Líder de vendas absoluta em Portugal nos últimos anos, a Honda PCX 125 vê aparecer, a cada passo, candidatas a sucessão que teima em não acontecer. De argumentos sólidos e aceitação cimentada ao longo dos anos, a pequena japonesa vai aguentando, com um ‘sorriso na ’, a passagem do tempo, com ‘rugas’ que sublinham elegância que as mais novas parecem ter grande dificuldade em contrariar. Num segmento de mercado que continua como responsável pelo maior número de unidades registadas, chegou agora a vez da SYM mostrar trunfo de peso na tentativa de ‘destronar’ a PCX. Chama-se JET14 a mais recente proposta da marca de Taiwan e conta, desde logo, com estética apelativa, de acutilantes traços desportivos e onde não faltam texturas distintivas, das várias peças em alumínio às coberturas em plástico que, à primeira vista, até parece exclusiva fibra de carbono.

Ar moderno e jovem, seguindo tendências de moda urbano-desportiva, transmitindo sensação de leveza e facilidade, da secção dianteira de vincada agressividade, com dois faróis encimados por luzes de presença em LED, ao farolim traseiro em LED 3D. Imagem interessante, com acertadas proporções que prosseguem na parte lateral, com bom encaixe entre os plásticos e o banco, de agradável perfil e altura que facilita apoio dos pés no solo, pecando apenas pelo nível de conforto, sensível nas ligações mais longas ou em pisos mais degradados, que poderia ser melhorado com enchimento de maior densidade.

Bem melhor o espaço para as pernas de qualquer condutor, entre o metro e meio e os dois metros de altura, graças à plataforma plana para os pés e boa distância ao avental dianteiro, onde existe espaço para arrumação de pequenos objectos. Que pode ser fechado, sem chave, possuindo porém vetusto e pouco prático sistema de abertura. Ainda no posto de comando, de ergonomia facilitadora para os ‘newcomers’, com tronco direito, bom acesso dos pés ao solo e guiador oferecedor de boa abertura aos braços mas sem ser minimamente cansativo, nota menos para o demasiado básico painel de instrumentos e nota mais para os retrovisores que cumprem de forma bem eficaz a sua função, embora o formato posso revelar-se algo ‘conflituoso’ no trânsito urbano.

Atritos que podem ser facilmente evitados graças à boa agilidade e motor de grande elasticidade, surpreendente mesmo quando se aproxima o limite do conta-rotações. Bloco de refrigeração a ar, evolução do conhecido da SYMphony, agora adaptado a Euro4 e que, apesar dos pouquíssimos quilómetros da unidade testada, mostrou acelerações consistentes e retomadas, sobretudo nas velocidades médias e altas, de muito bom nível. Com rapidez de reflexos em partidas de semáforo ainda limitada pela juventude do bloco, destaque para a boa velocidade máxima, acima dos 110 km/h no mostrador, algo que permitirá ritmos de cruzeiro em vias rápidas e estradas nacionais nada entediantes. Altura em que também o quadro revela boas credenciais, aguentando as mudanças de direcção mais abruptas e as maiores inclinações sem grandes queixas. Estabilidade e rigor – apesar da plataforma poisa-pés completamente plana e sem estrutura de reforço entre as pernas – cujo limite é ditado pelo ruído metálico causado pelo contacto do descanso central com o asfalto. E note-se que este limite é atingido sem o menor sinal de instabilidade, tão pouco qualquer susto ou comportamento negativo. ‘Saúde’ que continua no amortecimento, de conforto bastante aceitável apesar da primazia dada à eficácia ‘desportiva’, com excelente pisar da roda dianteira, de ótimo retorno de sensações e sem a sensação de peso acrescido que seria de esperar atendendo ao perfil mais largo (110/90) do pneu dianteiro. Atrás, a colocação da potência no solo é percetível e o comportamento em mau piso não fica nada a dever às referências da categoria, com estabilidade a toda a prova. Mesmo nas travagens mais repentinas onde o sistema combinado marca (muitos) pontos, fazendo esquecer a económica opção pelo tambor na roda traseira. Que ‘joga’ muito bem com o disco recortado na dianteira, em conjunto de boa progressividade e potência suficiente em todas as situações.