Mantém-se a fase de alergia aos motores Diesel, ainda de origem incerta (fundamentada e não apenas alicerçada no escândalo de manipulação dos resultados de testes dos gases de escape que envolve o Grupo VW, de que a Porsche faz parte). Até porque recentemente a Bosch, fabricante que muito contribuiu para a rápida evolução da tecnologia Diesel nos últimos anos, já anunciou estar em posse de antídoto para os males que o Diesel poderá representar para o ambiente...

Por enquanto, vive-se momento nublado na indústria, sem perceção real se as (novas) escolhas terão origem nas preferências dos consumidores, ou se o mercado está a ser gerenciado pelas marcas de automóveis, criando novas soluções e desejando que as mesmas se tornem preferenciais... O certo é que, qualquer que seja o cenário, a Porsche está na linha da frente na oferta híbrida plug-in, com a nova geração do SUV Cayenne a não faltar à chamada, seguindo as pegadas do sucesso do anterior modelo (apresentado em 2014 e que representou 12% das vendas da gama).
Mas quando diretamente questionado sobre qual o caminho da Porsche neste particular, Christian Trautman, responsável de projeto da marca, afirma que «a atual geração do Cayenne vai seguramente conhecer versão Diesel, contando para o efeito com o 3.0 V6 do Grupo VW, embora sem início de comercialização ou nível de potência definidos», explicação que se exigia, sabendo-se da decisão de abandonar o Diesel no Macan e da atual indecisão sobre se e qual motor a utilizar no Panamera.
Certa e garantida é a presença de versão plug-in híbrida no novo Cayenne, a cargo da conjugação de 3 litros V6 a gasolina, sobrealimentado, de 340 cv, com unidade elétrica de 136 cv, num resultado combinado de 462 cv e 700 Nm, com o grande SUV de 2,3 toneladas a não negar os 253 km/h de velocidade máxima e de arranque até aos 100 km/h em 5 segundos. Em modo puramente elétrico, pode (e confirmamos) chegar aos 135 km/h, com uma autonomia média de 44 km em modo zero emissões, possível de atingir com utilização maioritariamente em meio citadino.
Com estas credenciais, a Porsche dignifica o ADN desportivo que este Cayenne E-Hybrid quer manter como imagem de marca, mais importante do que propriamente exacerbar os méritos da economia de utilização.
Parte destes novos feitos de performance e autonomia pertencem às novas baterias (da marca Samsung) com 14,1 kWh de capacidade, em que são utilizados apenas 11 kWh de modo a preservar a durabilidade das mesmas. Ao contrário do Panamera E-Hybrid, que conta com o mesmo sistema híbrido (motor e baterias), no Cayenne a Porsche utiliza caixa automática de 8 velocidades e não a unidade de dupla embraiagem, o mesmo se passando com o motor térmico, aqui a unidade 3 litros V6 do Grupo VW e não o 2.9 da Porsche. «Está relacionado com a utilização da plataforma de Touareg e Q7, sendo mais fácil manter o motor da VW do que adaptar o nosso 2.9», afirma o mesmo responsável da marca.
De série, o E-Hybrid conta com o Pack Sport Chrono, com modos de condução selecionáveis via botão rotativo no volante. Entre as opções do modo Híbrido, é possível forçar a condução em modo totalmente elétrico (desde que se mantenha tento na pressão no acelerador...), manter a carga da bateria (para depois gastar em ambiente mais urbano) ou forçar o carregamento via motor a combustão. Existem ainda os modos mais dinâmicos, com o Sport Plus, além de garantir a máxima entrega e conjugação de potências dos motores elétricos e térmicos para acelerações vigorosas, a dedicar-se a uma mais rápida regeneração da energia elétrica, como comprovámos ao volante.

Em Portugal, o E-Hybrid será o mais acessível dos Cayenne, e com níveis de performance que não estarão muito afastados do Cayenne S (119.770 €/440 cv) nem renunciando à possibilidade de contar com as tecnologias de apuro dinâmico (caso do eixo traseiro direcional, suspensão pneumática ou chassis PDCC) ou de apoio à condução e segurança, com a estreante presença de head-up display num Porsche.
O impulso da unidade elétrica (seja a solo ou em conjugação com o motor a gasolina) confere enorme ligeireza à condução, contornando o efeito das 2,3 toneladas e avantajadas dimensões, à altura das famílias mais exigentes.