Entre a mal augurada extinção da combustão e a inevitável eletrificação automóvel há um estádio intermédio, por ora, sem discussão, espécie de melhor de dois mundos, os híbridos Plug-In com autonomia alargada. E que este Mercedes Classe S leva aos píncaros da excelência da sofisticação.
Apontada como inevitável, num futuro mais ou mais breve, a total eletrificação do automóvel, na Mercedes, poderá representar o fim das tradicionais Classes. No Classe S significaria a extinção daquele que, ao longo de várias gerações, foi considerado, mais ou menos unanimemente, o melhor carro do mundo, pináculo da mobilidade no luxo. A marca da estrela já tem comparável elétrico à berlina topo de gama luxo, com denominação com prefixo EQ alusiva aos modelos livres de emissões de escape no construtor alemão – EQS.

Enquanto essa espécie de globalização BEV (dos veículos exclusivamente a bateria ou Battery Electric Vehicles) não chega, os híbridos Plug-In (PHEV) encarregam-se de proporcionar as benfeitorias da eletrificação do automóvel, aliviando-nos dos constrangimentos na utilização dos primeiros, os puros. Se se quiser, permitindo circular, ora apenas a bateria, ora num misto entre as energias geradas por dois motores, elétrico e de combustão – ou até, à falta de carga, apenas só deste último. Evita-se ficar parado na estrada, sem energia, ou ter de esperar (por vezes) muito no posto de carregamento. O melhor de dois mundos, o de combustão e o elétrico, ainda que a ideia por trás da tecnologia seja a máxima eficiência, consumindo eletricidade o mais possível para poupar o ambiente e na carteira.
Na Mercedes, o Classe S 580 e é o mais recente produto da tecnologia PHEV. Associa um motor a gasolina de seis cilindros potente a uma unidade elétrica que acrescenta ainda maior rendimento, elevando-o a valores cimeiros em automóveis com características estradistas. Na berlina de 5,3 metros de comprimento (na variante Longa) e quase 2,4 toneladas com potente três litros, turbo, a debitar 367 cv e 500 Nm, e motor elétrico de 150 cv (110 kW) e 480 Nm, num total de 510 cv e 750 Nm. Em conjunto, as duas mecânicas de diferentes fontes de alimentação garantem compatibilidade entre altas performances e eficiência com consumo e emissões poluentes baixos – ou mesmo nenhuns. Desempenho no auge do funcionamento híbrido, em que o motor elétrico assegura aproximadamente 100 quilómetros sem consumo de combustível e livres de gases de escape – a Mercedes anuncia 113 km em média em ciclo urbano WLTP, apenas com dispêndio de energia proveniente da bateria de iões de lítio de 28,6 kWh de capacidade – e até à velocidade máxima limitada a 140 km/h.

Apesar de ser possível percorrer uma centena de quilómetros com consumo zero, o registo homologado é de 0,6 litros/100 km. A partir daquela distância ou excedendo 140 km/h, o sistema garante uma reserva de carga (não permite que a carga esgote) e apesar da eficiência da hibridação ser muitíssimo inferior, é possível manter o consumo médio de gasolina em redor dos 9 l/100 km, em condições normalizadas de utilização do veículo. Todavia, é a possibilidade de recarregar a bateria através de fonte externa de eletricidade que permite retirar o máximo proveito da tecnologia híbrida. A operação diverge entre mínimos 20 minutos (de 0-80% da capacidade do componente) e máximo de quase 15 horas, respetivamente, num posto público de carga rápida (60 kW) ou em tomada doméstica comum (2,3 kW).
No mais, o Mercedes S 580e é um sofisticadíssimo automóvel, que fascina desde o rolamento extremamente confortável e a extraordinária insonorização, passando pela estabilidade a toda a prova, até às performances arrebatadoras e o muito baixo consumo para o seu gabarito.

A suspensão tem amortecimento pneumático como mais-valia, com afinação automática ou autorizando-a pelo condutor. Conforto sublime e dinâmica eficaz, em que são restringidas ao mínimo as oscilações da carroçaria em curva sem beliscar a filtragem fina das irregularidades do piso, preservando elevadíssima suavidade de rolamento.
E não são só os passageiros, principalmente os que se acomodam como lordes no banco de trás, a beneficiarem do prazenteiro acolhimento, mas também ao condutor (em muitos casos, ao motorista) são oferecidas todas as mordomias para que cumpra a tarefa a bel-prazer: mais veloz ou lentamente; com acutilância ou tranquilidade, mas sempre com conforto e estabilidade máximos. Outra virtude na direção, por ser veio de comunicação direto e preciso entre as rodas e os movimentos do volante, e nível de assistência adaptado à velocidade.

Qualidades muitas, envoltas num ambiente de superluxo e inúmeros equipamentos com tecnologia de vanguarda, ainda que bastantes tenham de ser requeridos da farta lista de opcionais. Por tudo isso, e mais alguma coisa, a condução deste Classe S PHEV é uma experiência sensorial.
A Mercedes-Benz posiciona-se no zénite dos híbridos Plug-In com a sua berlina de luxo. Dotando-a com motorização mais potente e eficiente do que os seus principais concorrentes de mercado, debitando 510 cv e permitindo cerca de 100 km de autonomia elétrica. Audi A8 60 TFSI e (449 cv), BMW 745 e (394 cv) e Porsche Panamera 4 E-Hybrid (462 cv) ficam-lhe todos pelos calcanhares nas performances e no modo livre de consumo de combustível e de emissões. Estaremos perante a referência dos automóveis PHEV também em tecnologia, requinte e luxo a bordo, e umas das maiores no conforto proporcionado aos seus ocupantes. Qualquer viagem torna-se demasiado curta neste Classe S.