O Arteon substituiu Phaeton (e o Passat CC), como o mais exclusivo dos modelos da Volkswagen. Automóvel espaçoso, fabricado com matérias-primas de qualidade, confortável e seguro. Para que a avaliação seja o mais rigorosa possível, convidámos para este confronto uma referência na categoria: o BMW Série 4 Gran Coupé, ambos nas versões Diesel de entrada na gama.
Os dois automóveis têm carroçarias compridas (BMW com 4,640 m, VW com 4,862 m) e distâncias entre eixos avantajadas (respetivamente 2,810 m e 2,837), pelo que não espanta que os interiores sejam tão espaçosos. Contudo, tal como as medidas atrás mencionadas sugerem, o Arteon é mais espaçoso e tem bagageira com maior capacidade do que o rival de Munique.
Interior
Vejamos os números em pormenor: na largura nos lugares dianteiros (a medida que consideramos mais relevante nesta secção do habitáculo), o Arteon oferece mais 6 cm do que o Série 4; enquanto nos lugares traseiros, em ambos pensados mais para dois ocupantes do que para três (como é costume), o VW alarga a vantagem na largura (mais 7 cm), destacando-se ainda no importante espaço em comprimento para as pernas (mais 5 cm) e na altura, com diferença de 2 cm sobre o BMW.
Sobre os lugares traseiros, e tal como referimos sobre os dois carros, reforce-se que os lugares centrais são um pouco desconfortáveis, uma vez que os assentos têm saliências pronunciadas e os encostos são demasiado direitos, até porque escondem o apoio de braços. Como se não bastasse, os túneis centrais colocam problemas para arrumar os pés.
Deslocando-nos para a retaguarda dos automóveis, deparamo-nos com enormes bagageiras com amplas aberturas que favorecem muito o acesso a estes compartimentos para operações de carga e descarga, sendo certo que é preciso alguma atenção com a altura do estacionamento, pois os respetivos portões abrem até muito alto (como se pode comprovar na imagem que publicamos na pág. 56). Quanto à volumetria, o Arteon volta a destacar-se com diferença de 83 litros para o Série 4.
Qualidade
Tratando-se de berlinas familiares premium (sim, este Arteon é premium), a qualidade dos habitáculos assume peso importante. E nisso, há muito a elogiar em ambos, pois, em geral, copiam-se na qualidade dos revestimentos, assim como no rigor dos acabamentos e na solidez da construção. Na ergonomia, optámos por conceder um ponto a mais ao BMW. Nada tem a ver com as posições de condução, corretas em ambos, nem sequer com o acesso aos elementos relativos à condução (volante, pedais ou caixas de velocidades, que no VW até é automática, oferecendo patilhas no volante para troca de relações), mas sim ao posicionamento do ecrã central, pois o do BMW está instalado no topo do tablier, permitindo o condutor consultar a informação através da visão periférica. Ou seja, mantendo os olhos na estrada, ao mesmo tempo que intuitivamente faz a gestão do sistema no comando rotativo posicionado na consola central. Já o VW, tem ecrã tátil de qualidade, mas posicionado na vertical da consola central, o que obriga a baixar o olhar para visualizar o conteúdo. Numa altura em que estes ecrãs estão democratizados (englobando enorme número de informações e distrações...), é importante que os fabricantes se comecem a preocupar com o seu posicionamento.
Motor
Quanto aos motores, o Arteon utiliza 2.0 TDI de 150 cv acoplado a transmissão de dupla embraiagem de 7 velocidades, a proposta Diesel mais acessível da gama. A solução convence, oferecendo ao mesmo tempo muito boas prestações, funcionamento suave adequado a este tipo de automóveis e ainda consumos comedidos. Não se nota qualquer falha de potência ou de binário e é fluido a desenvolver. E mesmo quando o esforçamos no modo mais desportivo da caixa de velocidades, não somos incomodados por ruído ou vibrações. O BMW utiliza Diesel que está na base de gama, também com 2 litros e 150 cv, mas gerido por bem escalonada caixa manual de 6 velocidades que garante utilização cómoda e despachada em qualquer tipo de percurso, batendo o Arteon em aceleração. Por outro lado, culpa da DSG, o VW ganha nas retomas. Mas, e muito importante, o 418d é mais económico.
Dinâmica
Por fim, louve-se o desempenho dinâmico do Gran Coupé, um carro que parece encolher em curva, tal é a agilidade, isto sem perder pitada no conforto, onde se equivale ao menos dinâmico Arteon. Mas atenção, menos dinâmico não quer dizer falta de eficácia. Este VW mexe-se bem e sem adorno excessivo, simplesmente não diverte tanto.