A transição energética está a acelerar de forma visível e os modelos híbridos Plug-In avançam nesse sentido com argumentos técnicos bastante válidos. Propõem baixos consumos, menores emissões e prestações tão fortes ou acima das dos demais. Exame à carrinha 520e para aferir se isso é assim ou não...
O melhor de dois mundos da mobilidade sustentável em automóvel é o conceito associado aos híbridos de carga externa Plug-In. A ideia consiste numa utilização do veículo 100% elétrica nos trajetos quotidianos curtos, do tipo pêndulo (casa-trabalho-casa), e em viagens mais longas não depender da capacidade, ainda limitada, das baterias que alimentam os motores elétricos e do tempo de carregamento, também demorado, daquelas. Uma espécie de tudo em um, reduzindo emissões e poupando combustível.

No BMW 520e Touring esses pressupostos estão todos lá, mesmo que não seja fácil escrutinar todos os consumos possíveis, devido às várias estratégias aplicáveis e aos vários modos de gestão híbrida. Os consumos dependerão da utilização do veículo e da condução praticada, mas também daquelas escolhas por quem está ao volante.
O modo 100% elétrico (tecla Electric na consola, se se pretender forçar) permitirá um intervalo autónomo de 38 km a 47 km, média que não será difícil de atingir, bastando não pressionar demasiado o pedal do acelerador. Fizemo-lo sem dificuldade, mas sem pressas, até 140 km/h. O consumo situar-se-á entre 21 e 23 kWh/100 km.
Quando a carga das baterias se esgota (11,2 kWh úteis), o sistema passa para modo híbrido, o qual gere a intervenção do motor térmico e o apoio da unidade elétrica, neste caso com as baterias a recuperarem energia a partir das desacelerações e das travagens. O motor turbo de 4 cilindros pode desligar-se momentaneamente e a função coasting (de velejar) da transmissão automática é outro dos trunfos técnicos, pelo que os consumos quase nunca atingem valores exagerados, ao mesmo tempo que a baixa velocidade (no pára-arranca e nas manobras) a locomoção é de novo elétrica. Tudo isto se passa de forma automática e com enorme suavidade, sem que o condutor dê conta, embora se possa ver a cada momento o fluxo de energia no monitor de 12,3’’.

Se se utilizar apenas o motor a gasolina de 163 cv, aí já os consumos são diferentes e talvez seja melhor contar com médias entre 9 e 10 litros/100 km. Mas insista-se: esse débito varia imenso, existindo ainda o programa Battery Control no qual o motor térmico pode carregar as baterias até à percentagem definida pelo condutor. E como se percebe, o gasto de combustível também aumenta.
De uma maneira geral, ao fim de 100 quilómetros é possível obter a média de 4,5 l/100 km (gasolina), às vezes menos, a que se soma 10,2 kWh/100 km, e isto num percurso que aponta para cerca de 70 km de ação elétrica. É o que se assinala nos gráficos do ecrã de bordo (muito completo), indicando todos os dados das viagens, desde o início do percurso, a partir do momento do abastecimento ou do carregamento.
É evidente que o ideal para se ter este tipo de consumo é recorrer por regra às recargas domésticas e a tarifas bi-horárias, sem exclusão dos postos públicos mais acessíveis, embora não seja possível abastecer a mais de 3,7 kWh, uma vez que é esse o limite do carregador de bordo. O pack de baterias está instalado sob a bagageira (posição central-traseira) e a capacidade baixou 130 litros (de 560 l para 430 litros), embora a área seja ampla e funcional, tendo um alçapão e estrado divisório. A bolsa do cabo doméstico está fixa e é prática de usar, o que nem sempre acontece.

A matriz deste 520e respeita toda a genética do atualizado Série 5, com inegáveis qualidades ao nível da condução, as quais se expressam de imediato através do excelente tato da direção e da confiança que gera em todas as ocasiões, inclusive a curvar, apesar do tamanho. As acelerações e as recuperações são rápidas, mesmo que não se esteja na presença de uma carrinha desportiva, embora seja possível guiá-la com ímpeto e a grande velocidade, sem queixa por parte do chassis, assim como das suspensões e dos pneus (Continental EcoContact6), estes virados para o conforto. Tudo afinado e a merecer elogios, a que acresce a tal suavidade e o baixo ruído da mecânica híbrida, numa transição que está a acontecer.
Este 520e Touring permite uma circulação 100% elétrica até aos 40-47 km, tratando-se de uma proposta a ter em conta face aos diabolizados Diesel (a versão 520d é mais acessível cerca de 1500 € no preço-base). A tecnologia híbrida Plug-In reflete ótimas prestações e os consumos são baixos, embora tudo dependa do condutor, mediante a seleção dos modos disponíveis e da gestão híbrida. O conforto é elevado e a condução eficaz. É tudo tão suave que... impressiona!