A smart enfrentou muitos desafios no passado, mas superar a perceção da fragilidade foi (ou ainda é) provavelmente o mais difícil de todos - um automóvel tão compacto, como o fortwo, pode ser seguro?
Desde a sua fundação, em 1994, a smart desdobra-se em campanhas e iniciativas de promoção da percepção de segurança dos seus modelos, em especial do bilugar fortwo. Uma das mais efetivas foi o crash-test que a Daimler realizou entre a geração atual (de 2016) do smart fortwo e o Mercedes-Benz Classe S.
Embora o vídeo da colisão não esclareça em detalhes o resultado (as consequências) deste teste de colisão, os responsáveis do grupo alemão que é proprietário daquelas duas marcas descrevem as forças exercidas sobre os ocupantes do smart fortwo como "dentro dos limites biomecânicos" - noutras palavras, que o risco de lesão é relativamente baixo.
O protoloco deste teste privado aproxima-se do da maioria dos que são efetuados pelas entidades independentes, no caso a Euro NCAP na Europa, ou estatais, como a norte-americana NHTSA - National Highway Traffic Safety Administration, mas, ao invés destas, que são individuais e o veículo colide com barreiras e postes fixos, o que foi organizado pela Daimler consistiu num embate frontal entre os dois carros. Tal como os crash-tests do EuroNCAP e da NHTSA, também neste, entre o mais pequeno dos smart e o topo de gama da Mercedes-Benz, as viaturas chocam em apenas 50% da área da respetiva dianteira, o que faz deste ensaio mais exigente do que se o embate fosse 100% frontal, uma vez que a energia da colisão concentra-se num ponto menor do veículo, ao contrária desta última, em que a energia é transferida a toda a estrutura do mesmo. A velocidade a que cada veículo se desloca é menor: 45 km/h contra 64 km/h no EuroNCAP.
As energias implicadas na colisão são bastante díspares. Com 2308 kg, o Classe S tem 2,1 vezes a massa do fortwo, que pesa apenas 1124 kg e tem uma estrutura menor para dissipar a energia. Em contraponto, a energia em deslocação do fortwo, a 45 km/h, é de 108 Kilojules (kJ), contra os 222 kJ do Mercedes à mesma velocidade.
Após o embate, o smart, com menos ‘corpo’ para absorver o impacto, apresenta-se, visualmente, em previsível pior estado, embora, pelo que se observa nas imagens da gravação, que a denominada célula de segurança Tridion do fortwo tenha cumprido a função para que foi projetada. As torções são visíveis, mostrando onde a energia do impacto foi dissipada ao redor do habitáculo, e não através dele, diminuindo as forças transmitidas aos passageiros.