Numa altura em que os números diários da pandemia em Portugal, e no Mundo, crescem a velocidade nunca vista, é séria a hipótese do Mundial de motociclismo poder não chegar a acelerar no Algarve, de 20 a 22 de novembro. Isso mesmo foi possível perceber das palavras do secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, na conferência de imprensa de ontem da Direção Geral de Saúde, para a apresentação do boletim epidemiológico diário, com novo e substancial agravamento de casos de infeção e de internamentos por Covid-19.
«A evolução da pandemia faz com que todas as medidas, todos os eventos e tudo aquilo que irá acontecer no futuro seja permanentemente avaliado e sejam tomadas as melhores decisões em função daquilo que é a evolução da pandemia e do que acontecer ao longo destes dias», preveniu Diogo Serras Lopes, em resposta à questão sobre o cancelamento da última etapa do Mundial de MotoGP, previsto para o Autódromo Internacional de Portimão, poder ser hipótese em cima da mesa.
Apesar das medidas adotadas pelo circo do MotoGP, nas quais se incluem um voo charter para transportar todos os intervenientes entre Valência (palco das duas próximas provas, o GP da Europa, a 8 de novembro, e o GP Comunitat Valenciana, a 15, ambos no circuito Ricardo Tormo) e Portimão, e a criação da bolha de segurança que tem marcado todas as etapas do Mundial, a verdade é que as imagens do último fim de semana no traçado algarvio, com milhares de espectadores aglomerados para verem a Fórmula 1, estão ainda demasiado recentes. E, pior, agravadas pelos dados ontem divulgados pela Delegação Regional de Saúde do Algarve, segundo os quais foram registados 14 casos de Covid-19 entre os elementos das equipas de F1 que estiveram no Algarve, a maioria detetados nos testes efetuados entre 20 e 29 de outubro, alguns por sintomatologia e recurso às unidades de saúde da região.
Presente no passado fim de semana em Portimão, a delegada regional de saúde, Ana Cristina Guerreiro, apercebeu-se de algumas situações que «não funcionaram muito bem» e que gostaria de ver alteradas em futuros eventos do género, nomeando vigilantes «pouco firmes na exigência» do cumprimento do uso da máscara, e uma mobilidade do público que não deveria ter sido permitida, «tal como estava no parecer». Equacionou ainda a colocação de barreiras para impedir a circulação, mas não «uma eventual saída em caso de emergência», a par da «redução do número de público autorizado», entre as soluções apontadas.