O coração acelerado, a respiração ofegante, as mãos ligeiramente húmidas e até um arrepio a subir pela espinha... O que se passa? Mas o X4 não é apenas um SUV? Sim, mas...
Chama-se adrenalina e está a preparar-nos para conviver com a intensidade dos 510 cv que a BMW encaixou na versão M Competition, uma estreia no X4, que fica essencialmente a cargo do novo bloco de 6 cilindros em linha de 3 litros de capacidade, duplamente sobrealimentado, que soma aos 510 cv nada menos que 600 Nm de binário máximo, tudo dominado por caixa automática de oito velocidades.
Nos tempos que correm, em que os elétricos é que estão a dar, trata-se de uma quase heresia, um atentado ao urso polar... mas até aí a BMW teve cuidados extra, ao incluir dois filtros de partículas e quatro conversores catalíticos nesta nova unidade de elevado rendimento, em que até os consumos na ordem dos 13 a 14 l/100 km (com muitas acelerações à mistura!) representam reflexo da elevada tecnologia encerrada sob o capot.
A definição Competition representa 8700 € somados aos 123.200 € do simples X4 M de 480 cv. Mas além do salto para os 510 cv acrescenta cuidados extra (e distinção) à imagem, mediante múltiplas superfícies exteriores com acabamento em preto brilhante, caso das grelhas, entradas de ar e capas dos retrovisores, jantes específicas e polidas de 21’’ e quatro saídas de escape em preto cromado, sinal da presença do sonoro e apurado sistema desportivo, com voz articulada por intermédio de botão na consola central, para mais ou menos agrura! No interior, são os fantásticos bancos com totalidade de ajustes elétricos e ares de baquet a apimentar o ambiente, não faltando logo M iluminado e embutido nas costas, dando as boas vindas a bordo de um mundo de eloquência dinâmica, com a assinatura M igualmente inscrita na decoração dos cintos de segurança.
No domínio das forças, além da referida caixa automática de 8 velocidades (de arquitetura mecânica convencional que lhe confere a necessária normalidade em uso quotidiano), com três modos de atuação e a permitir comando sequencial/manual em patilhas no volante (realmente manual, obrigando a desmultiplicar quando perto do red line) o X4 M conta com sistema de tração integral desenvolvido a preceito, admitindo várias formas de fazer chegar a força às quatro rodas. Também o sistema de travagem é específico, com discos ventilados e perfurados em material compósito, que surpreendeu quer pela potência, quer principalmente pela resistência à fadiga em modelo de tais dimensões e peso.
Como não poderia deixar de ser, o condutor pode afinar direção, amortecimento, entrega do motor e a atuação do controlo de estabilidade e da tração integral. Duas das combinações preferidas podem ser guardadas nas definições M1 e M2 e automaticamente chamadas à ação por intermédio de dois botões vermelhos localizados no volante.
Depois, quem queira explorar este SUV como um dos outros M, basta brincar com os modos do controlo de estabilidade, não sendo preciso ir além da opção intermédia M Dynamic M para, depois, a partir daí, poder também aceder aos ajustes da tração integral, permitindo escolha entre 4WD convencional e 4WD Sport. Com esta última opção, o X4 M torna-se bem mais vivo e reativo ao acelerador, tendo como preferencial o envio de força às rodas traseiras.
Assim fisicamente formatado, há apenas que contar com um ligeiro escorregar do eixo dianteiro, alertando para os limites, seguindo-se a tal entrega de força atrás, qual M de apenas tração traseira, mas com o dom da motricidade e controlo acrescidos pela tração integral. Os pneumáticos Michelin Pilot Sport 4S são peça fundamental nesta cartilha dinâmica, ao garantirem leitura exata do trabalho das rodas e dos níveis de aderência, mesmo que para tal devam atingir a temperatura ideal de utilização – possível consultar nas informações a bordo.
A direção, sempre com peso e com poucas voltas entre topos, permite que se conduza quase sempre sem largar a posição «10 para as 10», qual modelo afinado para lidar com cenários de pista. O condutor paga essa precisão e leitura com diâmetro de viragem alargado, que em nada facilita as manobras do quotidiano.
Tanto direção como suspensão não precisam de ser configurados no modo mais extremo Sport Plus: a direção fica exageradamente pesada e até algo cansativa, ao passo que o amortecimento, tornando-se duríssimo, está nitidamente focado para a contenção de movimentos laterais em pista, saltitando em demasia em qualquer estrada pública que não seja um tapete...
O motor... bem, é difícil arranjar adjetivos que lhe façam justiça, com entrega constante em toda a faixa e capaz de inebriar os menos habituados a estes repentes. Porque este SUV tem mesmo as pistas na mira...
Com as versões Competition de X3 e X4, a BMW entra para o clube dos 500 cv onde Alfa Romeo (com Stelvio) e Mercedes (com GLC) têm gozado de exclusividade. Pode parecer um pormenor, mas chegando a estes escalões, a imagem fala mais alto e é preciso não largar a concorrência! Além das performances, junta-se a eloquência da condução, com dinâmica que defende os pergaminhos da M, mesmo em formato ‘monster’!