Tenha cuidado consigo!

Na próxima edição, sem festas nem sorrisos, comemoramos 20 anos de AUTO FOCO

Opinião

Por José Caetano 27-03-2020 12:25

Vivemos tempos difíceis e excecionais, confrontados com a incerteza, mais do que com receio do confronto com inimigo desconhecido e invisível. No caso de AUTO FOCO, que ironia, comemoramos 20 anos de publicação semanal ininterrupta sem qualquer razão para festas e sorrisos. O mundo globalizou-se, não tem bolhas... No automóvel, o coronavírus novo parou a indústria e deixou os mercados moribundos, com a maioria dos protagonistas do setor em estados de alerta ou emergência e quase imóveis, prudentemente.

Não é medo. A esta crise de saúde pública sem fim à vista, garantidamente, seguir-se-á um período demolidor de recessão económica. Dir-se-á que estes episódios apocalíticos separam o trigo do joio, selecionam as espécies, poupando apenas as menos frágeis e vulneráveis. A pandemia de COVID-19 expande-se rapidamente, derrubando todas as fronteiras físicas e imune às resistências de classes sociais, crenças religiosas ou etnias.

Sem bola de cristal, desconhecemos até o dia de amanhã... A razão tem de sobrepor-se à emoção, impõe-se-nos o cumprimento das recomendações das entidades científicas, das autoridades políticas e técnicas que monitorizam esta pandemia. Sim, protegendo-nos individualmente, protegemo-nos coletivamente. Esperem-se notícias más antes das notícias boas!

Hoje, olhando para trás, para os primeiros 20 anos de história(s) de AUTO FOCO, não encontro episódio semelhante. Recordo-me tanto do pós-11 de setembro de 2001 como do pós-15 de setembro de 2008. No primeiro caso, os atentados terroristas nos EUA mudaram o Mundo. No segundo, a falência de banco norte-americano de investimentos, o Lehman Brothers, provocou crise económica e financeira arrasadora, que combatemos muito dificilmente. Sim, sobrevivemos! Durante os próximos meses, no automóvel, da competição à indústria, tudo parado. O tempo é de quarentena. Obrigatória! Nas marcas, desligaram linhas de montagem, cancelaram-se deslocações ao estrangeiro para registo de impressões de condução de carros novos, anularam-se dezenas de testes.

Por existirem limites à resiliência, antecipa-se colapso. Depois de ganharmos esta batalha – mais rápida do que lentamente, espera-se! –, faltar-nos-á vencer a guerra. O COVID-19 paralizou Portugal, a Europa, o Mundo. A capacidade de resistência de indústria tão poderosa é débil. A dos media, idem aspas, fragilizada pela falta da procura de informação credível, rigorosa e profissional. Os influenciadores de coisa nenhuma e as redes sociais difusoras de boatos e ruídos maldizentes derrotaram-na… O rumor sobrepõe-se à notícia, o conteúdo pago, sem filtros, vence na Internet gratuita. O jornalismo paga-se! Renunciando à necessidade de mediação, perdemo-lo.

Habitualmente, o melhor de nós vê-se nestes tempos. O pior também. Haja esperança! Tenha cuidado consigo.

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