Desde o lançamento da 1.ª geração do Jazz (fez 20 anos!), a Honda vendeu oito milhões de unidades do utilitário em todo o mundo – mais de 20 mil só no nosso país –, pelo que se percebe facilmente a importância deste automóvel para o fabricante japonês, que tudo faz para o manter afinado contra a concorrência direta, em constante frenesim e renovação, seja com atualizações ligeiras da imagem e muito pontuais upgrades de conteúdos, ou através do lançamento de edições especiais. Como esta nova série, Black Edition, com visual e acabamentos exclusivos.

Como a própria denominação da versão denuncia, esta inclui pacote de personalização exterior da carroçaria com maioria dos elementos a negro. A Honda estende-o às capas dos retrovisores, à pintura do tejadilho (pode ser cinzento nas cores escuras, Midnight Blue Beam e Crystal Black) e às jantes específicas de 15 polegadas. A edição conta ainda com um porta-chaves e um badge traseiro exclusivo. Mas, enquanto especial, este Black Edition... sabe a pouco. Pois além do visual específico exterior, esperava-se reforço mais significativo de equipamento com ofertas específicas e direcionadas, talvez, para clientes jovens (versão melhorada do sistema de som, por exemplo), normalmente mais recetivos a este tipo de versões com decoração de cunho desportivo. A instrumentação também não muda, exibida num ecrã digital de sete polegadas, enquanto o sistema de infoentretenimento é projetado num monitor tátil de nove polegadas.

Sob o capot, está o 1,5 litros com hibridização (combina motor de quatro cilindros a gasolina e outro elétrico com uma bateria de muito pequena capacidade a alimentá-lo e ainda um motor/gerador), para uma potência combinada de 109 cv e um binário de 253 Nm, aproveitáveis em três modos operativos, totalmente automáticos, durante a condução: EV Drive (100% elétrico, ativado por defeito no arranque e a baixa solicitação de energia ao motor térmico), Hybrid Drive (unidades gasolina/elétrica em comunhão de esforços, quando a exigência de potência aumenta) e Engine Drive (configuração mais eficiente a velocidades mais altas, quase exclusiva com motor de combustão, em que o elétrico só pontualmente intervém).
Nos trajetos urbanos, o sistema privilegia os modos EV Drive e Hybrid Drive; o modo Engine Drive está projetado para velocidades mais elevadas, ajudado por um pico de potência do motor elétrico para uma aceleração mais rápida. Combinando-os, consumo médio de 4 litros/100 km, sem se ‘arrastar’ em nenhum tipo de percurso.

Atualmente, na 4.ª geração (lançada em 2020), o Jazz continua a surpreender pelo habitáculo extraordinariamente amplo para um automóvel com menos de quatro metros de comprimento – nos lugares traseiros, por exemplo, a distância para os encostos da frente chega aos 75 centímetros, equiparável a um modelo familiar dois segmentos mais acima. Depois, elogios também à capacidade da bagageira (304 litros), mas mais ao conjunto de possibilidades de aproveitamento do espaço face aos esquemas de rebatimento dos bancos traseiros, os quais rebatem totalmente (divisão 60:40, com o piso de carga a ficar totalmente plano, oferecendo bagageira com volumetria de 1205 litros) e os assentos também podem ser fixados na vertical aos encostos, de modo a transportar objetos de maior altura. O encosto do passageiro da frente também pode ser totalmente reclinado de forma a criar uma espécie de sofá-cama, sendo apenas necessário retirar o apoio de cabeça para o encaixar à base dos assentos traseiros.
Resumindo, o conforto, a robustez e o bom comportamento do motor a gasolina com hibridização (que podia ser menos audível não fosse o arrasto causado pelo funcionamento da caixa automática e-CVT de velocidade única) são trunfos do Jazz, que continua a ombrear sem desafinar com as melhores referências da categoria. Há margem para progredir na qualidade dos materiais que compõem o interior com muitos plásticos rijos e é ‘curta’ a dotação de série (falta navegação e câmara traseira, por exemplo) para o preço de versão especial: 29.250 euros – valor chave na mão.