Tesla Model Y Long Range

Teoria da inspiração

TESTE

Por João Ouro 04-09-2022 09:15

Fotos: Gonçalo Martins

A frase é do novo CEO da Alfa Romeo, Jean-Philippe Imparato: «eu vendo Alfa Romeo e não um iPad com um carro à volta». A insinuação é óbvia e a Tesla é, certamente, uma das marcas visadas, uma vez que no interior dos seus automóveis tudo se centra à volta do grande monitor no topo do tablier. É ali que tudo se controla e regista, sendo possível aceder às funções de climatização, navegação e entretenimento.

A exceção reside nos dois botões redondinhos do volante, que também o ajustam na vertical e em alcance e que servem ainda para ajustar os retrovisores. Tudo é gerido a partir desse tablet de 15’’, onde surgem as informações da velocidade e da autonomia, sem que haja qualquer visor à frente do condutor. A ilustração gráfica é atrativa e as instruções da navegação são fáceis de seguir, assim como a perceção do ambiente rodoviário, que é constantemente monitorizado no ecrã.

O piloto automático também é ativado aí, atuando à risca e com autoridade, embora a ação não seja tão diferente da de outros dispositivos de outras marcas. Depois de se desobedecer às ordens de manter as mãos no volante, o sistema desativa-se, só consentindo de novo a interação se se voltar a desligar/ligar o carro. Outra voltinha, outra corrida! Já lá vamos. Interessa dizer que há ajustes que são possíveis de fazer a partir da app, existindo alguns up-grade de potência e de bateria (75 kWh), cuja reserva é possível de ampliar à la carte. Um mundo novo, diz-se! Insólita é a bizarra emissão de sons a imitar gases flatulentos (sim, desses!), existindo um modo em que isso sucede ao ligar-se o pisca. Sempre se poderá parar para tomar um chá, o que é mais aristocrata. O toque da buzina também pode ser se guido pela lacucaracha ou pelo ohohoh do Pai Natal. Tudo é possível. Mas é depois mais estranho que a projeção de dados no para-brisas à frente do condutor (tipo head-up display) seja algo que a Tesla não usa.

O interior é minimalista e o único botão é o dos quatro piscas, existindo teclas de comando elétrico para os vidros e para os bancos, além de um pequeno interruptor que abre as portas por dentro. Por fora basta passar o cartão- chave no pilar das portas para o trancar/destrancar, enquanto os puxadores são retráteis. A atmosfera é parecida à do Model 3, mas a conceção SUV permitiu ganhar muitos centímetros, em especial nos lugares atrás, cujos encostos rebatem eletricamente.

A mala é enorme, mas não tem chapeleira, embora esteja oculta por óculo e vidros escurecidos. Nada se vê a partir de fora e ainda bem que é assim. Projetado para ser mais prático – disso não restam dúvidas – há algo que os ocupantes talvez possam não gostar, sendo isso mais sentido atrás. Quando se alivia o pedal do acelerador há um efeito travão acentuado (recuperando-se assim mais energia), impossível de contornar, embora a sensibilidade do pedal pode ser treinada e o efeito mais útil em cidade. Por outro lado, se se gostar de emoções fortes, então, nada como testar a capacidade de aceleração à bruta. Numa única palavra: imparável! É mediada às quatro rodas, tendo em conta que existe um motor elétrico por cada eixo, numa potência combinada que atinge 351 cv (256 cv à frente e 200 cv atrás). Apesar das duas toneladas, a saída é fulgurante, sentindo-se a pressão no corpo. Para quê o modo desportivo? Não, não é preciso, existindo basicamente o Relaxado e o Normal. E basta. Já a direção tem assistência gradual (Conforto, Normal e Desportivo), mas a configuração desportiva só lhe atribui mais peso, não garantindo maior precisão. E é pena. Em curva há poucos balanços e o centro de gravidade é baixo, inspirando confiança mesmo quando se exagera, revelando aí mais saídas da frente do que o contrário.

O conforto é elevado em bom piso e a insonorização ótima (vidros duplos à frente ajudam), mas são evidentes as reações secas da suspensão em mau piso (jantes de 20’’ e pneus Michelin Sport EV 255/40). Mais: nas estradas irregulares há ruídos indesejáveis à retaguarda e junto dos bancos, o que é indesculpável num modelo desta classe.

A autonomia coloca-se perto dos 500 km (média comum entre 470 e 494 km), fazendo jus à própria designação Long Range (grande autonomia) e à eficiência da versão. O consumo atinge médias desde 17 kWh/100 km e até 20 kWh/100 km. Não parece nada exagerado. Está prevista a chegada da versão Performance no próximo ano (480 cv, desde 71.000 €) e haverá uma versão só com um motor atrás.

A Tesla diz que projetou o Model Y a partir do zero, embora a base seja igual à da do Model 3, agora com dimensões ampliadas e maior altura ao solo (16,7 cm). É um SUV compacto e familiar (espaço não falta!) que recorre às usuais tecnologias de ponta que caracterizam o ADN da marca. E pode melhorar com o tempo, graças às frequentes atualizações de software. Nota mais para as prestações e o arranque brutal, assim como para a autonomia e o consumo médio.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

TESLA Model

Y Long Range

Motor
Tipo Elétricos, 1 por eixo
Potência 258 kW/351 cv
Binário -
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 75 kWh
Tempo de carga (0-80%) 8,6 h a 11 kW; 12,7 h a 7,4 kW
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12,1 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,751/1,921/1,624 m
Distância entre eixos 2,89m
Mala 854 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 9,5jx19-255/45 R19
Pneus T 9,5jx19-255/45 R19
Peso 2003 kg
Relação peso/potência 5,7 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 217 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,1 s
Consumo médio 16,8 kWh/100 km
Autonomia 507
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Bateria -
Imposto de circulação (IUC) -

Medições

TESLA

Acelerações
0-50 km/h -
0-100 / 130 km/h -
0-400 / 0-1000 m -
Recuperações
40-80 km/h 3.ª s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª s
Travagem
100-0/50-0km/h -
Consumos
Consumo médio kWh/100km
Autonomia -

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