Sabemos que, em Portugal, existindo versões Diesel e a gasolina propostas a igual preço, será muito difícil à segunda impor algum protagonismo. Mesmo que ambas ocupem distintas posições comerciais e que seja (mesmo!) injusto comparar o desempenho do novo motor 1.3 turbo a gasolina de 163 cv do Mercedes A 200 ao da unidade 1.5 Diesel de 116 cv do A 180 d.
No 200, estreia de unidade 4 cilindros turbo a gasolina, de 1,3 litros, desenvolvida entre a Mercedes e a Renault, que tem a particularidade de poder funcionar só com 2 cilindros em situações de carga parcial (leia-se pouca exigência de aceleração). Este motor, por enquanto a trabalhar em exclusivo com a caixa automática de dupla embraiagem de 7 velocidades, é proposta que coloca a utilização quotidiana do Classe A nos píncaros da serenidade, fruto de uma quase total ausência de ruído de funcionamento e também por trabalhar (quase) sempre em regimes baixos – a disponibilidade do motor surge bem aproveitada pela caixa automática.
Em autoestrada, conte-se com consumos médios na ordem dos 6,5 l/100 km, valores que em cidade sobem facilmente para perto dos 8,5: média final do teste a rondar (justos) 7,3 l/100 km.
Os gastos suplementares em combustível ao Diesel acabam por encontrar justificação nas performances (por isso afirmamos a injustiça das comparações diretas...), com os 163 cv do A 200 a permitirem performances bem despachadas, caso de aceleração 0-100 km/h verificada em menos dos 8 segundos anunciados. Ao condutor caberá apenas decidir o género de utilização, com a certeza de que o A 200 se afirmará a todas as chamadas. Havendo, ainda, a possibilidade de optar por um dos modos de condução, que podem ser complementados por sistema de amortecimento seletivo, com dois níveis de ajuste (opcional).
Numa toada de suavidade requintada sugerida por esta versão a gasolina do novo Classe A, a opção técnica por desligar dois dos quatro cilindros não será percetível à maioria dos utilizadores, com a Mercedes a nem sequer incluir sinalização no painel de instrumentos de quando a tecnologia entra em ação. Mas há a reter que o Classe A 200 não nasceu para ser desportivo, não sendo, por isso, de estranhar a atuação menos efusiva da caixa automática a intentos acelerados. E ao utilizar arquitetura de torção no eixo traseiro (com geometria multibraços, por agora, guardada para o mais potente A 250 a gasolina e futuras versões com sistema de tração integral), a Mercedes como que admite a toada civilizada com que concebeu este A 200.
Ainda assim, fica a certeza de que a nova geração do Classe A atingiu a maturidade dinâmica, bem ligado à estrada via direção expressiva nos atos, eixo dianteiro mais acutilante e toda uma estrutura (ainda) mais rígida, capaz de garantir misto de ligeireza e segurança, seja em estrada encadeada, seja na estabilidade encontrada em autoestrada. No mau piso, são igualmente evidentes os avanços de bem-estar e comodidade ao modelo anterior, para mais contando a unidade testada com a linha AMG e jantes de 18’’. Esta linha de personificação desportiva molda não são a imagem exterior, como no interior surgem bancos de formato integral forrados num misto de pele e alcantara com linha vermelha, não obstante os mesmos não proporcionarem o desejado suporte lateral ao nível dos ombros.
Já o tablier, dominado por instrumentação digital e ecrã tátil do sistema MBUX (de origem, ambos de 7’’, obrigando a Mercedes a pagar os de 10’’, por exemplo, mediante aquisição do Pack Premium, por 2900 €, que soma navegação, sistema de som melhorado, iluminação ambiente, etc.) exponencia o vanguardismo do novo Classe A.