A prioridade à eletrificação do automóvel não obrigou a marca de Munique a colocar de lado a produção de desportivos com mecânicas de combustão interna poderosas! Prova-o este compacto com mecânica de 6 cilindros, 3 litros e 374 cv...

A expressão no título, curiosamente de origem desconhecida, utiliza-se para descrever «atitudes que originam discussões ou mudanças, alimentam discussões e representam reações contra a situação dominante, por isso anticonformistas»! A BMW participa, de forma ativa, na corrida à eletrificação do automóvel determinada por regras europeias de proteção ambiental cada vez mais restritivas e que obrigam à mudança (rápida) de paradigma, dos motores térmicos para os elétricos. No entanto, Munique (ainda?) não renunciou à produção de desportivos, nem planeia fazê-lo, como demonstra a compra da Alpina, empresa criada em 1965 e especializada, precisamente, na preparação de carros da marca.

A intenção (leia-se determinação!) da BMW percebe-se nesta 2.ª geração do Série 2 Coupé que adota a arquitetura técnica de Série 3 e Série 4 em vez da plataforma de tração dianteira de outras variantes da gama de compactos, vide Active Tourer novo! Por isso o G42 sucessor do F22 de 2014 mantém a repartição equitativa do peso pelos eixos e partilha muitos componentes com o G20 e o G22. Na versão M240i, com motor de 6 cilindros em linha e 3 litros muito potente (374 cv), recurso ao sistema xDrive de quatro rodas motrizes.
Fabricado em San Luis Potosí, no México, o Série 2 Coupé cumpriu processo de desenvolvimento que teve como objetivo a otimização da dimensão desportiva, desde logo por contar com chassis que é muito mais rígido do que o antecessor, progresso com impacto tanto no conforto como na dinâmica. No caso da versão de topo M240i, a segunda sobrepõe-se ao primeiro, registando-se o mesmo nos outros dois carros na gama (220i com 184 cv e 220d com 190 cv), embora de forma menos expressiva e impressiva. Complementarmente, o plano de engenharia incluiu aumento da largura da via traseira e otimização do pacote aerodinâmico, de forma a conseguir-se até 50% de redução das forças ascensionais que pressionam a frente do BMW.

Mas, acelerador! Primeira conclusão: este carro conduz-se nas pontas dos dedos – até nos limites da aderência, ao primeiro sinal de fuga da traseira, reação que corrigimos, com a entrada em cena do autoblocante mecânico comandado eletronicamente e doseando acelerador e direção. Conduzindo-se sem pressas, a tração xDrive privilegia o eixo traseiro, o que beneficia as sensações desportivas e liberta a direção de tensões nas rodas dianteiras. O sistema tem assistência elétrica e desmultiplicação variável e funciona com rapidez e precisão, por isso cumprindo (bem!) a sua missão.
O M240i Coupé, de série ou opcionalmente, tem mais recursos técnicos importantes. Os travões, por exemplo, são os M Sport com pinças fixas, para mais potência e resistência à fadiga – a capacidade do sistema mede-se (ver registos do 100-0 e 50-0 km/h na ficha técnica). A suspensão adaptativa inclui amortecimento variável, o que permite regular o nível de firmeza em função da condução e do piso. Assim, BMW duro (e desconfortável) só em superfícies degradadas. E o baixo perfil dos pneus (mais largos no eixo traseiro) contribui tanto para esta impressão como para a aderência incrível do compacto.

Até ao lançamento de M2, M240i (374 cv) contra Audi RS 3 com 400 cv e Mercedes-AMG A 45 S (421 cv.). Esta competição, no papel, parece-nos desigual, mas a verdade é que o BMW rivaliza com os adversários alemães quer no comportamento dinâmico, quer nas performances. A explicação para o primeiro encontra-se nas aptidões atléticas do chassis. Já o nível das segundas deve-se à capacidade incrível do motor de 6 cilindros e 3 litros, com injeção direta e sobrealimentação biturbo. Esta mecânica rende 374 cv e disponibiliza 500 Nm numa faixa ampla de regimes, razão na origem da resposta imediata ao acelerador.
A caixa automática de 8 velocidades aproveita, exemplarmente, o rendimento elevado do motor. No M240i Coupé, a BMW montou variante Sport da Steptronic, que tem a particularidade de beneficiar de patilhas na coluna da direção, próximo ao volante, para comando manual-sequencial que também valoriza a experiência de condução desportiva, além de função Launch Control para acelerações diabólicas e programa Sprint que mete a relação mais baixa possível, em função do regime de funcionamento do motor (para protegê-lo...), pressionando a patilha esquerda durante 2 s!

No M240i Coupé, modos de condução para reconfiguração do chassis e da mecânica. Este sistema ativa-se em comandos específicos na consola entre os bancos dianteiros ou no monitor do programa multimédia e regula a resposta do motor ao acelerador, o funcionamento da caixa, a firmeza do amortecimento, o nível de intrusão do controlo de estabilidade, etc.! Existem seis alternativas: Sport Plus ou Sport, Comfort, Eco Pro, Adaptative e Individual. No penúltimo, o BMW, de forma automática, adapta-se à situação da condução. No antepenúltimo, a configuração ativa privilegia a economia de combustível.

Finalmente, o Série 2 Coupé novo mantém limitações do antecessor, caso do acesso (difícil) aos lugares traseiros, zona do interior em que os ocupantes não encontram liberdade de movimentos, com espaço reduzido para pernas – e o modelo, da geração 1 para a 2, até ganhou comprimento, largura e altura. E igual é, ainda, o volume da mala: 350 litros. Neste caso, o acesso tornou-se 35 mm mais baixo, o que simplifica a utilização de compartimento que ganha volume com o rebatimento dos bancos.
Repetimo-lo: a condução do novo BMW M240i Coupé, explorando-se os limites do chassis e da mecânica a gasolina, é inebriante, excitante, explosiva – logo, muito, muitíssimo divertida! E desfruta-se de forma plena, por sentarmo-nos numa posição baixa, num banco com desenho desportivo (pressupõe apoio de cabeça integrado e, sobretudo, suportes laterais excecionais). Felizmente, nem a marca da hélice, nem as rivais, desistiram (ainda) dos compactos eletrizantes.