Enquanto o Diesel sobreviver, a BMW vai mostrando como um 6 cilindros a gasóleo agiliza as performances de desportivo ‘civilizado’. No 430d xDrive Coupé são 286 cv e 650 Nm distribuídos pelos dois eixos

A Europa já definiu 2035 como meta para o fim da comercialização de automóveis novos com motores a combustão. Mas nos últimos anos, os governos europeus têm concentrado ataques à tecnologia Diesel (porque os gases de NOx e as partículas emitidas pelos Diesel apresentam maiores riscos diretos para a saúde do que o CO2, este responsável pelo efeito de estufa), apesar de as mecânicas a gasóleo estarem cada vez mais limpas e eficientes, constituindo, por outro lado, uma das melhores soluções para quem necessite de autonomia alargada e percorra diariamente muitos quilómetros.

A tudo isto, a BMW soma ao Diesel forte identidade desportiva (ainda somos do tempo em que era heresia montar este tipo de motor em desportivos premium) recorrendo-se da sua arquitetura de 6 cilindros em linha e encaixando-a no requintado Série 4 Coupé.
No 430d Coupé, o 3 litros é sobrealimentado por dois turbos em série (geometria fixa para o de alta pressão e geometria variável para o de baixa) e pressão de injeção de 2700 bar, o que resulta em 286 cv e 650 Nm de força (em permanente labor entre as 1500 e as 2500 rpm), dominados por sistema de tração integral xDrive e caixa automática de 8 velocidades (a unidade em teste contava com a versão desportiva da transmissão, com patilhas no volante e função Launch Control para trocas ainda mais rápidas). O vinco da personalidade é extensível ao som da mecânica, de tom rouco e portentoso, que na unidade em teste surge aprimorado pelo Pack Desportivo M Pro (2480 €) que acrescenta sonoridade desportiva no habitáculo através do sistema áudio (selecionado o modo de condução Sport), spoiler traseiro, sistema de travagem com discos de maiores dimensões (identificado pelas pinças azuis), sistema de som hi-fi, cintos com as cores da M, a já referida caixa automática desportiva e modo de condução Sprint, em que a eletrónica otimiza todo o conjunto para a máxima performance.

Mais do que os valores anunciados para potência e binário, são as sensações que vincam a diferença, com lestas acelerações e recuperações: no arranque impressiona o trabalho da motricidade (só 1,8 s de 0 a 50 km/h) com a rápida desmultiplicação da caixa de velocidades, ficando a noção de aproveitamento total das capacidades do motor e da aderência à estrada. As recuperações (quase ao nível de um rápido carro elétrico!) são reflexo do elevado valor de binário e também da interpretação da caixa face às preces do condutor – o ligeiro atraso na resposta ao acelerador para encher o turbo acaba por criar um efeito catapulta empolgante.
O Série 4 lida com tudo isto com a necessária dose de envolvimento desportivo, em particular na definição da unidade testada, com os opcionais amortecimento variável e jantes de 19’’, sem comprometer o conforto, a serenidade e a qualidade de rolamento que se espera de um Coupé deste gabarito. Mas se o condutor assim o desejar, desligando a eletrónica de apoio à condução, o sistema de tração integral trata de enviar mais potência para o eixo traseiro, libertando um pouco a direcionalidade das rodas da frente e trazendo acréscimo de agilidade em traçados e curvas mais fechadas.

Depois, o Série 4 é muito mais do que apenas motor e dinamismo, com o interior a oferecer a necessária dose de envolvência, elevadíssima qualidade geral e excelente interação com o condutor através das várias tecnologias e apoios digitais que vincam o estatuto premium.
De identidade própria e não apenas o Coupé do Série 3, o Série 4 impressiona pelos elevados níveis de qualidade geral, conforto e atenção ao detalhe, sem esquecer tudo o que esteja intimamente ligado à condução. Esta poderosa motorização Diesel contribui para a elevação do estatuto, com performances impactantes, consumos contidos (tecnologia MHEV ajuda) e ótimo aproveitamento dinâmico através da tração integral e da impetuosa caixa automática.