Com 160 cv, a solução E-Tech da Renault pode ser menos potente face à maioria da concorrência, mas os baixos consumos e os cerca de 50 km de autonomia em modo elétrico vincam o pragmatismo da tecnologia híbrida Plug-In. E o visual R.S. Line confere ‘mais piada’ ao conjunto.

Para início de carreira entre – por agora cada vez mais obrigatórios – híbridos Plug-In que nascem sobre modelos já existentes, a Renault não caiu na tentação de usar como base uma potente motorização térmica sobrealimentada, como a maioria da concorrência. O que levanta a seguinte questão: será que a potência continua a ser bom argumento de vendas, mesmo em soluções que se querem económicas e ecológicas, e que deverão serão conduzidas com pezinhos de veludo para estender ao máximo a autonomia em modo puramente elétrico?
A Renault prefere fazer diferente: no Mégane E-Tech Plug-In Hybrid – versão que até há algum tempo estava disponível apenas na carrinha do modelo familiar compacto – unidade 1.6 atmosférica a gasolina de não mais que 91 cv associada a motor elétrico propulsor de 67 cv (existe um segundo motor elétrico mas que tem funções de arranque e de sincronização das relações da também peculiar transmissão multimodo, sem embraiagem e sem sincronizadores), para um máximo combinado de 160 cv e 280 Nm de binário.

A bateria (LG) de 7,5 kWh úteis foi colocada sob o piso da bagageira, aí roubando precioso espaço de carga que assim se fica por modestos 308 litros, tendo a Renault deixado local sob o piso para arrumar os cabos. O carregador de bordo aguenta um máximo de 3,7 kW (3 horas para carga total), sendo precisas 5 horas numa ligação doméstica a 2,3 kW.
Como será fácil entender, o Mégane E-Tech não tem prentensões desportivas, focando a razão de ser na máxima eficiência térmica, superior aproveitamento da energia elétrica e suavidade/silêncio de utilização. O ano passado, por altura do teste à carrinha, tecemos algumas críticas à atuação da eletrónica de controlo da caixa de velocidades, por manifestos hiatos na resposta ao acelerador que rompiam a desejada fluidez na condução. O certo é que a Renault tem realizado diversas atualizações de software que resultam, agora, numa condução muito mais despachada, contribuindo para – até agora desconhecida – vivacidade da dinâmica.

O Mégane E-Tech conta com três perfis de condução, ora forçando a deslocações apenas em modo elétrico até 135 km/h, havendo carga na bateria (Pure), ora possibilitando máxima performance (Sport), não faltando modo personalizável (My Sense) e ainda a possibilidade de resguardar ou regenerar até cerca de 50% da bateria (E-Save).
Não tivemos dificuldade em confirmar os cerca de 50 km de autonomia puramente elétrica, a que se seguiu um consumo médio pouco acima dos 3 l/100 km ao final dos primeiros 100 km realizados apenas com uma carga. Depois, rodando já em modo híbrido, vêm ao cimo as vantagens da motorização atmosférica, com o computador de bordo a informar médias em torno dos 5 litros aos 100 km – de referir a excelente capacidade regenerativa, a qual pode ser consultada no completo rol de informações oferecido pelo agora mais simplificado e intuitivo sistema multimédia Easy Link.

Não obstante o Mégane PHEV não seja um acelera, esta versão R.S. Line confere a dose certa de cunho dinâmico, seja pela pormenorizada imagem exterior, seja pelos equipamentos no interior. E com o E-Tech a adotar eixo traseiro multibraços, este Mégane consegue criar uma boa envolvente dinâmica, com direção consistente e tato fidedigno com a estrada – também aqui surpreendeu, deixando claras as distintas sensações (e pretensões) entre as carroçarias berlina e carrinha.
Face à atual realidade do mercado, com as empresas a desfrutar de isenções fiscais na aquisição de modelos eletrificados, este E-Tech poderá relançar comercialmente esta geração térmica do Mégane - quando está já em comercialização o novo e 100% eletrificado - seja pelos preços ajustados, seja pelo visual e conteúdos desta versão de semblante desportivo. A solução PHEV ajusta-se à maioria dos utilizadores, quer pela autonomia elétrica, quer pelos baixos consumos.