AUTO FOCO já conduziu o Mercedes-Benz EQA, segundo e o mais compacto modelo elétrico da marca da estrela. Sem surpresa, SUV. As medidas são semelhantes às do GLA, cuja plataforma (adaptada) partilha. Motor de 190 cv, autonomia superior a 400 km e preço prometido abaixo de 54.000 euros

Depois do EQC no arranque, em 2019, a ofensiva elétrica da Mercedes-Benz continua com o EQA, SUV compacto baseado no GLA, com autonomia anunciada de mais de 400 quilómetros livres de emissões, o primeiro de três modelos a bateria (BEV – Battery Electric Vehicles) do construtor alemão com apresentação programada este ano, de uma gama que terá uma dezena no final de 2022.
Do congénere a combustão GLA, com o qual partilha a plataforma de veículos compactos MFA2, indispensavelmente transformada para basear um automóvel 100% elétrico, o EQA herda também o formato da carroçaria da moda, com medidas quase inalteradas. O mais compacto das estrelas elétricas mede 4,463 metros de comprimento, 1,83 metros de largura e 1,62 m de altura. Só na primeira medida difere, por ligeiro excesso (2,2 cm), do GLA.
O EQA diferencia-se mais claramente do modelo-irmão movido a energia térmica pelo design exclusivo da grelha dianteira – fechada e negra –, dos faróis LED interligados por um filamento luminoso que atravessa a dianteira de um lado ao outro, e dos farolins posteriores, igualmente com a já incontornável tecnologia de díodos, e também unidos por uma faixa luminosa.

A carroçaria foi submetida a otimização da aerodinâmica para baixar o atrito e a resistência ao ar, obviamente com o objetivo primordial da eficiência. Elementos como a grelha frontal fechada, o revestimento do fundo do veículo e as jantes (a Mercedes chama-as Aero) foram os principais elementos a contribuir para o EQA atingir um coeficiente referencial de 0.28 Cx.
Na versão de lançamento EQA 250, motor elétrico a debitar 190 cv (140 kW) e 375 Nm de binário, alimentado por bateria de iões de lítio de 66,5 kWh de capacidade. A marca alemã anuncia aceleração de 0 a 100 km/h em 8,9 segundos e velocidade máxima eletronicamente limitada a 160 km/h, para poupança da bateria, com autonomia para 426 quilómetros (WLTP). Numa wallbox de 11 kW, o SUV compacto demora 5:45 horas a carregar a bateria a 100%, enquanto o carregamento rápido está limitado a 100 kW, permitindo cargas de 10% a 80% em cerca de meia hora.
Nos planos da marca estão mais versões do EQA com autonomia superior a 500 quilómetros e com dois motores que atingem 272 cv totais, conferindo tração integral ao SUV.

O EQA beneficia do esforço da Mercedes para a melhor integração da bateria (que contribui com importante lastro de 500 kg) no piso do automóvel, fazendo-o com uma configuração em dois patamares e acoplada diretamente ao chassis, com a pretensão que o componente funcione como um elemento estrutural do veículo. Com isso, o fabricante apontou a diversos objetivos: manter o centro de gravidade do SUV o mais baixo possível, beneficiando a dinâmica, que aferimos ser eficaz, na primeira experiência de condução do EQA 250, em vias urbanas e rápidas. Também nesta, concluiu-se sobre a capacidade de aceleração dos 190 cv e 375 Nm elétricos, atenuando-se o referido lastro (que comparativamente ao GLA 250 e PHEV com 218 cv atinge 265 kg), a correta assistência da direção e a travagem sem interferência grave do sistema regenerativo. A suspensão recorre-se de idêntico esquema posterior multibraços, não se esclarecendo sobre eventuais alterações na afinação do amortecimento, considerando o mencionado aumento do peso. Sabe-se, sim, que em opção estará disponível amortecimento adaptativo. O melhor elogio a tecer à condução do EQA 250 é a de facilidade e leveza, imune a trejeitos da sua natureza elétrica, inerentes ao sistema regenerativo. Comprovou-se, ainda, a aproximação aceitável ao consumo anunciado, de 17,7 kWh/100 km.
O outro objetivo da Mercedes com a arquitetura criada para a integração da bateria foi o de manter as cotas habitáveis do GLA (cuja avaliação, com precisão métrica, ficará para teste futuro, todavia observando-se existir espaço satisfatório para dois adultos no banco posterior) e o mesmo para a volumetria da bagageira. Este desiderato foi menos conseguido, devido a restrições estruturais mais difíceis de esbater, perdendo-se 45 litros para o GLA PHEV e o dobro para as versões exclusivamente a combustão deste SUV. No EQA, apenas 340 litros com os cinco lugares ocupáveis, e 1320 litros rebatendo os bancos traseiros.

O novo SUV elétrico chegará ao catálogo da Mercedes-Benz no próximo mês de abril, com preços abaixo de 54.000 €, numa aproximação ao preço da versão PHEV do GLA (250 e), que se vende a partir de 51.700 €. Na primeira experiência de condução do compacto EQA, o veredicto é positivo, sustentado na facilidade e leveza como o veículo se permite guiar, a potência disponível e o consumo moderado. A habitabilidade satisfaz; bagageira mais restringida.