Alfa Romeo: história de resiliência

Marca celebra 120 anos em 2020. Na rampa de lançamento, carros novos, elétricos e híbridos

Opinião

Por José Caetano 23-11-2019 10:55

A Alfa Romeo comemora 120 anos em 2020. A marca tem história incrível, mas o passado não alimenta o presente nem o futuro. A indústria automóvel vive momento de tormenta, de mudança de paradigma, com a transição para os motores elétricos a impor reconstrução das gamas. Logo, se a sobrevivência do emblema de Milão dependesse só das vendas, na linha do horizonte, provavelmente, ponto final!


Entre janeiro e setembro, de acordo com a consultora JATO Dynamics, venderam-se 67.427 Alfa Romeo nos quatro cantos do Mundo, número que representa travagem de 31% na procura, comparativamente ao período homólogo de 2018. No mercado n.º 1 da marca, a Europa, números piores, com redução de 42% nos registos, para 41.646 automóveis. O momento explica-se com combinação negativa de fatores, desde logo a deterioração da economia e as limitações de gama com três carros: Giulietta, Giulia e Stelvio.


Temeu-se pelo futuro da Alfa Romeo após o desaparecimento de Sergio Marchionne, o 'empreiteiro' do império Fiat Chrysler Automobiles (FCA), mas o sucessor, Mike Manley, comprometeu-se com a recuperação e o relançamento da marca. Felizmente… No entanto, devido à escassez de recursos, revisão do plano anunciado em junho de 2018, que pressupunha gama com sete carros em 2022, para vendas anuais na ordem dos 400.000 automóveis.


Mas, agora, marcha-atrás, outra!, menos emoção, mais razão. A Alfa Romeo mantém-se prioritária, mas o novo plano inclui somente quatro automóveis, após a saída de cena do Giulietta em produção desde 2010, ação planeada para 2020. Assim, a Giulia e Stelvio, dois modelos com atualizações marcadas para 2021, somar-se-ão dois SUV: compacto antecipado pelo Tonale revelado em março, no salão de Genebra, e automóvel mais pequeno, para arrumar na base da gama. O primeiro ficará disponível em 2021, o segundo em 2022.


Paralelamente, trabalhar-se-á na eletrificação do automóvel, condição para o cumprimento das normas antipoluição na Europa, com a introdução de híbridos com sistemas de recarga externa das baterias (plug-in) e versão EV do SUV de 2022. E a fusão com a PSA Peugeot Citroën não compromete o futuro do emblema criado em 1910. O homem por trás do negócio, o português Carlos Tavares, assegurou que o consórcio precisa das 13 marcas sob o teto da empresa nova: «Todas, sem exceção, têm histórias fabulosas e são importantes para o sucesso do projeto».

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