Aposta “francesa” num segmento que, há cerca de duas décadas, apresentava inúmeras opções (Suzuki DR, Yamaha XT, Honda XL, Kawasaki KLX além de algumas propostas europeias), a Mash Adventure 400R chega a Portugal para colmatar importante lacuna na hora de subir de classe. Para os mais recentes motociclistas que, usufruindo da possibilidade de conduzir as pequenas 125 cc, ficaram rendidos aos encantos das duas rodas, esta é a possibilidade de dar um passo em frente… pelos caminhos da aventura.
A Mash, marca gaulesa que, como muitas outras por esse mundo fora, está rendida aos encantos económicos das linhas de produção a Oriente, saiu da sua zona de conforto, das café-racer às scramblers ou outras variantes de design clássico e motores pequenos, para lançar uma trail de média cilindrada. Com base produzida pela chinesa Shineray (que conta com cerca de uma centena de modelos no seu catálogo, entre motos, ATV e até automóveis), a Adventure surpreende pela qualidade da maior parte dos componentes utilizados mesmo se, e dentro de uma lógica economicista, são facilmente percetíveis alguns pontos a necessitar de melhorias.
Com elegância que justifica a elevada altura do banco ao solo, a imagem simpática e nada intimidatória da Mash é o primeiro ponto positivo para quem quer estrear-se nas andanças aventureiras, em asfalto como em off-road. E mesmo em cidade, apesar da altura, beneficia do peso contido e bom equilíbrio geral para desenvencilhar-se do trânsito, sobretudo deixando em casa as malas de alumínio, opcional com capacidade para 70 litros e preço de 400 euros. A posição de condução descontraída, alta e com guiador largo, permite fácil controlo em todas as situações revela-se bastante confortável, ajudada por banco esguio (como convém a uma endurista) mas de acertada densidade, garantia de bem-estar mesmo em tiradas mais longas.
Motor a trabalhar e… nova surpresa. O ronco emitido pela dupla ponteira de escape parece de unidade de maior cilindrada e deixa transparecer grande vivacidade. Claro que importa aqui não esquecer que estamos a falar de um bloco monocilíndrico refrigerado por ar e óleo que, longe de oferecer um manancial de sensações fortes, tem potência que não chega aos 30 cavalos. Suficiente, ainda assim, para as ambições de aprendizagem dos que sonham em dar a volta ao Mundo… daqui a uns anos. Motor equilibrado, com entrega de potência muito linear e nível de vibrações aceitável, que mostra mais alma quando se entra na segunda metade da escala do conta-rotações. Nova vida para lá das 5000 rotações por minuto, exigindo então mais trabalho com o pé esquerdo no acionamento da precisa e bem escalonada caixa de 5 velocidades, embora, não raras vezes, surja a tendência para tentar descobrir a 6.ª relação…
Bem sentados e com um motor que chega para as encomendas, nova surpresa – nunca esquecer que estamos a falar de uma moto com preço equiparável a algumas scooters de 125 cc!... – na ciclística, onde o quadro tubular, básico mas eficaz, é acompanhado por sistema de amortecimento digno de maxi-trail de eleição. Suspensões Fast Ace inteiramente reguláveis, da extensão à compressão passando pela afinação da pré-carga nos dois eixos, que permite encontrar o melhor acerto em todas as utilizações, da rigidez necessária à maior estabilidade em estrada à maior suavidade nas incursões em todo-o-terreno. Nota negativa, ou menos positiva, para a travagem, com funcionamento que está longe do prometido pelo fantástico aspeto dos discos e pinças.
A potência existe, é certo, mas a forma como é entregue torna a condução algo delicada quando se pretende andar mais depressa ou quando as condições do piso estão longe de ser as ideais. O travão dianteiro oferece uma sensação inicial de completa ausência, parecendo nem morder, tamanha é a progressividade, para depois, quando se aperta com vigor a manete, começar a reduzir a velocidade de forma demasiado lenta.
Para compensar esta ausência haverá tendência natural para compensar com o elemento posterior que, por seu turno, mostrou forte propensão a bloquear de forma inusitada. Apenas medianos na terra, mostraram ser o ponto mais fraco da Mash Adventure em cidade como em estrada. Mas, ainda assim, sem hipotecar o potencial de máquina honesta e trabalhadora, com boa imagem e equipamento de bom nível, mas que tem no preço, sem sombra de dúvida, o melhor dos trunfos.