A sigla GTi tem história tanto na Opel, como no Corsa. O fabricante estreou-a em 1984, depois da introdução de sistemas da injeção na alimentação dos motores, no modelo Kadett E GSi com mecânica 1.8 de 115 cv. Mas a origem da história remontava à década de 1960 e ao lançamento do Kadett Rallye, em 1966, originalmente com 60 cv para 850 kg. É o antecessor mais antigo deste Corsa GSi.
Concorrente direto de Ford Fiesta 1.0 EcoBoost ST-Line (140 cv) e Seat Ibiza 1.5 TSI Evo FR (150 cv), por exemplo, o Corsa GSi diferencia-se, visualmente, das outras versões da gama e comercializar-se-á só com 3 portas. A carroçaria tem imagem muito desportiva, com tomadas de ar sobredimensionadas, caixas dos retrovisores exteriores que imitam a fibra de carbono, spoiler posterior proeminente, ponteira de escape cromada, etc.! A linguagem mantém-se no habitáculo, onde encontramos, entre muitos outros equipamentos, punho do seletor da caixa com revestimento em pele e volante específico (o tato é ótimo)
A Opel, para a estreia dinâmica do Corsa GSi, escolheu percursos com muita história: a Route de Crêtes, na região da Alsácia, é estrada de montanha que proporciona condução (quase) tão excitante como as paisagens! Ciclistas e turistas partilham caminho criado para a I Guerra Mundial (1914-18), para apoiar, logisticamente, os aliados, no conflito com a Tríplice Aliança, que integrava as forças militares dos Impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano. Aqui e acolá, cruzamo-nos com este passado, não com ruínas de trincheiras, mas com sinais que indicam a localização de cemitérios onde repousam os restos mortais dos muitos milhares de soldados que perderam a vida durante confronto que contou com participação portuguesa.
A condução do Corsa GSi, beneficiando da qualidade do(s) piso(s), convidou-nos mais a acelerar do que a desfrutar da paisagem ou da história. A versão de topo do segmento B da marca alemã (no 1.º semestre de 2018, na Europa, posição no top-10 das vendas, com 117.981 exemplares, o que representa abrandamento de 15% nos registos, facto normal, considerando os anos do modelo!) tem chassis desenvolvido pelos engenheiros e técnicos sobreviventes do Opel Performance Center, responsáveis pela conceção de desportivos da firma do relâmpago, da direção aos travões. A suspensão também foi otimizada pela equipa comandada por Volker Strycek, que não dispensou muitas horas de trabalho no Nordschleife, no Nürburgring, Alemanha, circuito utilizado por (quase) todos os fabricantes para a otimização das aptidões dinâmicas dos automóveis novos. Por isso a dinâmica não surpreendeu, combinando agilidade com capacidade de tração. Assim, ainda mais precisão e diversão na condução, também devido ao temperamento do motor 1.4 Turbo a gasolina.
O condutor instala-se otimamente nos bancos integrais da Recaro (opcionais), que têm apoios incríveis e revestimentos em pele, equipamento que também convida à... ação, mas a firmeza do amortecimento seletivo, ainda maior devido aos menos 10 mm de altura livre ao solo (suspensão rebaixada de série), penaliza sobremaneira o conforto de rolamento, com a transmissão ao interior das irregularidades no piso, nas muitas zonas da Route de Crêtes com paralelepípedos. A direção também sofre com a trepidação, mas o Corsa GSi mantém-se na trajetória. Exagerando-se, conte-se com o socorro do programa de estabilidade.
No Corsa GSi com rodas de 17’’ (18’’ entre os opcionais), 1.4 Turbo (re)conhecido que os engenheiros alemães otimizaram, beneficiando tanto a capacidade de resposta, como a sonoridade. O 4 cilindros produz 150 cv às 5000 rpm e 220 Nm entre as 3000 e as 4500 rpm, o que é sinónimo de mais elasticidade/genica nos regimes médios. A caixa de 6 velocidades, de comando manual, tem escalonamento adaptado às características da mecânica e caracteriza-se, também, pela rapidez e precisão do seletor.
Sem surpresa, o consumo depende (demasiado) da condução. A marca de Rüsselsheim anuncia só 6,1 l/100 km, mas nunca acabámos percurso abaixo dos 9 litros...