Uma notícia divulgada na última semana pelo jornal norte-americano The Washington Post, refere-se a um «grande estudo» de uma equipa de cientistas universitários e do governo dos Estados Unidos, em que se conclui que a natureza (ou as características) da poluição atmosférica no Planeta está a alterar-se significativamente à medida que os automóveis se têm tornado cada vez menos poluentes, passando a ser desde já as emissões provenientes de produtos de higiene pessoal, tintas, produtos de limpeza para interiores e outros agentes contendo substâncias químicas, as mais dominantes no ar que respiramos.
«Com o tempo, o setor dos meios de transporte está a tornar-se mais limpo quando se trata de emissões de poluentes atmosféricos», afirmou Brian McDonald, o principal responsável do estudo científico, que trabalha para a Universidade do Colorado em Boulder e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. «E à medida que essas emissões diminuem, as fontes de poluição do ar tornam-se mais diversas».
O estudo centrou-se em uma classe de produtos químicos que emitem "Compostos Orgânicos Voláteis", ou COV - substâncias odoríferas à base de petróleo que, no ar exterior, podem contribuir para a formação de ozono ou de mesmo de pequenas partículas mais perigosas. A pesquisa descobriu que a contribuição desses produtos químicos para o volume global de COV foi significativamente subestimada pelos meios atuais utilizados para aferir as fontes de poluição.
Os compostos voláteis em questão têm formas diversas e origens complexas, emergindo de árvores e de ervas, ou de fontes artificiais produzidas pelo ser humano, como os automóveis e outros veículos. «Também são encontrados em muitos produtos industriais e de consumo, como pesticidas, revestimentos, tintas de impressão, adesivos, agentes de limpeza e produtos de higiene pessoal», pode ler-se no estudo.
«Esses resultados têm importantes implicações sobre como e quais as emissões que produzimos», disse Brent Stephens, especialista do ambiente no Instituto de Tecnologia de Illinois. «Tradicionalmente estamos concentrados nos transportes e na indústria como principais fontes de emissões poluentes. Os produtos químicos voláteis são agora fontes de emissão relativamente mais importantes», reforçou o cientista.