Começar com um SUV a vida de uma marca de orientação totalmente desportiva pode parecer contrassenso... Só não o é porque estamos em 2018, em plena fase de SUVização do mercado, em que todos os fabricantes os querem ter, não importa o tamanho, a forma ou as pretensões!
Assim, coube ao Ateca iniciar a carreira da Cupra, devidamente trabalhado e tecnicamente evoluído para aguentar os 300 cv do já conhecido e poderoso motor 2.0 TFSI. Foi dotado a preceito, com tração integral, caixa automática de dupla embraiagem (DSG) de 7 velocidades, suspensão rebaixada 10 mm e sistema de amortecimento variável. Não podendo faltar, também, todo um apuro visual de distinção, focado no uso da cor cobre trazida do logo da marca até à decoração de pormenores, caso das jantes ou ponteiras de escape – estas com quatro proeminentes saídas.
E onde se insere o Cupra Ateca? Segundo Antonino Labate, Diretor de Estratégia e Negócio da Cupra, «não tem concorrentes diretos. A marca Cupra pretende ir buscar clientes quer ao setor premium, quer às grandes massas, podendo entrar em linha de conta em quem pense num Audi SQ2 ou num Mercedes-AMG GLA 45». Em Portugal, o preço a começar nos 52.494 € (já com todas as despesas de legalização incluídas), não encontra rival, seja de formato ou nas performances...
Foi sem receios nas qualidades dinâmicas do modelo que a Cupra o colocou à nossa disposição ao longo de um pequeno troço fechado, onde até podemos averiguar (com a máxima segurança) as qualidades do launch control que garante aceleração de 0-100 km/h em 5,2 segundos, qual arranque em troço de rali! Embora toda a Física de um SUV (nomeadamente, a altura) seja antagónica ao teor pretendido num desportivo (que se quer rasteirinho...), o Cupra Ateca segue disparado estrada acima, ganhando velocidade de forma ordeira e despachada, com o motor 2 litros a subir de regime de forma quase indiferente à igualmente pouco coerente desportiva aerodinâmica.
Existem vários modos de condução disponíveis (cinco) que conjugam a resposta do motor ao acelerador com o tato da direção, sonoridade de escape, amortecimento e atuação da eletrónica de estabilidade (a qual pode ser adormecida em modo Sport ou totalmente desconetada), cabendo a afinação mais radical ao modo de Condução Cupra.
A caixa automática de relações relativamente curtas surge, como sempre, despachada nesta faixa de potência dentro dos modelos do Grupo VW, sendo apenas de lamentar as patilhas no volante, demasiado pequenas. A unidade espremida neste troço contava com as opcionais bacquets (que muito contribuem para ideal sustentação lateral do corpo, em curva) e sistema de travagem Brembo, reforçado. Conjunto que muito ajudou a purificar os encantos desportivos deste SUV tão especial, sempre bem colado à estrada pelo desempenho da tração integral (sistema 4Drive), que ajuda a emancipar as sensações de velocidade. Porque, a tamanha aderência, o Cupra Ateca parece não sair 1 mm da sua linha, se inicialmente bem apontado e de trajetória alinhada depois das fortes travagens. Uma vez colocado em curva, basta acelerar e deixar que os 300 cv empurrem o carro dali para fora...
Se chega para ser emocionante? Apenas em matéria de crescente de velocidade, assente no ótimo desempenho do motor, caixa de velocidades e sonoridade de escape do modo Cupra. Porque, em curva, devido à tremenda eficácia e aderência proporcionadas pela tração integral, tudo corre sobre carris. Como se a Cupra não quisesse arriscar nesta sua primeira experiência, apostando todas as fichas na competência e na facilidade de exploração das elevadas performances, receita que não foge muito à eficácia já conhecida no Leon Cupra, por exemplo – mesmo que este tenha a tração entregue apenas às rodas da frente.
O painel de instrumentos digital com diversas e originais vistas ou as muitas ajudas à condução acrescentam a necessária veia tecnológica à nova marca.