A Jaguar antecipa-se à concorrência com a apresentação do I-Pace, o primeiro SUV elétrico de produção em série e que celebra a estreia do fabricante britânico com 83 anos de história na comercialização de automóveis com esta tecnologia de propulsão não poluente.
O I-Pace é o terceiro SUV da Jaguar, depois do topo de gama F-Pace (2016) e do mais compacto E-Pace (2017), ambos apenas com motores de combustão (excluindo híbridos), e posiciona-se desde logo no pelotão da frente dos automóveis elétricos, com uma potência de 400 cv (294 kW) e autonomia homologada de 480 km de uma carga de bateria completa (ciclo WLTP).
Apesar da eletrificação do seu novo SUV, a Jaguar concebeu-o sob os pressupostos da sua herança desportiva, garantindo-lhe performances e dinamismo elevados, como demonstram a tradicional aceleração 0-100 km/h em 4,8 segundos e a eficácia e agilidade do comportamento, como ficou (com)provado num escrutínio com um grau de exigência maior, no Autódromo do Algarve, onde decorreu uma parte da apresentação mundial do veículo à comunicação social.
O I-Pace não é, no desenho, um SUV convencional, mas uma berlina de cinco portas com carroçaria sobrelevada, daí apelando, também, à inspiração vincadamente desportiva que prevalece (ainda, mas sem ser exceção) ao conceito de automóvel elétrico. O modelo destaca-se do formato e das proporções da carroçaria dos seus congéneres F-Pace e E-Pace, com um superior apuro da aerodinâmica, resultante da linha do capot baixa e o antagonismo entre as linhas ascendente da cintura e descendente do tejadilho (na muito na moda forma de coupé) que culminam numa secção traseira quadrada (com muitas arestas) que contribuem para um coeficiente de penetração ao ar de apenas 0.29 Cd. A grelha frontal é outro elemento aerodinâmico, direcionando o ar para o capot, para-brisas e tejadilho. O fluxo de ar para refrigerar a bateria e o sistema de climatização passa através das alhetas ativas, no para-choques dianteiro, que se abrem ou fecham.
Mas não são só estes os optimizadores da aerodinâmica do I-Pace, os puxadores das portas retráteis, à da carroçaria, preservam um design limpo, emergindo do interior das portas só quando são necessários. Nas versões com suspensão pneumática (opcional), a altura do veículo ao solo baixa automaticamente 10 mm, a velocidades superiores a 105 km/h.
Interior
«O nosso objetivo era desenhar um interior emocional que excitasse os sentidos, onde o condutor seja parte essencial da experiência e os passageiros tenham o espaço que necessitam. Estar dentro do I-Pace é experimentar algo especial, isso é o que é um Jaguar», definiu assim, Ian Callum, o renomado diretor de Design da Jaguar, o resultado do trabalho da sua equipa no habitáculo do SUV elétrico.
O designer britânico, de 63 anos, explicou as vantagens que a plataforma específica permite à construção deste tipo de veículos. «Por não haver motor à dianteira, é possível ampliar o espaço no habitáculo, avançando alguns componentes», proporcionando uma cota de 890 mm ao nível das pernas nos lugares posteriores e a inclusão de mais compartimentos para pequenos objetos, promovendo o sentido prático. A bagageira também beneficia deste desafogo oferecendo uma capacidade referencial de 656 litros, que atinge 1453 litros com o rebatimento dos bancos de trás.
O vanguardismo tecnológico dos sistemas de informação e entretenimento está garantido com a tecnologia Touch Pro Duo – a mais avançada do Grupo Jaguar Land Rover –, que conjuga amplos ecrãs táteis e controlos multifunções rotativos na consola central.
Dinâmica
Inerente às plataformas para veículos elétricos, também a dinâmica do I-Pace pôde ser otimizada. Desde logo, pela possibilidade de alargamento da distância entre eixos e pela instalação da bateria em posição mais baixa possível, entre os dois eixos, para conseguir uma distribuição de peso 50:50 e um centro de gravidade 130 mm mais baixo que no F-Pace, cujo proveito reflete-se bem na excelente estabilidade do SUV, experienciada, no exigente circuito de Portimão.
A arquitetura da suspensão, com triângulos duplos à frente e multibraços atrás, também ajuda, potenciando a agilidade sem depreciar o conforto de rolamento. A suspensão pneumática opcional com Sistema Dinâmico Adaptativo e amortecimento variável contínuo proporcionam também uma condução desportiva e o compromisso com a comodidade dos ocupantes.
A estas virtudes acrescentam-se a direção e o sistema de travagem. O condutor pode alterar grau da travagem regenerativa para maximizar a autonomia, permitindo-se conduzir praticamente apenas com o pedal do acelerador.
Motor(es)
O I-Pace dispõe de dois motores elétricos, de 200 cv (147 kW) cada, um por cada eixo, que geram rendimento máximo de 400 cv (294 kW) para proporcionarem ao SUV uma aceleração de 0 a 100 km/h em tão-só 4,8 segundos e a velocidade máxima de 200 km/h. As retomas são impressionantes pela rapidez e pujança, sem fraquejo, enfatizando a ta desportiva do SUV.
Cada motor, incorporado numa transmissão epicíclica de uma velocidade, disponibiliza binário (os dois num máximo de 696 Nm) de forma instantânea, adaptando constantemente a distribuição da potência entre o eixo dianteiro e o traseiro conforme as solicitações, conferindo tração integral ao veículo. Com isso garantem-se aptidões TT.
Com uma bateria de iões de lítio de 90 kWh, o I-Pace tem autonomia anunciada de 480 km (no ciclo WLTP). Nesta primeira experiência de condução do SUV aferimos que, segundo o nível do zelo com a economia energética, percorrem-se entre 380 e 400 km com uma carga completa, o que é à prova de stress. O proprietário poderá recarregar de 0 a 80% da bateria em 40 minutos com um carregador rápido de corrente contínua 100 kW ou, no domicílio, utilizando um carregador de parede de corrente alternada de 7 kW, em pouco mais de dez horas.