Presidente da Ford Europa anuncia 40 elétricos e híbridos até 2022

Steve Armstrong revela que a marca da oval azul terá um ‘crossover’ elétrico daqui a quatro anos

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Por Joaquim Oliveira 13-04-2018 13:51

Subsiste o problema de rentabilidade na Ford Europa, mas a marca norte-americana ficou com nariz fora de água no final do ano passado, com lucros residuais de 234 milhões de dólares (antes de impostos). Este resultado foi ainda mais dececionante após recuperação dos prejuízos durante 2011-2014, com lucros de mais de 1000 milhões de dólares em 2016. As perdas resultantes da libra esterlina ferida pelo Brexit, o aumento do preço do aço, os custos das garantias ou o lançamento de geração nova do Fiesta são as causas do problema.

Steve Armstrong, presidente da Ford Europa, tem missão difícil pela frente, depois de ter assumido o cargo há cerca de um ano (junho de 2016), acabado de chegar da liderança da América Latina, após 25 anos na sede da Ford, com passagens por várias marcas, incluindo Jaguar, Mazda e Volvo.

AUTO FOCO (AF) – A eletrificação é a tecnologia do momento na indústria automóvel. Quais são os planos da Ford neste domínio?

Steve Armstrong (SA) – Planeamos 40 automóveis eletrificados até 2022, incluindo 16 elétricos com baterias. Os outros serão híbridos e híbridos de recarga externa. Em 2017, anunciámos investimento de 11 mil milhões de dólares [8,95 mil milhões de euros] na propulsão elétrica, com o primeiro crossover elétrico na Europa em 2020. Basear-se-á numa plataforma elétrica nova desenvolvida no quartel-general de Dearborn, Detroit. Vi-o no início de março e estou muito confiante no sucesso, tanto pelo desenho, como pelo facto de apontarmos para uma autonomia de 480 km. Em 2025, a quota de eletrificação da Ford rondará os 15%, incluindo híbridos com tecnologia de 48V, híbridos de recarga externa e 100% elétricos.

AF – Contará com fábrica dedicada a elétricos na Europa ou estes carros serão produzidos ao lado dos modelos com motores de combustão interna?

SA – No caso dos híbridos, produzi-los-emos ao lado do resto da gama; nos elétricos estamos a fazer estudos de viabilidade económica, com anúncio para breve. O Mondeo Híbrido fabricar-se-á em Valência, com volume de produção modesto, devido à procura limitada, mas nota-se aumento da procura, ao contrário do que acontece com os Diesel.

AF – Equaciona a redução da gama de motores a gasóleo?

SA – Não é a ideia, mas ajustaremos a oferta à procura, que mostra que os Diesel não param de perder clientes. Se olharmos para as vendas no 4.º trimestre de 2017, 75% dos Kuga na Europa tinham motorização Diesel. Para quem guia 20.000 km/ano, não há opção melhor.

AF – O caminho da eletrificação é irreversível?

SA – Julgo que sim, embora possa demorar tempo e haja trabalho a fazer por fabricantes e governos. Penso que Bill Gates sintetizou bem a questão das novas tecnologias: ‘Demoram mais a acontecer do que poderíamos pensar, mas quando aparecem, chegam mais depressa do que pensávamos’.

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