plug-In Hybrid – versão que até há algum tempo estava disponível apenas na carrinha do modelo familiar compacto – unidade 1.6 atmosférica a gasolina de não mais que 91 cv associada a motor elétrico propulsor de 67 cv (existe um segundo motor elétrico mas que tem funções de arranque e de sincronização das relações da também peculiar transmissão multimodo, sem embraiagem e sem sincronizadores), para um máximo combinado de 160 cv e 280 Nm de binário.

A bateria (LG) de 7,5 kWh úteis foi colocada sob o piso da bagageira, aí roubando precioso espaço de carga que assim se fica por modestos 308 litros, tendo a Renault deixado local sob o piso para arrumar os cabos. O carregador de bordo aguenta um máximo de 3,7 kW (3 horas para carga total), sendo precisas 5 horas numa ligação doméstica a 2,3 kW.

Como será fácil entender, o Mégane E-Tech não tem prentensões desportivas, focando a razão de ser na máxima eficiência térmica, superior aproveitamento da energia elétrica e suavidade/silêncio de utilização. O ano passado, por altura do teste à carrinha, tecemos algumas críticas à atuação da eletrónica de controlo da caixa de velocidades, por manifestos hiatos na resposta ao acelerador que rompiam a desejada fluidez na condução. O certo é que a Renault tem realizado diversas atualizações de software que resultam, agora, numa condução muito mais despachada, contribuindo para – até agora desconhecida – vivacidade da dinâmica.

O Mégane E-Tech conta com três perfis de condução, ora forçando a deslocações apenas em modo elétrico até 135 km/h, havendo carga na bateria (Pure), ora possibilitando máxima performance (Sport), não faltando modo personalizável (My Sense) e ainda a possibilidade de resguardar ou regenerar até cerca de 50% da bateria (E-Save).

Não tivemos dificuldade em confirmar os cerca de 50 km de autonomia puramente elétrica, a que se seguiu um consumo médio pouco acima dos 3 l/100 km ao final dos primeiros 100 km realizados apenas com uma carga. Depois, rodando já em modo híbrido, vêm ao cimo as vantagens da  motorização atmosférica, com o computador de bordo a informar médias em torno dos 5 litros aos 100 km – de referir a excelente capacidade regenerativa, a qual pode ser consultada no completo rol de informações oferecido pelo agora mais simplificado e intuitivo sistema multimédia Easy Link.

Não obstante o Mégane PHEV não seja um acelera, esta versão R.S. Line confere a dose certa de cunho dinâmico, seja pela pormenorizada imagem exterior, seja pelos equipamentos no interior. E com o E-Tech a adotar eixo traseiro multibraços, este Mégane consegue criar uma boa envolvente dinâmica, com direção consistente e tato fidedigno com a estrada – também aqui surpreendeu, deixando claras as distintas sensações (e pretensões) entre as carroçarias berlina e carrinha.

Face à atual realidade do mercado, com as empresas a desfrutar de isenções fiscais na aquisição de modelos eletrificados, este E-Tech poderá relançar comercialmente esta geração térmica do Mégane - quando está já em comercialização o novo e 100% eletrificado - seja pelos preços ajustados, seja pelo visual e conteúdos desta versão de semblante desportivo. A solução PHEV ajusta-se à maioria dos utilizadores, quer pela autonomia elétrica, quer pelos baixos consumos.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

RENAULT MÉGANE

E-Tech R.S Line

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1598 cc
Alimentação Injeção multiponto
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 91 cv/5600 rpm
Binário 144 Nm/3200 rpm
Motor elétrico
Tipo -
Potência 67 cv
Binário 205 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade da bateria 9,8 kWh
Módulo Híbrido
Potência 160 cv
Binário 280 Nm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática, multimodo
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,359/1,814/1,438 m
Distância entre eixos 2,67m
Mala 308-1200 litros
Depósito de combustível 39 litros
Pneus F 205/50 R17
Pneus T 205/50 R17
Peso 1599 kg
Relação peso/potência 10 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 175 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,4 s
Consumo médio 1,2 l/100 km
Emissões de CO2 28 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 137,14 €

Medições

RENAULT

Acelerações
0-50 km/h 3,9 s
0-100 / 130 km/h 9,6/15,5 s
0-400 / 0-1000 m 17,1/30,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,1 s
60-100 km/h (D) 5 s
80-120 km/h (D) 5,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,4/9,2 m
Consumos
Consumo médio 3,3 l/100km
Autonomia 700 km

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