Jaguar F-Pace, charmoso felino

TESTE

Por Auto Foco 18-12-2016 16:58

Mostramos todas as fotos e dois vídeos da apresentação do primeiro SUV da Jaguar, nos Alpes suíços.

Como se não bastasse o acontecimento que significa sempre a chegada de um novo automóvel ao mercado, acresce ao F-Pace a honra de fazer a estreia absoluta de uma marca histórica e tão prestigiada, como é a Jaguar, no maior e mais crescente segmento da atualidade, o dos SUV.

Modelo de porte médio, algures entre o gabarito de concorrentes do segmento D, Audi Q5, BMW X3, Mercedes-Benz GLC, ou até mesmo do parente de grupo empresarial, Land Rover Discovery Sport, e os da classe imediatamente acima, X5 ou GLE, e ainda com formato acoupezado a piscar o olho a adeptos de X4 ou GLE Coupé, ou uma vez mais a familiar de consórcio, Range Rover Evoque, o F-Pace é o primeiro SUV da Jaguar e o terceiro modelo do fabricante britânico baseado na estrutura monobloco que conhecemos do XF e do XE, por isso partilhando a linha de montagem com a berlina do segmento D, na fábrica de Solihull, no Reino Unido.

Trata-se de arquitetura moderna e materiais leves, com 80% de alumínio, 18% de aço e 2% de magnésio, que favorece o peso e a rigidez estrutural do automóvel, no primeiro caso, com proveitos para a eficiência - através da redução de consumos e emissões poluentes-, no segundo, com benefício do desempenho dinâmica, e ainda melhor conforto de rolamento e mais segurança passiva.

O F-Pace tem suspensões independentes, a dianteira com esquema de triângulos duplos sobrepostos e a traseira multibraços com ligações integrais (Integral Link) e, em opção (1325 €), poderá dispor de amortecimento ativo, que processa os movimentos da carroçaria e das rodas até 100 e 500 vezes por segundo, respetivamente, adaptando o automóvel de forma instantânea à condução e ao piso. Nada que a principal concorrência já não disponha, alguma a subir a fasquia da sofisticação e da competência sobre pisos asfaltados (e até no cada vez mais inusual todo o terreno) através de tecnologia de amortecimento pneumático.

No SUV da Jaguar, a suspensão autorregulável associa-se ao sistema de vectorização de binário, importado do desportivo F-Type, que pode intervir de forma seletiva na travagem das rodas interiores para reduzir a subviragem à entrada das curvas, ajudando o condutor a manter a trajetória. E ainda a dispositivo que permite ao condutor a seleção da resposta do motor ao pedal do acelerador, rapidez de reação da caixa, tato da direção, atuação da tração integral e, ainda, firmeza do rolamento, segundo quatro modos de ação: Dynamic, Normal, Eco e AdSR (para superfícies escorregadias, como água, areia, gelo, neve e pedra). Este, quando associado a sistema de infoentretenimento InControl Touch Pro (2690 €), adiciona uma funcionalidade de bordo com conotação desportiva em que se exibem cronómetro, medidor de força G e gráfico de resposta do pedal do acelerador no monitor central, sobre a consola.

Desportiva, portanto, é a inclinação que a Jaguar pretendeu conferir ao comportamento dinâmico do F-Pace, privilegiado igualmente pela ampla distância entre eixos de 2,874 metros e uma repartição do peso (excecional para SUV) de quase ótima 50-50% e da rigidez de amortecimento (mesmo se autoajustável) também elevado. Parente este labor técnico, por um lado, se todas estas características explicam a dinâmica bastante eficaz (para SUV, reforce-se), restringindo eficazmente o rolamento excessivo em curva, difícil contrariar nestes veículos com centro de gravidade sobre-elevado, por outro prejudica o conforto (em pisos irregulares, esclareça-se) devido à secura excessiva do amortecimento. Pouco requintado para o que se poderia esperar de um produto dos novos tempos da Jaguar.

Também menos condizente com o posicionamento elitista da marca britânica estão alguns materiais plásticos com que é construído o interior do automóvel, e sem o cuidado de os esconder da vista – como são os que revestem o painel de instrumentos e as faces laterais da consola, entre os bancos dianteiros. Muito pouco premium.
Todavia, no habitáculo do F-Pace acomodam-se cinco adultos, nos bancos posteriores desde que não excedam 1,80 metros de altura ou medida de cintura XL, em posição mais cimeira do que em modelos concorrentes, como o BMW X3 ou Mercedes-Benz GLC. A impressão de robustez da construção (de todos os componentes que nos rodeiam, e apesar das referidas pechas de qualidade de alguns materiais) é igualmente superior aos seus apontados rivais de segmento.

A bagageira também é especialmente espaçosa (650 litros e com bancos traseiros totalmente rebatidos, 1740 litros), com acesso amplo e facilitado por superfície de carga baixa e o portão leve (em material compósito) e com sistema de abertura e fecho elétrico opcional e/ou com o movimento do pé debaixo do para-choques. Contudo, na presença de roda sobressalente de dimensões convencionais (opcional por 494 €) sob o piso de carga implica que este se sobre-eleve, não apenas reduzindo a volumetria do compartimento, como, acima de tudo, castrando-lhe o sentido prático, por deformação da sua área útil.

Do mesmo modo que começa também a sê-lo a tração integral num SUV, ainda para mais de luxo, como é o F-Pace e que tais. Apesar de não menos faustosamente equipado para enfrentar a evasão para terrenos revoltos, ou não se permitisse a recorrer à experiência e rico banco de órgãos da Land Rover. Para tal, dispõe de sistema de tração integral, evolução do equipamento no F-Type, que em boas condições de aderência tem a inteligência de movimentar o veículo como qualquer tração traseira – com importante contributo para constranger os consumos -, mas respondendo em milissegundos às falhas de atrito com o solo, eliminando-as com o envio de até 50% da força do motor para as rodas dianteiras.

A eficácia do sistema de tração integral do F-Pace pode ser reforçada com a tecnologia Adaptive Surface Response (ASR) que adapta as configurações do acelerador, da transmissão e do sistema DSC em função do tipo de piso. Substituindo o modo Chuva/Gelo/Neve do sistema Jaguar Drive Control, o ASR funciona a qualquer velocidade e permite uma otimização mais precisa dos sistemas do veículo para aproveitar ao máximo a tração disponível, o que contribui para uma condução sem percalços mesmo em condições extremas.

Por último, mas não menos importante, o préstimo do motor turbodiesel de 2 litros e quatro cilindros, totalmente em alumínio, que faz o acesso à gama do F-Pace. Mecânica com rendimento de 180 cv e 430 Nm (1750-2500 rpm), e associada a caixa automática de oito velocidades da ZF, de conversor de binário. Casamento satisfatório, a não se pode pedir prestações entusiasmantes, mas do qual se garantem juras de fidelidade às solicitações do acelerador em ampla faixa de regime e amor eterno à economia no consumo, como expressa a média de 8,5 litros/100 km aferida neste teste. Praticando uma condução com maior zelo pela poupança é possível baixar a fasquia dos 8 litros.
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