Ao contrário de Madrid ou Barcelona, Roma ou Milão, cidades onde as scooters com rodas de maior diâmetro ocupam papel de destaque na paisagem urbana, Lisboa e Porto continuam excessivamente rendidas aos encantos de modelos com jantes de 14 polegadas. E, assim, passam ao lado das vantagens de conforto e estabilidade, sobretudo nos pisos mais degradados, com empedrado ou carris de eléctrico, sobretudo das linhas desativadas que proliferam nas urbes lusitanas. Tanto mais que argumentos de agilidade e acessibilidade prometidos pelas scooters de “roda pequena” são, em boa parte dos casos, simples quimera. A prova surge em modelos como a nova Piaggio Medley 125, que tem tudo para ser caso de sucesso também no mercado nacional, a começar pelo preço alinhado pela concorrência mais direta (Honda SH) e bastante competitivo às referências da classe, Honda PCX e Yamaha N-Max.
Proposta bem à medida, também, dos automobilistas, com acesso imediato através da carta B, que estreia novo motor e surge equipada de série com ABS e inovador sistema Start & Stop, para acrescida economia e respeito pela norma antipoluição Euro4. Trunfos escondidos sob carroçaria elegante e de excelentes acabamentos, com plásticos e pintura de boa qualidade e perfeito encaixe entre todas as peças. Imagem de classe realçada pelas decorações sóbrias em cinza titânio ou branco-pérola, com banco e plásticos interiores em castanho, ou em azul Midnight. No mesmo sentido, painel com três mostradores redondos (velocímetro, nível de combustível e temperatura do motor) envolvidos por aro metálico, reforça espírito de exclusividade. Scooter de imagem elegante, pensada para utilizadores mais maduros, que não abdicam do estilo como uma das componentes de mobilidade. Lado a lado, naturalmente, com a economia e sentido prático da Medley, oferecedora de optimizada plataforma para os pés.
Contributo para boa ergonomia em andamento e facilidade no pára-arranca graças ao recorte que permite bom apoio dos pés no solo. E isto inclusive para condutores/as abaixo do metro e setenta e mesmo de saia, que, com a ajuda do perfil esguio do banco, não são obrigadas a abrir as pernas em demasia. Banco confortável debaixo do qual existe o maior espaço da categoria (36,2 L) suficiente para dois capacetes integrais ou saco do ginásio, volume encontrado com a colocação do depósito de combustível debaixo da plataforma dianteira. Mudança com reflexos também no comportamento dinâmico da Medley, com acrescida eficácia e facilidade nas viragens, beneficiando do centro de gravidade rebaixado.
E já que de comportamento dinâmico se fala, destaque para a grande agilidade, com geometria da ciclística que faz esquecer a roda de 16 polegadas na dianteira, e para a enorme estabilidade mesmo na velocidade máxima. Facilidade e segurança absoluta sublinhada por amortecimento de confortável suavidade num primeiro momento para, a exigências maiores, revelar grande competência, com frente leve e intuitiva, e raramente atingindo limite dos amortecedores traseiros, reguláveis em cinco posições de pré-carga. Comportamento semelhante no sistema de travagem, com potência sempre suficiente a surgir de forma gradual, limitando a a situações de real necessidade a intervenção do nada intrusivo ABS, desenvolvido pela Bosch e montado de série.
Mas a maior das novidades da Piaggio Medley, trunfo de peso na encarniçada luta no seio do segmento mais importante para o número de vendas em Portugal, centra-se no motor. Completamente novo ao ainda bem atual 3V 125, o bloco i-GET (de Italian Green Experience Technology) garante baixos consumos, rápida resposta ao acelerador e nível de ruído e vibrações muito reduzido graças ao reduzido atrito interno. Motor que, não sendo campeão dos arranques, oferece aceleração consistente, ganhando rotação de forma fácil, mesmo em subida e com duas pessoas a bordo, favorecendo antes as recuperações. E que, graças a bom binário nos médios regimes e boa capacidade de alongamento, muito rapidamente atinge os 100 km/h exigindo, depois, alguma paciência para atingir uma velocidade máxima a rondar os 115/120 km/h.
Bloco em estreia absoluta na Piaggio, tal como rigorosa novidade é a utilização de sistema Start & Stop, que desliga o motor ao fim de alguns segundos de paragem (entre 3 e 7 consoante a temperatura), voltando a ligar de forma muito suave em resposta ao movimento do acelerador. Denominado RISS (Regulator Inverter Start & Stop System) dispensa a utilização do motor de arranque, substituído por um dínamo instalado directamente na cambota. E cujo funcionamento proporciona sensação diversa do Iddling Stop da Honda, apresentando como trunfo o menor desgaste da bateria e do motor de arranque, garantindo maior fiabilidade e economia nestes componentes.