Na Ford, reforço fresquinho na gama Fiesta com a chegada de nova linha de equipamento ST Line, acabamento inspirado nos modelos mais racing da marca da oval, com visual e equipamentos desportivos, e que casa especialmente bem com a nova declinação do milinho a gasolina, com 140 cv. Trata-se de evolução de mecânica sobejamente elogiada (na gama também disponível com 100 e 125 cv), com mais músculo(s), para assumir posição destacada no topo da gama do modelo de segmento B e que pode ser reforço valioso para a Ford conquistar fatia ainda mais importante do mercado, sobretudo numa altura em que os bons motores a gasolina ganham terreno às badaladas motorizações a gasóleo. Alvo preferencial a abater: Renault Clio, pois claro!
O utilitário mais vendido em Portugal em 2016, destacadíssimo líder, com uma quota superior a 5% no total do mercado, tem no seu portefólio de modelos versão que parece feita à medida deste duelo: nível de equipamento GT Line, que adota vários acabamentos exclusivos, incluindo jantes de 16’’, aileron traseiro e vidros escuros e visual de inspiração sport, que combina belissimamente com o apelo desportivo da mecânica 1.2 TCe (120 cv), cuja principal novidade é o recurso à caixa manual de 6 velocidades. (antes só em associação com caixa automática de dupla embraiagem), numa associação que funciona muito bem. Primeiro, na carteira de potenciais interessados, já que a Renault baixa o preço desta versão manual do Clio em cerca de 1900 euros. Depois, fazendo sobressair o ótimo rendimento do propulsor em todos os patamares, como se vê ao nível das medições aferidas. É que bem espicaçado, o TCe impressiona pela prontidão com que reage às solicitações do pedal da direita, com muito bom valor de binário máximo (205 Nm), disponível logo a partir das 2000 rpm, a promover atuação redondinha. Este 1,2 litros comporta-se como unidade de maior cilindrada/rendimento, atirando o Clio GT Line para andamentos (quase) desportivos.
Mas, se não há muitos 1,2 litros com resposta tão espontânea como este TCe da Renault, ainda menos 3 cilindros haverá no mercado com a chispa deste 1.0 EcoBoost que a Ford tem na sua gama de motorizações. Proveniente de moderníssima gama de motores a gasolina da marca da oval azul, este pequeno motor tem grande alma, com notável disponibilidade, sobretudo a baixa rotação, quase parecendo um Diesel. Nessa equação também entra o valor do binário máximo: 200 Nm a partir das 1400 rpm. Depois, surpreende pela forma como os engenheiros limitaram vibrações e anularam as desagradáveis sonoridades em mecânica com arquitetura mais complexa de domar – número ímpar de cilindros implica sempre maiores desequilíbrios.
Nas prestações por nós medidas, atrasa-o a caixa de 5 velocidades (6 relações no Clio), que é um pouco longa. Consumo oblige…
De resto, o Fiesta é modelo interessantíssimo também do ponto de vista dinâmico, mostrando-se muito equilibrado nas reações, com precisão e estabilidade referenciais em curva, e oferecendo ao condutor direção com peso e que transmite ótimo feeling. Para as versões ST Line, suspensões com afinação desportiva, mais firmes. O carro francês parece sempre automóvel com condução mais ligeira, o que pode originar alguns excessos que controlamos facilmente, se a velocidade for moderada. No Ford, maior sensação de estabilidade, com o automóvel a parecer sempre mais agarrado à estrada, quase parecendo deslocar-se sobre carris. No Fiesta aplauda-se ainda a direção, com ótimo feeling, e a posição de condução; reveja-se o número elevado de comandos em painel que tem apresentação já fora de moda.
O Clio tem cockpit mais arrumadinho, ergonomicamente mais correto, mais fácil de operar também. Demasiados botões complicam um pouco a vida a bordo do utilitário da oval azul, que também tem decoração menos apelativa. No entanto, exame mais atento permite concluir que foi mais criteriosa a seleção de materiais que compõem o painel de bordo do Fiesta, sendo também mais rigorosa a sua montagem. E para ainda maior sensação de robustez e conforto que vivemos a bordo do Ford contribui, evidentemente, a solidez estrutural acima da média, qualidade confirmada nas passagens por pisos degradados. No modelo da oval azul, a suspensão trabalha sempre sem ruído e nunca sentimos sacudidelas no eixo traseiro, mal de que padece o Clio. A suspensão do carro francês é eficaz, mas o Renault trepida em mau piso. E o habitáculo do Clio também tem acabamento que não está isento de falhas e recheio menos abundante.
Para o Fiesta ST Line, a Ford tem a decorrer campanha que inclui desconto direto de 2875 €, além de oferta de equipamento à escolha da lista de opções, até 575 €. Tudo somado, significa isto que, por valor ainda um nadinha inferior ao que a Renault pede por este Clio GT Line, o carro da Ford destaca-se na dotação de equipamentos, nomeadamente por oferecer Sistema de Travagem de Emergência e airbag do joelho ou bancos em pele e tecido que o Renault não tem.
Medindo o habitáculo quer do Renault Clio, quer do Ford Fiesta, diferenças mínimas nos lugares dianteiros. Nos lugares posteriores, nenhum dos automóveis à prova é propriamente acanhado, mas o espaço disponível é aproveitado de forma diferente: a viatura francesa impõe-se na largura (mais 4 cm, considerando-se como referência a altura ao nível dos ombros); a melhor distância entre bancos pertence ao rival (quase 5 cm acima do total apurado no Clio).