Ao volante da Ford E-Transit, o novo comercial 100% elétrico

A nova era das entregas urbanas

Apresentação

Por Paulo Sérgio Cardoso 27-06-2022 19:00

Fotos: Gonçalo Martins

A introdução da 100% elétrica E-Transit marca o lançamento da plataforma Ford Pro, a nova unidade de negócio da marca direcionada a vendas e à prestação de serviços de assistência a clientes de veículos comerciais. Fomos conhecer um pouco melhor este mundo ao volante da nova E-Transit Van.

A pandemia trouxe novos hábitos de consumo, com as compras online a obrigar empresas e serviços a reforçar as suas cadeias e procedimentos de entregas ao domicílio. Todos os dias nos cruzamos com diversas carrinhas de entregas, no centro e periferias das cidades, em trajetos que serão perfeitamente elegíveis a uma adaptação à mobilidade elétrica. E é por aí que a Ford quer começar a adequar as qualidades e polivalência da nova gama 100% elétrica E-Transit.

A E-Transit, com início de comercialização agendado para outubro, é o primeiro de uma série de cinco novos modelos comerciais elétricos que a marca terá no catálogo até 2024. A gama é bastante completa no que respeita a variantes de carroçaria e capacidades de carga, incluindo versão, como a analisada, com duas filas de banco e lotação para seis ocupantes, a que se soma um vasto compartimento de carga de 7,2 metros cúbicos. A designação 390 está direcionada ao peso máximo admissível desta unidade (3900 kg) como L3 a referenciar o comprimento – aqui de 5,981 m, variando na gama E-Transit entre os 5,531 m e os 6,704 m da L4.

A parte elétrica da ação fica a cargo de uma bateria de iões de lítio de 75 kWh (representam 68 kWh úteis) com desenvoltura dinâmica entregue a motor elétrico de 269 cv (198 kW). A tração é traseira e a velocidade máxima está fixada nos 90 km/h, o que se representa uma verdadeira limitação na utilização (obriga a que se circule quase sempre na faixa da direita em qualquer via periférica…), muito contribui para preservar a autonomia. Nos quilómetros que realizámos, e face a um consumo médio a rondar os 25 kWh/100 km, o computador de bordo da Ford E-Transit previu alcances na ordem dos 240 km para uma carga completa da bateria – se a circulação for maioritariamente citadina, onde além do tipo de trajeto a E-Transit menos sofrerá aerodinamicamente devido à gigantesca superfície frontal, a autonomia poderá aproximar-se dos 280 km. Os carregadores de bordo estão preparados para ligações até 115 kW em corrente contínua e de até 11 kW em alternada.

A condução reúne todas as características que forram de simplicidade os veículos elétricos, caso da fluidez nos arranques e facilidade de manobrar e interagir com o trânsito citadino, embora com as devidas atenções focadas nas avantajadas dimensões destes modelos – que não cabem, por exemplo, em altura, em algumas estações de lavagem manual de veículos! O silêncio e a descontração ajudam a lidar com as habituais situações de stresse do trânsito citadino e o habitáculo está perfeitamente direcionado para o uso profissional, com diversos locais de arrumo e zonas próprias para guardar documentos e pousar garrafas. Mesmo não faltando espaço no compartimento de carga, os cabos podem de ser guardados sob o banco dianteiro.

A posição de condução só não é perfeita devido aos movimentos mais limitados no ajuste em altura do volante (resulta sempre alto), mas a restante ergonomia surpreendeu positivamente, caso do comando rotativo para a caixa de velocidades, a que não falta função ‘L’ para forçar a travagem regenerativa em desacelerações. A elevada altura ao solo e do habitáculo pode dificultar entradas e saídas.

A zona central do tablier é dominada pelo sistema multimédia em ecrã tátil de grandes dimensões (12’’) que centraliza praticamente todas as funções de bordo, nada ficando a dever a sistemas conhecidos em modelos de passageiros e de segmentos altos! Entre as várias possibilidades de ajustes e escolhas, estão incluídos três modos de condução: Eco, Normal e Escorregadio.

A Ford não se coibiu de somar diversas e interessantes tecnologias e ajudas à condução (de série ou opcional) a esta família de modelos comerciais, com destaque para as câmaras de ajuda ao estacionamento (incluindo 360º e boa qualidade gráfica), cruise control adaptativo, sistema de navegação, ajustes elétricos para o banco do condutor, acesso e chave mãos-livres, alerta de colisão (incluindo peões), faróis bi-xénon com luzes de curva ou até mesmo um tacógrafo digital para registo das viagens.

Há ainda versatilidades extra na zona de carga, como adoção de duas tomadas internas de 220V para alimentação de periféricos, iluminação da zona exterior de carga por um potente foco de luz LED ou mesmo os íman que seguram as portas traseiras às laterais da carroçaria facilitando as ações de carga e descarga.

A somar à simplicidade da condução quotidiana, a E-Transit soma silêncio de ação e um bom nível de conforto em todo o género de piso e em vazio – não tivemos oportunidade de realizar quilómetros com peso no compartimento de carga. Para tornar a condução ainda mais semelhante à de veículos mais pequenos e tradicionais, sentimos a falta de um retrovisor digital, tal como a Renault já apresenta no Kangoo.

Não obstante os preços da gama E-Transit rondarem os 70 mil euros, as empresas poderão beneficiar de vários incentivos e alívios fiscais, que sempre ajudam a esmagar o diferencial de preço para as versões Diesel. Se a autonomia e tempos de carregamento não forem objeções…

Preço: 73.100 €

Ler Mais

Conte-nos a sua opinião 0

Apresentação