Carlos Tavares: ‘a eletrificação do automóvel pode matar-nos’

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Por Ricardo Jorge Costa 23-02-2018 08:31

O processo de eletrificação dos automóveis pode colocar em risco a sobrevivência de diversos fabricantes. O alerta vem do presidente do Grupo PSA, Carlos Tavares, que considera a urgência em mudar a forma de abastecimento uma «exigência política», que vem dos governos e não do setor automóvel.

«O custo a médio prazo dessa transição é enorme e quem não cumprir receberá multas exorbitantes, o que poderá matar os fabricantes de automóveis», afirma o português, que há quatro anos lidera o construtor francês PSA, resgatando-o de uma falência eminente em 2012 para os lucros. No ano passado, o consórcio de que detém as marcas Peugeot, Citroën e DS adquiriu a Opel à General Motors.

Tavares fez estas declarações no Brasil, onde esteve três dias em visita à fábrica do grupo em Porto Real, Rio de Janeiro, e na sede administrativa da empresa em São Paulo. «Não se fala sobre as emissões das fábricas de baterias e o processo de reciclagem dessas baterias», refroça o gestor, que também duvida da capacidade de geração de energia para abastecer todos os novos veículos elétricos, sobre os custos dessa energia e a infraestrutura para abastecimento.

‘Ou eletrificamos ou morremos!’

A indústria automobilística emprega na Europa 12,6 milhões de trabalhadores. «E se o consumidor não aceitar o carro elétrico, por questões de preço, de falta de garantia de abastecimento?», questiona Tavares, reconhecendo o receio dos construtores europeus em perder espaço para a China, que já declarou que pretende liderar o processo global de eletrificação. «Ou nos adaptamos, ou morremos».

Apesar das críticas, a PSA prepara-se para lançar os primeiros modelos 100% elétricos em 2019. «Optamos por desenvolver tecnologia própria, faremos as transmissões e baterias e os motores elétricos; só não faremos a célula da bateria, pois não somos uma empresa química», afirma o português, que não revelou o investimento no processo.

No mundo, o Grupo PSA vendeu no ano passado 3,63 milhões de veículos, 15,4% mais do que em 2016, no quarto ano consecutivo de crescimento. Na Europa, o grupo francês detém 11% de participação no mercado e espera atingir 17% quando concluir a recuperação da Opel.

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