Indústria automóvel sem retrovirais

Em 2019, pelo terceiro ano consecutivo, em vez de diminuírem, emissões de CO2 aumentaram

Opinião

Por José Caetano 22-03-2020 15:45

A velocidade da eletrificação do automóvel é cada vez maior, mas o cumprimento dos limites de emissões de dióxido de carbono (CO2) dos carros novos na União Europeia (UE) encontra-se comprometido. O coronavírus não contagia só milhares de pessoas nos quatro cantos do Mundo. Também expõe todas as fragilidades imunitárias de economia globalizada. Esta epidemia coloca-nos nas mãos de especuladores que aproveitam o momento de preocupação coletiva para ganharem (ainda...) mais dinheiro, sempre com o sacrifício de empresas e empregos.

O risco de recessão aumenta. Paralelamente, perigo de crise petrolífera. Arábia Saudita e Rússia aumentam em vez de reduzirem os níveis de produção, cumprindo a intervenção recomendada pela diminuição significativa na procura provocada pelo COVID-19, com os barris a negociarem-se cada vez mais baratos – alerta de perigo de trambolhão, com projeção de mínimos de 30 anos!

A saúde da indústria automóvel apresenta-se muito debilitada. As vendas no maior mercado mundial (China) travaram a fundo e, no final de 2019, na Europa, muitos fabricantes, para acabarem com os motores mais poluentes, matricularam quase tudo o que produziram. A antecipação pagar-se-á durante 2020, com o escoamento dos carros a mais dependente de estratégias comerciais hiperagressivas que degradam a qualidade do negócio. Em simultâneo, tentativa de satisfação da exigência de produção de geração nova de produtos, todos elétricos ou eletrificados.

Na UE, em janeiro de 2020, comparativamente ao mesmo mês do ano passado, as vendas abrandaram 7,6%, com máximos de 17% e 12% nos carros com motores a gasóleo e gasolina, respetivamente. No mesmo período, os registos de elétricos e híbridos (com ou sem sistemas de recarga externa das baterias...) aumentaram 72%, para 150.100 unidades. Por isso crescimento importante da quota de mercado, de 7,1% para 13,3%.

Mas, mais rapidez na mudança de paradigma, precisa-se! Em 2019, terceiro ano consecutivo de crescimento na média de emissões de CO2, de 120,5 g/km em 2018 para 121,8 gramas, com o protocolo NEDC. Com o WLTP, resultados (muitíssimo!) piores.

Em 2021, multas para as marcas com médias acima de 95 gramas. Próximo, do objetivo, só a Toyota: 97,5 gramas (híbridos representaram 60% das vendas). E bom-senso?! Para sobrevivência da indústria, talvez marcha-atrás da UE...

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