Surpreendidos pela eficácia, leveza e agilidade da Honda CBR 1000RR Fireblade, voltamos à pista de Portimão com a aguerrida SP1, versão dotada de periféricos mais refinados, da suspensão semi-ativa Öhlins à travagem Brembo, passando por mapas de motor específicos e ‘quick-shifter’ de série. Equipamentos que exponenciam prazer desportivo da superbike nipónica, em importância que se prolonga na estrada, reforçando valores de conforto e segurança.
No circuito algarvio, palco de eleição para a SP1, nota inicial para o acréscimo de maneabilidade e bem-estar a bordo, proporcionado pelo banco mais baixo (12 mm), contributo ainda para melhor centralização de massas, e ângulo da coluna de direção ligeiramente mais fechado (0,2 º). Além, claro está, do peso mais reduzido e dos Bridgestone V02, pneus de competição de alta performance mas de fácil utilização para os menos experientes em pista, e que, para a ocasião, substituíram os RS10 montados de origem, homologados para uso em estrada mas de grande eficácia em circuito.
Condições ideais para explorar a fundo uma moto que mais parece uma ligeira ‘seiscentos’ tonificada do que verdadeira Superbike, pronta para correr no Mundial. Ou pelo menos, sem muitas alterações, no Nacional de Velocidade!
Motor
As mudanças à versão standard começam por ‘dentro’, com centralina que torna o motor mais cheio e viçoso mas, ao mesmo tempo e de forma quase paradoxal, mais redondo e fácil de ‘espremer’. Comportamento exemplar desde os mais baixos regimes, com o ‘quatro-em-linha’ a responder prontamente às ordens do acelerador eletrónico ganhando alma enorme nas médias rotações. Altura em que a nova válvula de escape prepara o ‘condutor-candidato-a-piloto’ para o acréscimo de vivacidade existente para lá das 10.000 rpm sublinhado por excitante som de estridência metálica.
Capacidade de alongamento que até faz esquecer a bem escalonada caixa de velocidades, de acionamento assistido eletronicamente (‘quick-shifter’) e que, inclusive, permite regular a dureza do seletor, acompanhado de embraiagem suave e deslizante, limando os exageros que o travão-motor regulável possa deixar passar para o asfalto.
Dinâmica
Aqui chegados – e por vezes bem depressa! – tempo para aferir comportamento da 2.ª geração das Smart EC, suspensões semi-ativas desenvolvidas em conjunto com a Öhlins ao longos dos últimos três anos, oferecedores de gama de afinações praticamente interminável. Trunfo gigantesco que dá possibilidade de ajustar cada parâmetro de forma individual, permitindo alterar os valores para o momento da travagem, de entrada em curva, em inclinação ou aceleração na saída da viragem, de uma forma geral ou ao pormenor.
Enorme leque de opções que levou a especialista sueca a criar inovadora solução de afinação, com amortecimento à medida de cada condutor através do Objectiv Based Tuning Inter. Que, grosso modo, assenta em três modos automáticos para pista, condução desportiva em estrada ou privilegiando a segurança e conforto, além de três modos ‘manuais’ que permitem adaptar instantaneamente a moto ao tipo de pilotagem, ao estado da pista ou aos pneus montados.
A fundo, em Portimão!
Regulação fácil a partir de botão colocado junto ao punho esquerdo e controlada no completo painel TFT, com resultados bem sensíveis, ‘aveludando’ alguns dos ressaltos existentes no asfalto do Autódromo Internacional do Algarve. Ajustes que, a cada paragem na box e com ajuda de Freddie Spencer e Steve Plater, aumentaram a precisão em curva e estabilidade na travagem, garantindo ainda maior tração em aceleração.
Se a questão se prende com exagerado afundamento à entrada de curva, a resposta é simples e passa pelo ‘endurecimento’ (num dos 5 níveis) da área Brake, enquanto para conseguir mais rigidez em inclinação basta alterar os parâmetros em Corner. O mesmo sucede à saída de curva, com mudanças (de -5 a +5) em Acceleration ou, de forma mais genérica e completa, em General.
Simplicidade rumo a notório aumento de eficácia que permitiu melhoria sensível de tempos por volta no traçado algarvio em moto que jamais se mostrou bruta ou difícil de pilotar, antes disfarçando a má forma física graças à leveza de movimentos e grande maneabilidade nas curvas mais lentas – onde a potência e feeling da travagem com pinças Brembo radiais e monobloco se mostrou exemplar! – sem prejuízo da inatacável estabilidade na longa direita de acesso à reta da meta.