Houve quem duvidasse do mérito da decisão da BMW de produzir um monovolume compacto na gama Série 2, pioneiro da tração dianteira no construtor alemão, concebido em duas versões, Active e Gran Tourer, a última diferenciando-se da primeira por dispor de sete lugares. O MPV de cinco lugares foi lançado em 2014, um ano antes do seu gémeo de superior lotação. Automóvel familiar de talentos indiscutíveis no aproveitamento do espaço em carroçaria de dimensões contidas, apenas não terá gerado consensualidade no design, e prejudicado ainda pela perda de popularidade dos monovolumes em favor dos SUV emergentes. A sua modernização em 2018 revitalizou-o, especialmente na imagem, mas nada que se compare ao gigante salto qualitativo, design incluído, com a segunda geração, que começou a ser produzida em 2021.

O novo Série 2 Active Tourer mantém a plataforma do antecessor (UKL2 compatível com versões de tração dianteira e integral), com suspensões aprimoradas, e gama de motorizações remodelada, em que se destacam dois híbridos Plug-In (225e xDrive e 230e xDrive) com muito extensa autonomia elétrica, devido à bateria de capacidade aumentada. A motorização menos potente (225e xDrive) é o mais recente produto de três evoluções desde 2016 (ainda na geração anterior do modelo) e combina motor a gasolina de 3 cilindros, 1,5 litros, com injeção mista direta e indireta, sobrealimentado por turbo twin scroll e debita 126 cv e 230 Nm. Esta mecânica produz energia para acionar o eixo dianteiro e pode dispor de auxílio de um motor elétrico de 109 cv e 247 Nm, instalado sobre o eixo traseiro e encarregue de o movimentar. Devido a esta associação têm-se tração integral em condições de condução que desta se necessite e um rendimento total combinado de 245 cv. Com todo este músculo, bem suplementado, e com o beneplácito de competente caixa automática de sete velocidade e dupla embraiagem, estão garantidas performances muito interessantes para compacto familiar, como se afere da aceleração de 0-100 km/h cumprida em tão-só 6,7 segundos.

No entanto, não menos virtuosas são as mais-valias desta motorização Plug-In alcançadas com o acréscimo de capacidade útil da bateria que alimenta o motor elétrico, de 8,8 kWh para 14,2 kWh. Substancial desenvolvimento que permite cerca de 80 km de autonomia – real, constatada neste teste – em modo elétrico, contra pouco mais de 50 km da versão comparável da geração anterior do modelo. Assim, ganhos ótimos em economia de combustível, com o consumo médio aferido neste teste, com a bateria carregada e em ciclo misto, a rondar os 2 litros/100 km. A que se chega após rodar 80 km exclusivamente em modo elétrico e 20 km a consumir cerca de 9 l/100 km.
Na estrada, o novo Série 2 Active Tourer é um automóvel mais dinâmico, preservando níveis bastante satisfatórios de conforto. A suspensão foi revista, mas continua a tender mais para a firmeza do que para a brandura, filtra corretamente as irregularidades do piso e restringe as oscilações da carroçaria em curva.

O habitáculo foi totalmente modernizado, mas sem alterações sensíveis nas cotas de habitabilidade e na volumetria da bagageira, porque ambas já eram… generosas. Os lugares traseiros dispõem de 73 cm para as pernas, 2 cm a mais do que antes – bastante! – e movimentam-se 13 cm longitudinalmente e os encostos reclinam-se em várias posições. Por outro lado, apesar de a largura entre portas também ter aumentado, ainda é insuficiente para transportar, em conforto, três adultos. Não tanto pelo espaço, mas porque quem for no lugar do meio sofrerá de incómodo pelo encosto, duro e estreito, do banco, e no posicionamento das pernas devido ao túnel de transmissão intrusivo (no piso). Em altura, ao invés, não há constrangimentos.
O que muda, radicalmente, é a aparência do painel de bordo. A BMW apresenta a tendência dos seus últimos modelos ao eliminar a maioria dos botões e outros controlos em favor da digitalização em dois grandes ecrãs, a partir das quais a maioria das funções do veículo são comandadas e observadas. Um destina-se à instrumentação (de 10,25 polegadas) e o outro ao sistema multimédia (de 10,7’’), ambos com ecrã de alta resolução e sofisticado sistema operacional, com grafismos modernos e informações completíssimas e bem legíveis.

Além do design meritoriamente remodelado do tablier, elogie-se ainda, entre os bancos dianteiros, a nova consola flutuante, agregando o seletor da caixa de velocidades (automática), minimalista, e vários botões para controlo de diversas funcionalidades do veículo, também todos revistos e aperfeiçoados.
A bagageira tem razoáveis 406 litros de volumetria é utilmente aproveitável e fácil de carregar, uma vez que a boca de carga fica a altura acessível (67 cm) do solo e o compartimento tem formas interiores regulares, existindo espaços para pequenos arrumos nas faces laterais e vários ganchos metálicos para fixação de redes de apoio. O portão tem acionamento automático.
Compacto espaçoso, dinâmico e confortável, otimamente construído para o segmento e abundante em tecnologia (logo se invista em longa e rica lista de opcionais), ganha ainda mais talento com motorização Plug-In de elevada eficiência, potente e económica, pelos préstimos de uma associação de mecânicas, térmica e elétrica, de alto rendimento e a segunda alimentada por bateria de generosa capacidade para cerca de 80 quilómetros sem consumo de combustível.