A BMW decidiu promover o conceito de Gran Turismo do Série 5 ao mais elitista Série 6. Em boa hora, refira-se, em proveito de um posicionamento mais estatutário desta variante, com um design distinto e atribuições familiares enfatizadas pela superior habitabilidade e capacidade da bagageira comparativamente às berlinas das referidas gamas.
Mas será a imagem conferidora de prestígio acrescido que o cliente preferencial do Série 6 GT mais valorizará neste modelo, quase tanto como o conforto, a um nível superior na gama, que também disponibiliza berlina de cinco portas com formato inspirado no Coupé, que foi carroçaria pioneira desta série da BMW.
Neste automóvel, destacamos a grelha do duplo rim de maiores dimensões e ladeada por grupos óticos com tecnologia LED. De perfil, nota-se bem a forma descendente do teto que culmina em traseira, onde há um spoiler automático que levanta a partir dos 120 km/h e também as dimensões avantajadas do modelo, que cresceu 8,7 cm em comprimento ao Série 5 GT (tem agora 5,091 metros) e que está 2,1 cm mais baixo (1,538 metros), sendo que a largura é igual (1,902 metros).
Com vasto arsenal de argumentos técnicos e dentro da melhor tradição BMW, o motor de 6 cilindros e 3 litros tem uma resposta impressionante desde os mais baixos regimes, ou não estivessem 340 cv e 450 Nm disponíveis debaixo do pé direito, estes últimos desde as 1380 rpm e até às 5200 rpm, ou seja, há binário máximo em quase toda a faixa de regime. Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos e o quilómetro de arranque em menos de 25 segundos dão uma ideia da celeridade a que nos movemos, tendo em conta que estamos a bordo de um carro com cinco metros e quase duas toneladas de peso. Mas se a aceleração impressiona num automóvel com este gabarito de volume e massa, as recuperações de velocidades ainda mais. A uma pressão contundente no acelerador, responde o 6 cilindros com força enorme que o impele rapidamente para ritmos proibitivos.

Qualquer necessidade súbita de potência pode ser facilmente coberta por uma pisadela mais vigorosa no pedal da direita e a redução quase imediata da bem escalonada caixa automática de 8 velocidades (com conversor de binário), com comandos por via das patilhas inseridas no volante ou através da alavanca central, em modo manual/sequencial.
Conte-se, ainda, com o indispensável dispositivo de promoção da eficiência do consumo (incluído no conhecido pacote Efficient Dynamic), que mediante a eleição do modo EcoPro atua também nos consumidores energéticos do veículo. Registámos 10 litros/100 km contra 7 l/100 km homologados e inverosímeis. Durante o nosso teste, ainda que consideremos que o consumo não é fator fundamental num automóvel com motor de 6 cilindros a gasolina de 340 cv, tão pujantes como sequiosos, aferimos os seguintes consumos médios nos diversos ambientes rodoviários: na cidade, 14 l/100 km; em estrada aberta, a velocidades até 80 km/h, 8 litros; e em autoestrada 9 litros, valor idêntico ao do ciclo combinado.

Conforto: quase um Série 7
O comportamento do Série 6 Gran Turismo privilegia o conforto, essencialmente devido à generosa distância entre eixos (igual à do Série 7) e ao amortecimento suave da suspensão. De série, o eixo dianteiro tem molas helicoidais e o posterior amortecedores pneumáticos com função de regulação em altura e sistema de controlo dinâmico do amortecimento. Mas, em opção... paga, também se poderá beneficiar dos louvores do pneumatismo da suspensão dianteira. O amortecimento não é à prova de qualquer irregularidade do piso, mas fica num patamar abaixo, muito próximo, da excelência do topo de gama Série 7.
Por outro lado, dispõe de uma regulação da dinâmica à la carte que transforma o Série 6 GT num autêntico cruzador das estradas, com insuspeita agilidade contraria as oscilações da carroçaria em transferências rápidas de massa provocadas por forte apoio em curva, além de assegurar irrepreensível filtragem das irregularidades do piso.
Para este verdadeiro menu de dinâmica de degustação contribui igualmente o sistema eletrónico Experiência de Condução, que permite ao condutor selecionar diversos modos de funcionamento de componentes que influenciam o comportamento desta berlina. Além da intervenção no amortecimento, nas relações de transmissão, na sensibilidade do acelerador, na assistência da direção, ora privilegiando conforto ou a eficácia em curva, através de uma afinação mais desportiva, ambos com adaptação às preferências do automobilista e as condições da condução e do percurso (piso e sinuosidade da estrada), o botão acrescenta modo Adaptativo, para deixar todos esses critérios a cargo da inteligência artificial, ou seja, ao automatismo.
Para reforçar as credenciais dinâmicas, a direção ativa integral (opcional) e a excecional capacidade de travagem: embalado a 100 km/h, o 640i GT imobilizou-se em pouco mais de 34 metros.

Interior: um luxo
No demais, já conhecemos os excelentes materiais e acabamentos da Série 6 da BMW, que combina pele e alumínio, a aristocratizar o ambiente a bordo, onde o condutor goza de um painel de bordo que o encara, instalado num banco que é uma autêntica poltrona: amplo, confortável e com apoio lateral, estando dotado de cinto de segurança integrado (tal como o do parceiro do lado). Os passageiros do banco posterior, desde que em número de dois apenas (lotação: 5 pessoas), ficam bem servidos de espaço, embora o lugar central seja desaconselhado devido à protuberância dos estofos e do túnel da transmissão. Os lugares traseiros do modelo em teste dispõem de regulações elétricas (opcionais).
O condutor beneficia ainda das bonomias do Head-Up Display, do iDrive ou de múltiplas câmaras e sensores em redor da carroçaria que melhoram a visibilidade nas manobras ou guiam-nos quase automaticamente no trânsito – a meio caminho da famigerada condução autónoma do futuro -, ou ainda o sistema de iluminação com faróis de LED adaptativos, fortíssimos e inteligentes, que adaptam a altura e a intensidade do feixe luminoso de acordo com as condições de trânsito - ou como da noite se fazer dia (opcional). Tão bom investimento como o que é necessário para dispor de esplêndido sistema de som Surround Bowers & Wilkins Diamond. Mais do que uma aparelhagem topo de gama para equipar uma sala-estúdio.
O Série 6 Gran Turismo supera o antecessor Série 5 GT também na volumetria da bagageira, oferecendo 610 litros (mais 110) que podem subir para 1800 (+100) com o rebatimento total dos bancos traseiros (se assim o desejarmos, podemos optar por rebatimento individual, pois os encostos estão divididos na proporção 40:20:40). Importante, ainda, o aumento das proporções do compartimento, que está mais largo (25 mm) e comprido (185 mm), só se lamentando o plano de carga ser um tanto alto.