O VW up! tem todas as credenciais de citadino e com enérgico motor 1.0 TSI de 90 cv ganha muito maior desembaraço em estrada. O modelo alemão iguala o nível de potência do 0.9 TCe do Renault Twingo. Juntámo-los.
Fabricado sobre a mesma base do smart forfour e partilhando a maioria dos componentes, o citadino da marca francesa revela o mesmo caráter dinâmico do conhecido alemão, mostrando enorme agilidade em percursos urbanos, com ótima a direção com desmultiplicação variável, assistência elétrica e notável raio de viragem. Fora da urbe, surpreende pela estabilidade e sensação de segurança para modelo de palmo e meio.
Estas características são extensíveis ao up!, porventura o mais equilibrado. Elemento distintivo do VW desde o seu lançamento é sem dúvida o surpreendente desempenho em estrada, sobretudo se considerarmos que se trata de automóvel pequeno para a boa estabilidade que demonstra em curva, comportamento neutro e equilibrado. Deve-o à boa qualidade do chassis e à engenhosa conceção de avantajada distância entre eixos e quatro rodas bem puxadas para os extremos da cúbica carroçaria. Ainda assim: em cidade, a mobilidade é menor devido ao raio de viragem inferior; nos traçados mais sinuosos é o amortecimento mais suave que o faz baloiçar um nadinha em curvas rápidas.
Por outro lado, o carro alemão filtra muito melhor o contacto dos pneus com o mau piso, pisando de forma mais aveludada que a maioria dos citadinos, tradicionalmente um pouco durinhos. O Twingo, por exemplo, não consegue disfarçar tão bem pisos rugosos, lombas sonoras ou a quantidade enorme de buracos das nossas urbes. A grande evolução na classe dos mais acessíveis citadinos foi operada nos habitáculos, redobrando-se o cuidado na seleção de materiais de qualidade e na construção. Neste particular, Twingo e up! acima da média na categoria.
Pequenos por fora, 'grandes' por dentro
O up! dispõe de fecho central com comando à distância, câmara traseira de parqueamento, sistema Climatronic com filtro antialergénicos, volante multifunções, sensor de chuva e uma nova geração de rádio/infoentretenimento: dois sistemas disponíveis, com ecrãs de 3,1 ou 5 polegadas e possibilidade de integração de smartphones para acesso a sistema e navegação.

Automóvel muito compacto, o citadino alemão surpreende pela funcionalidade, cotas habitáveis muito interessantes, sobretudo nos dois lugares posteriores e, com isso, almejada capacidade de resposta às mais exigentes necessidades de transporte de papás e mamãs na lufa-lufa dos grandes centros urbanos. O alemão é mais apertado no banco traseiro, com 59 cm livres para arrumar as pernas dos ocupantes do banco traseiro (Twingo: mais 4 cm), desforrando-se depois na medição em largura, com 128 cm medidos à altura dos ombros (menos 6 cm no interior do Renault).
Ainda se mantendo idêntica capacidade no que se refere à bagageira, que é claramente maior, superiorizando-se com 251 litros, valor que pode crescer até 951 com o rebatimento bipartido dos encostos dos bancos traseiros. Na mala do VW há ainda uma plataforma que pode ser colocada em vários níveis criando um fundo falso.
O pequeno Renault não lhe fica atrás e acrescenta à lista de equipamentos bancos revestidos em tecido e pele e jantes e liga leve de 16’’ (exclusivas desta versão Sport). No VW, ar condicionado automático de série; sistema manual no Renault. O citadino francês faz pagar os sensores de estacionamento traseiros (120 €). Agrada o modelo francês pela textura de alguns revestimentos; convence o alemão pelos acabamentos sem falhas e montagem robusta, digna de segmento superior. O mesmo com a oferta de equipamentos e comodidades. Cada vez mais completa.
No Renault Twingo temos 188 litros, extensíveis a 780 litros depois de rebatidos os encostos posteriores, ficando com piso plano. Acresce ainda, importante em matéria de funcionalidade, o facto de ambos rebaterem as costas do banco do pendura, criando espaço para transportar objetos maiores, como uma prancha de surf.
Cidadinos que se fazem à estrada
Sob os capots, unidades a gasolina com 90 cv. No VW, 1.0 TSI, de 3 cilindros, com turbo, a garantir condução mais despachada em cidade e, sobretudo, em estrada e autoestrada. É apreciável o desembaraço do up!, que se destaca por uma rapidez entusiasmante logo que o motor atinge o binário máximo de 160 Nm, às 1800 rpm.
O motor do Renault tem menos 25 Nm, sendo também unidade que desperta um nadinha mais tarde, explicando menor exuberância ao nível das prestações. Num e noutro, caixas de velocidades de cinco relações com engrenagem suficientemente rápida (melhor em precisão a do VW) para não deixar cair os regimes e, assim, extrair o máximo de diversão na condução. Aliás, esta boa liberdade de movimentos será o principal cartão-de-visita destas versões mais espigadas, que não são as mais baratas.
Pequenos e despachados com modernas motorizações a gasolina de 90 cv, Renault Twingo e VW up! estão na cidade como peixes na água, mas também têm credenciais dinâmicas que já permitem utilização fora da urbe, mostrando condução desembaraçada em estrada e autoestrada. Mais divertido de conduzir, o automóvel francês tem feeling quase desportivo que advém das ligações ao solo mais firmes, mas também da sua original conceção de tração traseira.