Pioneira com o Outlander em 2014, a Mitsubishi continua a acelerar a hibridização do formato SUV, ao lançar inédita versão PHEV do Eclipse Cross. Com design caracterizado pela muito apreciada secção posterior da carroçaria em formato de coupé, o Eclipse Cross PHEV tem mais 14 cm, aumento que favoreceu essencialmente a capacidade da mala, que varia entre os 328 litros na configuração standard e 1108 litros com os bancos rebatidos.

Modernizado na imagem, o SUV japonês mantém todas as qualidades reconhecidas aos produtos da marca, do rigor na seleção dos materiais usados na conceção do habitáculo e a solidez da montagem dos elementos do painel de bordo, agora com sistema multimédia em ecrã tátil de 8", compatível com Apple CarPlay e Android Auto.
A dotação de espaço nos lugares posteriores é ampla, mas deixa de ser possível o deslizamento do banco traseiro para gestão da volumetria da mala, consoante o que é prioritário a cada viagem.

2+1 motores
A tecnologia é copiada quase a papel químico do Outlander híbrido com sistema de carregamento externo das baterias (plug-in), agregando motor 2.4 a gasolina, que funciona sobre o ciclo Atkinson – diferenciação do tempo de abertura das válvulas que permite simular um menor tempo dedicado à compressão do que à expansão –, a debitar 98 cv (135 cv no Outlander) e dois motores elétricos ligados aos eixos dianteiro e traseiro, com 82 cv e 95 cv, respetivamente. A potência combinada é de 188 cv.
De acordo com a ficha de homologação, o SUV compacto da Mitsubishi percorre 55 km de forma 100% elétrica, contabilizados no apuramento do consumo médio oficial, facto que explica os interessantes 2 l/100 km ou os 46 g/km de CO2 no 'cartão-de-visita' do modelo da marca dos três diamantes.
Tentando simplificar: há três modos de funcionamento possíveis, híbrido em série (duas fontes de propulsão, a bateria e o gerador alimentado pelo propulsor térmico); híbrido em paralelo (propulsão a cargo do 4 cilindros a gasolina, mas necessitando-se mais músculo, os motores elétricos são chamados à ação); e ainda modo 100% elétrico.
Há cinco modos de recuperação de energia das travagens que podem ser selecionados por patilhas no volante; comando Save na consola central que permite poupar a energia armazenada nas baterias para usar mais tarde; função Charge, que faz com que o motor de combustão interna acione o gerador, recuperando-se até 80% da carga nas baterias em cerca de 50 minutos.
O SUV da Mitsubishi é dos raros PHEV no mercado a permitir carregamentos rápidos: em tomada CHEdeMO, 80% da capacidade em apenas 25 minutos.

O arranque acontece sempre neste último, com zero emissões (a fonte de energia é a eletricidade armazenada nas baterias sob o piso), e assim pode manter-se até 135 km/h e durante mais de meia centena de quilómetros. Acima daquela velocidade (ou com solicitação mais brusca do acelerador), o 2.4 entra ao serviço, mas para alimentar o gerador, que recarrega baterias para prevenir falhas. O sistema está acoplado a caixa de velocidade de relação fixa, de tipo variação contínua, que será equivalente a uma 5.ª de uma transmissão automática convencional.
Na dinâmica, a consistente rigidez estrutural de chassis e carroçaria são mais virtudes salientes do Eclipse Cross PHEV e há novo acerto das suspensões com amortecimento bem regulado para lidar com o acréscimo de peso da bateria, que fez o conjunto subir para os 1985 kg, mas reduziu em 30 mm o centro de gravidade. Resultado: agilidade razoável em todo o tipo de traçado, num modelo que está claramente pensado para privilegiar o conforto. A direção e a travagem contribuem para o agrado geral da condução, com vários programas à disposição, Tarmac, Gravel, Snow, Normal e Eco. O 'standart' é um modo Sport.

Em Portugal, o PHEV de quatro rodas motrizes (paga classe 1 nas portagens com Via Verde) está disponível apenas na versão eMOTION, com dotação de equipamento sem falhas (inclui head-up-display por lâmina, reconhecimento de sinais, travão elétrico com auto-hold, cruise control, câmara traseira e sensores de estacionamento e luz, bancos em pele e alcantara, ar condicionado automático bizona, controlo remoto para smartphone, jantes em liga de 18 polegadas), proposto inicialmente por 53 mil euros, mas beneficiando de uma promoção especial para particulares que reduz o preço de aquisição para mais simpáticos 46.728 euros.
Mas é mesmo para as empresas que o negócio pode tornar-se mais atrativo, existindo preço de campanha a partir de 32.900 euros, valor sem IVA, que pode ser recuperado.