Mobilidade pode rimar com sustentabilidade, mas o certo é que ainda ninguém sabe fazer rimar tudo isso com as reais necessidades de utilização do automóvel, como aquelas que se adivinham para o futuro próximo. As marcas alemãs sempre dominaram na era Diesel, mas estão agora obrigadas a preparar possíveis saídas financeiramente sustentáveis no atual cenário anti Diesel, apenas e só criado por forças políticas, ainda e sempre empoladas pelo afamado escândalo VW e Dieselgate.
E nem vale a pena entrar pela discussão do que é mais ou menos ecológico! Cada vez mais a pegada ecológica será inscrita pela utilização que cada um fará do seu móbil, havendo que adequar as causas aos efeitos, ou seja, cada tecnologia ao género de uso. Será essa uma das principais mais-valias dos intentos híbridos plug-in, que permitem, até certa forma, circulação em modo puramente elétrico e livre de emissões de gases em curtas distâncias/uso quotidiano, com versatilidade de utilização alargada pela presença de motor térmico. Caminho em que a BMW aposta muitas fichas, já que ao fim de seis meses de comercialização da nova geração do Série 3 (o modelo mais importante para a marca nas últimas décadas), coloca à venda o 330e, a variante plug-in híbrida, com preço a partir de 54.600 € em território nacional – registe-se o sucesso comercial do anterior 330e na fase final de vida do anterior Série 3!
Sob o capot, unidade 2 litros turbo a gasolina, de 184 cv. Lá mais atrás, a roubar algum espaço na bagageira (que assim desce dos 480 das versões térmicas para os 375 litros) estão as novas baterias de 12 kWh de capacidade que alimentam as preces do motor elétrico de 113 cv que está acoplado à caixa automática de 8 velocidades. A potência é toda e somente encaminhada para o eixo traseiro. Como resultado, a BMW anuncia 252 cv de potência combinada e 420 Nm, sendo que existe agora um novo modo de condução denominado XtraBoost (dentro do Sport) que permite usufruir, ao longo de 10 segundos, de um pico de 292 cv! Com estes dados, não é difícil ao novo 330e garantir arranques de 0-100 km/h em 5,9 segundos, alcançar os 230 km/h de velocidade máxima, mas também garantir a possibilidade de rodar em modo puramente elétrico até aos 140 km/h – o que representa um ganho de 20 km/h face à anterior geração.
Na nossa oportunidade quase exclusiva a nível nacional para testar o 330e ao longo de alguns quilómetros, e partindo com a bateria totalmente carregada, mesmo com o trajeto a incluir poucos quilómetros em ambiente citadino mas muitos em estrada aberta, o 330e não se coibiu de realizar precisamente 24,6 km elétricos num total de 34,2 percorridos. Valor que depois se alargou para 56,7 ao fim dos 83,5 km realizados, com média de consumo de gasolina de 3,2 l/100 km e ainda restando um par de quilómetros de autonomia elétrica para gastar. E como este primeiro contacto ocorreu por estradas alemãs, o nosso 330e teve ainda tempo de exprimir que os sustentáveis suportam performances puras, não temendo tocar rapidamente nos 220 km/h nas deslimitadas autobahn, com ganhos de velocidade que colocaram em sentido muitos e bons desportivos! Ou seja, se conduzido com superior moderação no acelerador e em ambientes propícios ao usufruto das reais capacidades da tecnologia (ou seja, em ambientes cosmopolitas), não restam dúvidas da capacidade do 330e em percorrer os anunciados 60 km em modo puramente elétrico. Contudo, não podemos esquecer que atestar de eletricidade tem custos.
São vários os modos de condução que possibilitam ao condutor melhor gerir os recursos energéticos, sendo ainda diversas as opções de personalização de alguns modos (Eco e Sport) para contentar todas as intenções. Não esquecendo que o 330e pode ser forçado a locomover-se só em modo elétrico, também existindo função que protege a carga da bateria para que a mesma possa ser utilizada no interior das cidades.
Solução técnica plug-in híbrida só será realmente interessante (em termos de custos) a quem tenha possibilidade e (paciência...) de ligar o carro à corrente. As estatísticas afirmam mais que mais de 70% dos utilizadores, após os três meses iniciais, negligenciam os carregamentos, cingindo-se ao uso térmico. Mas estes carros valem-se, precisamente, dos custos contidos em uso citadino e quotidiano com baterias cheias. E o novo 330e poderá facilmente fazer entre 50 e 60 km sem gastar gasolina. É uma das soluções mais versáteis...