Peugeot (sem asa!...) em Le Mans

O 9X8 é o hipercarro radical desenvolvido para a marca francesa regressar à ação nas 24 Horas e competir no WEC a partir de 2022. Equipa sem portugueses

Automobilismo

Por José Caetano 08-07-2021 15:00

A Peugeot, vencedora das 24 Horas de Le Mans em 1992 (905), 1993 (905) e 2009 (908 HDi FAP), ambiciona o quarto título na corrida de resistência número um dos Mundo. E fá-lo-á com hipercarro novo muito excitante visualmente e radical no conceito. Chama-se 9X8 e não tem asa traseira, o que contraria as normas, incluindo entre os GT, todos com spoilers posteriores de dimensões generosas! A Stellantis Motorsport, divisão que congrega as atividades desportivas das marcas da PSA e da FIAT Chrysler Automobiles antes da fusão na origem do consórcio liderado pelo português Carlos Tavares, é liderada pelo francês Jean-Marc Finot (trabalhou com a Citroën no WTCC ou no WRC e a Peugeot no Dakar!).

Na marca do leão, prepara- se a estreia no Mundial de Resistência (WEC) em 2022, com o objetivo de permanecer um mínimo de cinco anos no campeonato, mas o arranque do programa acontecerá só quando o 9X8 for considerado pronto para a ação, o que pode não suceder a tempo da corrida inaugural da próxima temporada. Finot, a A BOLA, explicou a razão para a ausência da asa traseira no Le Mans Hypercar (LMH), nome da categoria que substituiu os LMP1 no WEC este ano. «O regulamento novo proporciona-nos mais liberdade e, durante as simulações que fizemos, digitalmente, alcançámos níveis de eficiência aerodinâmica que autorizaram a eliminação desse recurso e, paralelamente, desenharmos protótipo que transporta a carga genética da Peugeot, como podemos observar no desenho da carroçaria. Mas, não, não posso explicar-lhe como conseguimos fazê-lo. Pretendemos mantê- lo secreto», disse. Também Olivier Jansonnie, diretor técnico do programa WEC da Peugeot Sport, divisão da Stellantis Motorsport, explicou o radicalismo da abordagem à conceção do 9X8: «Os regulamentos LMH são muito mais flexíveis no capítulo da aerodinâmico, o que facilita muito o desenvolvimento de conceitos inovadores, com intervenção maior do departamento de design. Aproveitámos esta oportunidade e, com processos criativos novos, rompemos com os códigos normais e produzimos um hipercarro diferenciado e diferenciador!». A diminuição das imposições regulamentares com a substituição dos LMP1 pelos LMH também explica o desenho excitante do 9X8, hipercarro que a Peugeot apresentou na forma de protótipo e ainda sem decoração. «Na conceção do protótipo, inspirámo-nos nos movimentos dos felinos e o posicionamento do cockpit, inclinado para a frente, sugere a prontidão para o ataque», explicou-nos, entusiasmado, um elemento da equipa de design (Matthias Hossann).

MOTORIZAÇÃO HÍBRIDA, POTÊNCIA LIMITADA A UM MÁXIMO DE 680 CV

E o nome do hipercarro também tem explicação: o 9 remete-nos para os antecessores, o X para a motorização híbrida, com o eixo dianteiro eletrificado responsável pela tração às quatro rodas e o 8 encontra-se em todos os automóveis atuais da gama civil da Peugeot. Tecnicamente, no 9X8, V6 2.6 biturbo (680 cv) apoiado por motor elétrico com 200 kW (272 cv) e caixa sequencial de7 velocidades. Nos regulamentos da categoria Hypercar, independentemente dos modos de funcionamento, a potência máxima do sistema é limitada a 680 cv. No plantel da formação nova da Peugeot, entre os seis pilotos, nenhum português. António Félix da Costa e Filipe Albuquerque foram equacionados, mas não houve acordo. E, asssim, na equipa, Jean-Éric Vergne, Paul di Resta, Kevin Magnussen, Loic Duval, Mikkel Jensen e Gustavo Menezes. James Rossiter tem o estatuto de «reserva». O primeiro teste realizar-se-á antes do final do ano, num país do sul da Europa, com Portimão na lista. Em 2021, o circuito estreou-se no WEC, com corrida de 8 Horas, o que proporciona base de trabalho ótima para o desenvolvimento do 9X8, devido à hipótese de comparação direta com os registos do Toyota GR010 Hybrid vencedor da maratona.

Campeonato cada vez mais atrativo

 À Toyota (campeã) e Alpine, somar-se-ão, pelo menos, Audi, Ferrari e Porsche

Na Peugeot contagem decrescente para a estreia no WEC, Mundial renascido em 2012, após reorganização. À época, a marca interrompeu o programa 908, depois do título no Intercontinental Le Mans Cup e da derrota para a Audi em Le Mans. Atualmente, vaga nova de mudanças na categoria-rainha do WEC, que tem dois objetivos: diminuir o teto orçamental e, também para atrair mais marcas, permitir que os hipercarros (LMH) acelerem no campeonato norte-americano, com o IMSA a preparar-se para substituir os DPi pelos LMHd. E, assim, de 2022 em diante, máquinas ombro a ombro, nas 24 Horas de Daytona e Le Mans! As marcas que anunciaram programas desportivos confirmam o êxito da fórmula: no futuro, no Mundial, além de Alpine, Glykenhaus e Toyota, as três já em ação, Audi, Ferrari e Porsche. Mais hipóteses: Acura (Honda), Aston Martin, BMW, Cadillac, McLaren e Maserati. A Toyota é a campeã em título e a Ferrari, pela primeira vez desde 1973, prepara ataque à vitória absoluta em Le Mans, onde soma nove vitórias – mais, apenas Porsche (19) e Audi (13).

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